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Críticas Games

We Happy Few e seus poucos motivos para jogar

We Happy Few é um jogo de aventura e tiro em primeira pessoa desenvolvido pela Compulsion Games e publicado pela Gearbox com download para PC, PlayStation 4 e Xbox One. Depois de conquistar algum hype em sua versão early access, desde 2016 o game foi conquistando o interesse dos fãs e da mídia especializada.


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Grande parte do interesse veio do interessante contexto escolhido para a narrativa, uma versão alternativa dos anos 1960. Na distópica cidade de Wellington Wells, as pessoas estão abusando de uma droga alucinógena que consegue mascarar a horrível realidade do mundo e, ao invés de mostrar a verdadeira sociedade em colapso, faz o usuário vislumbrar um mundo festivo e em constante alegria.

Não bastam boas intenções

O problema é que, por mais que a trama comece interessante e repleta de paralelos com obras clássicas como 1984 e Brazil, uma história intrigante simplesmente não é o bastante para segurar um jogo de videogame pessimamente acabado. A impressão é que ele devia continuar pelo menos mais um ano no forno sendo lapidado pela equipe de desenvolvimento.

Em sua forma atual, We Happy Few parece um filho bastardo, burro, feio e largado de Bioshock e Zombi U. Do primeiro jogo, veio a vontade de criar uma atmosfera e narrativa imersivas. Do segundo, as mecânicas de sobrevivência e a jogabilidade meio truncada. O resultado final, infelizmente, é um crime da genética videogamística.

Em meu teste, eu não consegui jogar mais do que cinco horas da campanha, porque simplesmente não estava conseguindo tirar qualquer diversão das péssimas mecânicas e sistemas do jogo. Andar pelos mapas semi-abertos em busca de itens e missões paralelas é tão gratificante quanto passar uma tarde no banco pagando boletos. Acredite,  só não é mais chato que os combates do jogo!

Cada embate, sem falta, me fez ter vontade de largar o controle e ir fazer qualquer outra coisa da minha vida. O sistema de física é péssimo e, aliado aos controles travados, faz com que nenhum golpe seja minimamente gratificante. O que é lamentável, já que combates são até bem frequentes na jornada.

Uma droga de jogo

O que se salva, então, são os momentos sem ação, quando é possível ficar imerso no mundinho graças à boa dublagem, presente até nos menores NPC. O sotaque britânico da galera ajuda na imersão e soa bem agradável aos ouvidos, e o roteiro até consegue ser interessante o bastante em seus diálogos e contextualização do universo.

No entanto, a estrutura das missões é tão chata que também joga esses trunfos para escanteio. Como nos piores sandbox, a maioria das missões consistem em “busywork”; em “bancar o office boy”. São coisas do tipo “vá até o ponto tal e ache fulano”, ou “entre no prédio tal para pegar item tal”. É a burocracia máxima em sua pior forma.

O pior de tudo é ter que aturar loadings gigantescos de mais de um minuto, apenas para ser recebido por texturas mal acabadas e framerate instável, um problema que, segundo relatos de outros jogadores, parece se repetir mesmo nas versões mais parrudas dos consoles, ou mesmo em computadores top de linha.

Como falei, eu não aguentei jogar mais do que cinco horas de We Happy Few, então sempre é possível que, ao menos nas horas seguintes, as coisas melhorem um pouco. Mas eu não apostaria nisso, até porque, mesmo que o jogo mude totalmente de foco, o gameplay continuaria sendo péssimo. Se pelo menos existisse uma droga para me fazer esquecer do meu tempo com o jogo…

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