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Um mergulho pela insanidade de Hotline Miami

Alô, aqui é o… bom, pode me chamar de Jacket. Você já deve ter ouvido falar sobre a onda de assassinatos em Miami, mas eu queria compartilhar minha história antes do julgamento começar.

Você pode não acreditar, mas tudo começou com um galo, um cavalo e uma coruja. Quer dizer, não é todo dia que você se encontra encurralado por pessoas com máscaras de animais, né?

O trio falava que eu deveria me lembrar de quem eu era e das coisas horríveis que eu tinha feito. O galo parecia ser o líder do bando e insistia que tudo havia começado no dia 03 de abril de 1989, quando nos conhecemos.

Na ocasião eu realmente não me lembrava de nada. Mas agora eu sei que tudo começou quando eu chequei minhas mensagens na secretária eletrônica…

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Ligações

A única mensagem era de Tim, da padaria, avisando que meus biscoitos já estavam na porta. Eu suspeitava que o pacote largado no chão não escondia guloseimas, mas a máscara de galo foi realmente uma surpresa.

“O alvo é uma maleta. Deixe o objeto na lixeira. Falhar não é uma opção. Estaremos observando”, alertava um bilhete.

Obedeci e fui para o endereço indicado. Não foi difícil matar os canalhas russos que estavam lá guardando a tal maleta.

Voltei para casa e deixei o objeto no local ordenado. Pena que um mendigo viu o que eu estava fazendo. Tirei sua vida e vomitei na sequência. Nunca gostei de matar civis.

Com o estômago vazio, precisava descolar um lanche. O atendente do mercado era a cara do meu velho amigo Beard. Ah, como a gente matou na Guerra! Éramos quatro nos “Ghost Wolves”, e nenhuma missão era impossível para o nosso pelotão.

“Oi cara, há quanto tempo!” Que bela surpresa, era ele mesmo! “Você parecia tão deprimido depois que sua namorada morreu… esse lanche é por conta da casa!”. Com o Beard era sempre por conta da casa.

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O próximo recado chegou no dia 08. Linda queria uma babá para ensinar uma lição às crianças em casa. Chegando lá, encontrei uns russos ainda mais barra pesada, agora com armas de fogo. Dois podiam jogar esse jogo.

As mensagens não paravam de chegar. 16 de abril fiz uma visitinha à clínica. Foram o que, umas vinte mortes lá? Dia 25 me ligaram do serviço de encontros Hotline Miami. Eles sempre usavam serviços reais como um código idiota, então foi bem irônico eu ter acabado em um encontro pra valer naquela noite.

Depois de matar todos os criminosos, descobri uma prostituta seminua escondida no quarto dos fundos. Ela implorou para que eu acabasse logo com isso, mas eu não sou desses, só levei a garota para minha casa.

Dei um pulinho no bar antes para esclarecer as ideias. “Você não parece alguém que deveria estar bebendo hoje.” Disse o barman. “Tem certeza de que quer fazer isso? Bom, vou te preparar algo especial”.

O drink desceu meio amargo, meio doce. E inteiro arrependimento.

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Perguntas

“Você gosta de machucar pessoas? Quem está deixando mensagens na sua secretária eletrônica? Onde você está agora?” Por que estamos tendo essa conversa?” O galo me deixou com essas questões antes de desaparecer novamente.

Charadas não eram mesmo o que eu estava precisando naquele 05 de maio. Mas não tive tempo de remoer isso, já que logo recebi mais uma missão. E mais outra dia 11. Não havia descanso.

Dessa vez era a dedetizadora alegando problemas com ratos. Depois de fazer a limpeza na casa, encontrei mais um perdido no esgoto. “Eu entendo agora…”, gemia ele, sangrando por todos os orifícios “O que aconteceu… e está acontecendo… é tudo um sonho ruim, não é?” Quem dera, rato.

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Dia 13 fiz um serviço no Hotel Blue, mas o tempo inteiro fiquei pensando no faxineiro esquisito que encontrei saindo de casa. Não lembro de ter um faxineiro no condomínio.

Ele teria sido útil no dia 23, quando me mandaram consertar um encanamento antes que tudo começasse a feder. Os malditos russos agora estavam usando cachorros pra se proteger. Cachorros! Não tinha como aquilo não feder.

Eu já estava acabando por lá quando recebi outro telefonema. “Mudança de planos: temos um cara passando trotes lá na Phone Hom. Por que não coloca juízo na cabeça dele?”

Dezenas de corpos mutilados me receberam, mas logo achei o responsável pela chacina vestindo seu capacete azul de motoqueiro e um casaco cor de rosa.

“Você está morto”, gritou enquanto arremessava facas em minha direção. Desviei por pouco antes de atravessar seu capacete com um cano. Uma, duas pancadas certeiras. “Não pode acabar assim”. Três acertos, e sua cabeça explodiu numa bola de sangue.

Que noite zoada. Fui beber um pouco. O barman disse estar sentindo “algo estranho no ar”. Ele não era o único.

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Visitas

“A próxima vez que nos encontrarmos será a última”, advertiu o galo. “Pensou nas minhas perguntas? Hoje trago apenas três previsões: alguém que você conhece não é quem você pensa; algo logo será tomado de você; em 21 de julho você acordará numa casa maior”.

Pro inferno com esse galo, ainda era 27 de maio e eu fui mandado para uma boate. Estava vestido para matar e a música eletrônica pulsante abafava os gritos dos meus inimigos. Nada iria estragar o meu humor.

Pensei em comemorar com o Beard na locadora, mas ele também estava numa fase meio filosófica. “Cara, preciso te contar… Nada disso está acontecendo!” De novo esse papo louco. Ao menos o filme foi por conta da casa.

Dia 31 acabei mais um trabalho e estava à caminho da pizzaria quando vi um cachorro zumbi latindo. Seria um mau presságio?

Devia ser, pois não encontrei o Beard com minha pizza na faixa. “Peça logo, já vamos fechar”, ordenou um careca grosseiro. Depois disso nunca mais vi o Beard…

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Conexões

Junho até que começou bem. Dias 03 e 08 os serviços passaram voando. Estava feliz e bem envolvido com a garota que resgatei. Ela dividia o apartamento comigo e tudo mais. Queria comemorar no bar, mas fui barrado na entrada. Acontece.

Voltei para casa e descobri que um canalha com máscara de rato matou a minha… amiga. “Aí está você! Me perguntava quando ia voltar. Vamos acabar com isso” disse, logo antes de atirar no meu peito.

Então lá estava eu, olhando para o meu corpo baleado no chão enquanto o homem com máscara de galo se apoderava do sofá.

“Parece que agora somos só nós dois. A essa altura já deve ter percebido que isso não vai acabar bem. Logo você estará sozinho. Antes de darmos adeus, vou compartilhar um segredinho: o que você fizer daqui pra frente não servirá para nada. E a culpa é só sua. Hora de ir. Tem uma cama quentinha depois do corredor e você precisa descansar”.

Bam! Minha cabeça estoura e estou deitado em coma no hospital.

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Revelações

Já era 21 de julho quando finalmente despertei. Minha cabeça ainda estava rodando, mas consegui escapar pela janela.

Lar doce lar, agora uma cena de crime. Minha “amiga” foi trocada por marcas de giz no chão, mas ao menos não levaram minha jaqueta irada.

Como tinha ouvido um policial dizendo ao meu médico que o mané que atirou em mim estava preso, achei que seria uma boa fazer uma visitinha à delegacia.

Não foi difícil acabar com os policiais e encontrar o homem-rato. “Você tem que estar me zoando.” Ele tremeu. ”Como veio parar aqui? Olha, sinto muito pela sua garota, não era nada pessoal. Sei que lutou pra chegar aqui, mas não tenho respostas pra você”. Sem respostas e sem utilidade. Atirei.

“Talvez não sejamos tão diferentes…” ele gemia. “Você também recebe telefonemas estranhos? Queria poder ajudar, mas até a polícia sabe mais que eu. Aposto que eles têm um arquivo sobre o caso! Te pediria para salvar minha vida, mas..” Eu já não estava ouvindo, só admirando seu rosto ganhar um tom avermelhado enquanto o enforcava.

Peguei os arquivos da polícia e voltei pra casa. As investigações dos tiras rastrearam os caras que me mandavam mensagens para um clube comandado pela máfia russa. Tinha vários indícios de atividade ilegais por lá, mas não o suficiente para legitimar um mandado.

Ainda bem que não deixo um pedaço de papel comandar minha vida.

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Climax

Em 23 de julho invadi aquela espelunca e obriguei um capanga a me indicar quem mandava na operação. A pista era tão quente quanto o sangue do inimigo escorrendo entre meus dedos.

Eu finalmente ia acabar com aquele pesadelo. Não foi difícil chegar ao idiota cabeludo que dava as ordens. O cara era tão metido que tinha duas panteras como guarda-costas!

“Você deve ser um dos babacas matando os meus homens, e não parece ter vindo aqui para conversar. Então que tal acabarmos logo com isso?”

Esse era um convite que eu não iria recusar. Matei os felinos usando a única arma que pude encontrar, um troféu. Uma ninja com tapa-olho ainda tentou adiar minha vingança. Pior pra ela.

“Agora somos só você e eu.” Dava pra ver que o chefão estava curtindo o momento “Estou impressionado! Me pergunto o que te deu essa sede de sangue, nunca vi algo parecido… agora quero ver quem está por trás dessa máscara!” Não, isso eu ainda não podia fazer. Ele sacou dois fuzis. Eu saquei meus dois punhos.

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E teria vencido se ele não tivesse guardado a última bala para seu próprio crânio. Patético, mas eu ainda tinha mais uma coisa para fazer. No andar de cima o verdadeiro chefão da máfia estava me esperando em sua cadeira de rodas. Ivan Lebedev, vulgo “O Velho”.

“Ah, então foi você quem causou essa confusão toda. O que quer aqui? Pule os detalhes. Fiz tantas coisas horríveis, mas nada mais importa. Não vou a lugar algum, como pode ver. Vá em frente e faça o que veio fazer”.

Só precisei de um disparo para calar sua boca. Seu sangue pintou a parede atrás da cadeira e eu finalmente senti que podia tirar minha máscara.

Fui para a janela e, sem pressa alguma, saboreei um cigarro. No bolso da jaqueta peguei meu bem mais precioso, uma foto que me lembrava dos velhos tempos.

Foi uma longa jornada, não foi?

Uma última tragada e deixei a foto voar.

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Como o depoimento de Jacket não é a fonte mais confiável do mundo, explicamos os principais momentos da cronologia de Hotline Miami para você não ficar boiando:

17/03/85 – Evan Wright tira uma Polaroid dos soldados Jacket e Beard durante a Guerra do Havaí, confronto armado entre os EUA e a Rússia (pense nela como uma realidade alternativa da Guerra Fria). Provavelmente é a mesma foto vista no final do primeiro Hotline Miami.

30/10/85 – Em sua última missão na Guerra, Beard salva a vida de Jacket. O garoto escapa por pouco de uma usina prestes a explodir, mas Beard o tranquiliza: “Essa foi por conta da casa”. A frase parece ter marcado bastante o Jacket.

03/04/86 – As tensões aumentam e uma bomba nuclear explode em São Francisco, matando Beard. Logo, todas as suas aparições em Hotline Miami são apenas projeções da mente de Jacket. Como o sonho de Beard era ter sua própria loja, o amigo passou a imaginá-lo em vários estabelecimentos.

02/04/89 – Richter, futuro assassino com máscara de rato, aceita começar a trabalhar para a 50 Bençãos a fim de proteger a sua mãe doente.

03/04/89 – Jacket ganha sua máscara de galo. Como ela é chamada de Richards, os fãs teorizam que esse é o verdadeiro nome do protagonista, seguindo o modelo dos demais personagens da série.

23/07/89 – Jacket é preso depois de matar o chefe da máfia russa. Seu herdeiro – apelidado de O Filho – assume os negócios e domina o submundo de Miami. Ele passa os próximos meses reestruturando o império do crime.

20/07/90 – Contrariando as expectativas de Jacket, Richter é mostrado ainda vivo e cumprindo pena. Ao ser visitado e ameaçado pelos faxineiros da 50 Bençãos, ele orquestra uma rebelião e foge da prisão.

XX/XX/91 – A história de Jacket inspira a produção do filme slasher Animal da Meia Noite, protagonizado pelo problemático ator Martin Brown.

31/10/91 – Corey, Tony, Mark, Alex e Davis criam seu próprio grupo de justiceiros mascarados. Conhecidos como Os Fãs, eles se inspiram no vigilante Jacket para fazer justiça pelas ruas.

05/11/91 – O julgamento de Jacket monopoliza a atenção da mídia. O veterano jornalista Evan Wright assiste tudo em busca de inspiração para seu livro sobre os assassinos de Miami.

20/12/91 – Os Fãs tentam invadir a fortaleza d’O Filho, mas são derrotados. O mafioso comemora se drogando mas, na onda, acaba caindo do telhado. Seu corpo é encontrado pelo detetive Manny Pardo, um assassino fútil e frustrado que só queria alcançar a fama de Jacket.

28/12/91 – Após o líder do 50 Bençãos matar os presidentes dos EUA e da Rússia, uma bomba nuclear explode em Miami, iniciando a Terceira Guerra Mundial e matando todos os personagens. Ou será que não?

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