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Thomas Lá, Dá Cá

Tudo – mas tudo mesmo! – sobre a (minha) E3 2016

A essa altura do campeonato você certamente já conferiu todos os games de seu interesse anunciados na E3 2016; viu e reviu as conferências e favoritou os trailers mais bacanas; leu análises sobre cada novidade; provavelmente até debateu com os amigos sobre qual foi a maior sensação da feira.

Se bobear fez tudo isso em tempo real, no conforto da sua casa, pegando a informação em tempo recorde. Com todas as redes sociais, ferramentas de streaming, banda larga, hashtags e postagens relâmpago a seu favor, são grandes as chances de você estar muito melhor informado do que eu, que estava lá batendo perna nos três dias de feira.

O que um jornalista velhaco, no alto de seus 30 e poucos anos, pode lhe apresentar de novo neste texto? Francamente, não muito.

Na primeira E3 de minha vida, caminhei mais kms do que somei nos mais puxados dias de academia, peguei mais filas que banco em dia de pagamento e penei voando de appointment para appointment a fim de aprender e testar tudo que fosse possível. Ainda assim, ficou faltando conferir bastante coisa.

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Então cá estamos nós! Todo o poder e conhecimento está em suas mãos. Após cerca de 23 horas de um longo voo e conexões de Los Angeles para o interior do Rio de Janeiro, e, finalmente, um longo e merecido sono, estou pronto para compartilhar minha aventura na terra dos games.

Cometi alguns erros de principiante bem vergonhosos, mas também conquistei coisas dignas de contar aos meus netos.

Entre equívocos, boas sacadas, dicas preciosas de amigos e momentos da mais pura sorte, creio que trouxe algumas boas histórias na bagagem. E, se você ainda não estiver saturado de ler matérias sobre E3, gostaria de compartilhar tudo que vivi com você.

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Um passo para afastar o ceticismo

 

Talvez o pior lado de conhecer a E3 com 30 anos de idade, já tendo viajado a trabalho para o exterior, escrito em grandes portais e conhecido boa parte dos jornalistas e assessores do Brasil e exterior, seja ter conhecido intimamente os piores vícios da indústria dos games.

Todo o jogo de interesses, puxadas de saco, pautas click-bait, artigos vendidos, sensacionalismo travestido de justiça social… há histórias sobre o que aconteceu, e são todas verdade. Infelizmente.

Eu estava (atenção ao tempo verbal) bastante cansado de tudo isso. De saco cheio mesmo. Peguei meu avião rumo ao aeroporto LAX ciente de que, possivelmente, estava partindo para meu último evento relacionado a videogames. Pretendia me “aposentar” em grande estilo, honrando a vontade do pequeno Thomas, que sonhava acordado com a E3 na infância.

Na minha cabeça, a E3 estava tão acabada e falida quanto essa versão do tema de Mario.

Mal sabia eu quantas surpresas, alegrias e emoções o evento reservava! Não tinha ideia do quanto eu poderia estar errado. Tinha lido tantos artigos sobre o declínio da E3 e sua perda de relevância, mas bastou avistar o Los Angeles Convention Center para ser tomado por um sentimento incrível de deslumbre, alegria e, por que não, magia?

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Sic Parvis Magna

 

Lembra que eu falei sobre erros bobos e amadores? Pois bem, o primeiro deles aconteceu ainda no Brasil, quando comprei minha passagem para os EUA. Sabe-se lá como, consegui esquecer que as conferências aconteciam um, dois ou até três dias antes da feira começar.

Só cheguei ao solo americano na segunda-feira de tarde, quatro ou cinco horas antes da conferência da Sony, a única que eu poderia assistir. Ênfase no poderia.

Infelizmente, graças a um equívoco da assessoria de imprensa nacional, meu nome não constava na lista de credenciados, a despeito de meu pedido com um mês de antecedência. O PR brasileiro alegou que um erro no sistema me impediu de receber o e-mail de confirmação, mas que bastava eu chegar lá às 17h e daria tudo certo.

Como você deve imaginar, não foi bem assim. Ninguém na Sony sabia encontrar o tal PR Gustavo, a mesa de auxílio não comprou minha narrativa e, assim, fui enviado para a fila de stand by. Em último lugar, a despeito de ter chegado antes do horário combinado.

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Era melhor ter passado meu tempo na linda loja oficial da Sony

Em ritmo de tartaruga, a fila de stand by era direcionada, um por um, para dentro do Shrine Auditorium. Ainda havia uma centena de pessoas na minha frente quando desisti e fui embora. Afinal, o relógio já marcava 18:30h, indicando que tinha perdido boa parte da conferência.

Entrei no metrô frustrado e bastante irritado, acompanhado apenas pelo cheiro de maconha misturada com urina que temperava o ambiente. Ah, e por um cosplayer bem caprichado do Link, o que acabou servindo como um lembrete de que eu deveria manter a cabeça fria, pois a E3 sequer tinha começado ainda, e que estava tudo bem tropeçar no meu primeiro passo.

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Devolvendo a alegria

 

O primeiro dia de E3 começou antes mesmo da abertura da feira. Meu primeiro appointment (aliás, você só consegue jogar as coisas sem maiores perrengues se marcar um appointment antes da viagem) foi com a Devolver Digital, convenientemente situada perto da estação Pico de metrô. Ou da Hooters, de acordo com o divertido mapa enviado no convite:

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Seu “estande” ao ar livre tinha uma vibe incrível, com fliperamas disponíveis e rodando os principais games da companhia, de Broforce a Enter the Gungeon. Todos queridinhos do meu coração.

Entre as novidades, gostei bastante de jogar Absolver (um game que mistura beat ‘em up com um profundo e extremamente técnico sistema de luta) e Shadow Warrior 2, que trouxe um banho de sangue de primeira. Certamente um dos melhores e mais divertidos games disponíveis em toda a feira.

Devido a problemas técnicos não foi possível fazer o teste marcado de Serious Sam em versão VR, mas tudo bem, pois nem isso apagou o brilho da incrível experiência que tive por lá.

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Enquanto me preparava para sair do seu “estande”, parei um pouco e observei, ao longe, a colossal estrutura do Los Angeles Convention Center, com todos os seus banners e anúncios dos grandes blockbusters AAA. Parado a meu lado, um dos funcionários da Devolver estava vestindo de cowboy. Porque sim. Porque ele podia. Porque ele estava muito badass e legal enquanto segurava sua cerveja. Não aguentei e perguntei:

“Cara, por que tudo aqui dentro é tão legal, e todos aqueles blockbusters lá dentro parecem tão sem alma?” — “Porque a gente não aceita merda de ninguém”.

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De algum modo, aquele cowboy sem nome conseguiu resumir tudo que eu pensava.

Expectativa: Zelda. Realidade: Sonic Boom 2

 

Cheguei de meu appointment com a Devolver pouco antes do início oficial da E3, que ocorreria ao meio dia. Encontrei amigos dos portais GameBlast, Hyrule Legends e Sharkinando, e ficamos sentados juntos na entrada do West Hall aguardando a abertura dos portões e assistindo a transmissão ao vivo da Nintendo, que revelava seu The Legenda of Zelda: Breath of the Wild ao mundo.

O som do telão estava um pouco ruim, mas nem isso conseguiu me impediu de ficar arrepiado ao ver as primeiras imagens do game. De novo, mal sabia eu que o melhor ainda estava por vir.

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Pouco a pouco a fila foi crescendo consideravelmente, até chegar ao ponto de se transformar em um mar de gente. Mar este que se transformou em um verdadeiro tsunami assim que a entrada foi liberada, pontualmente ao meio dia.

Neste instante todos saíram correndo como se não houvesse amanhã. Eu achava que isso era uma tradição e prática padrão, mas depois fiquei sabendo que essa correria não acontecia desde 2006, justamente quando a Nintendo revelou o seu Wii ao mundo. Bom trabalho, Big N!

Quando cheguei no estande, a fila já virava a esquina. De acordo com uma funcionária, a espera para jogar levaria cerca de duas horas. Ouch!

Resignado, direcionei minha atenção para o belo estande da Atlus. a vizinha mais próxima da Nintendo. O legal é que, de lá. dava pra assistir o pessoal transmitindo o Nintendo Treehouse ao vivo. Não só isso, mas também deu pra tirar essa foto:

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Pode parecer bobeira para você, mas ela teve um valor simbólico muito forte para mim, que cresci adorando essas duas companhias.

Foi da fila da Atlus que avistei Shigeru Miyamoto pela primeira vez, enquanto o mestre apresentava o novo Zelda para o mundo. Enquanto assistia sua apresentação, recebia minha primeira Swag Bag, uma sacola gigante com os personagens de Persona 5, que ainda não estava disponível para teste.

Eu já contei que a única coisa melhor que ganhar uma swag bag é falar swag bag? Tente aí!

O estande da Atlus estava bastante requisitado nos três dias da feira. Talvez porque quem se aventurasse a testar quatro jogos diferentes ganharia carimbos e, com isso, uma toquinha da Morgana, a qual vesti sem vergonha de ser feliz.

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Eu nunca tinha jogado coisa alguma da Hatsune Miku anteriormente, mas devo admitir que gostei bastante do que vi no PlayStation 4 e fiquei com vontade de comprar algum título da série (aceito dicas nos comentários!). Sua jogabilidade ritmica me lembrou um pouco Elite Beat Agents, o único jogo nessa linha que fez minha cabeça.

Também testei The King of Fighters XIV e tomei uma coça daquelas. Meu Billy fez um esforço valente e derrubou dois inimigos, mas acabei tropeçando feio com Terry e Joe. Se pelo menos a minha velha amiga Blue Mary estivesse disponível no elenco, quem sabe a gente teria um resultado diferente?

Por fim, vale apontar a certa ironia que existe no fato de Sonic Boom Fire & Ice ter sido o primeiro game que joguei dentro da E3 em minha vida. Sempre fui um baita fã do velocista azulado, e fiquei bem triste pela péssima recepção do primeiro Boom. Sua sequência, agora exclusiva do 3Ds, pode até não ser grande coisa, mas mesmo assim conseguiu aquecer um pouco meu coração de gelo. Até porque desenharam esse carinha no meu cartão e eu achei isso incrível. Então, por favor, ache incrível também:

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Quando dei por mim, já tinha passado pouco mais de duas horas em pé. Um pouco de fila aqui, mais um tanto de fila ali e pronto, percebi que estava concluído meu ritual de iniciação para a E3. Tudo aquilo que falam sobre passar um bom tempo em pé em filas para testar jogos é verdade. Ou quase…

Descanso e recompensa

 

Bem próximo ao estande da Atlus estava outra companhia que muito estimo, a Xseed. Além de ser fã de Harvest Moon (agora Story of Seasons) desde o Super Nintendo, acho que quase todos os jogos deles transbordam capricho. Ora, Little King’s Story ainda mora bem aqui, no lado esquerdo do peito!

Fiquei triste ao ver que seu estande era, talvez, o menos requisitado do pavilhão. Injusto, pois seus funcionários foram muito simpáticos e me ajudaram a testar Trio of Towns, o novo capítulo de Story of Seasons, que estava disponível para teste ainda com textos em japonês. um obstáculo, claro, mas nada que me impedisse de experimentar as mecânicas de plantação, além de encontrar esse fofo uniforme dentro de casa:

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Antes de finalmente dar um pulinho no South Hall, decidi descansar um pouco as pernas. Então lembrei da transmissão da Treehouse que assisti ao longe na Atlus e voltei para terras nintendísticas. Apenas no primeiro dia de feira eles liberaram os sofãs para o público e imprensa assistirem tudo de perto, então aproveitei para relaxar um pouco enquanto seu time mostrava o gameplay de Zelda.

Para minha surpresa, Kit e Krista, os apresentadores do divertido programa Nintendo Minute, estavam sentados exatamente à minha frente, então não pensei duas vezes antes de abordá-los para elogiar o seu show e pedir uma fotinho para guardar de recordação:

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Logo na sequência notei que o Eric (aquele mesmo que fez os níveis de Super Mario Maker no Nintendo World Championship de 2015) estava terminando sua transmissão, então tirei uma rápida selfie com ele e aproveitei para elogiar suas fases, claro.

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Pouco antes da transmissão seguinte começar, ninguém menos de Bill Trinnen, o cabeça da Treehouse, estava passeando pelo estande. Chamei seu nome e, quando ele concordou em falar comigo, habilmente — mas espero que não grosseiramente — pulei o cordão que separava os bancos da área restrita aos funcionários.

Fiquei um tanto emocionado por falar com essa pessoa tão incrível que eu desejava conhecer há um tempão. Bill foi mais do que simpático, adorou saber que tanta gente no Brasil ainda gostava da Nintendo e tirou minha foto favorita da feira inteira:

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E agora para algo completamente diferente…

 

A essa altura eu já estava bastante convencido de que tinha esgotado minha cota de sorte e fanboyismo, então peguei minhas coisas e decidi explorar um pouco o South Hall, onde ficavam a maior parte das grandes empresas third party, como Capcom, Square Enix e 2K.

Embora fosse tão movimentado e repleto de gente quanto o West Hall em seus principais estandes, ao menos este pavilhão tinha boas áreas de descanso e tranquilidade. Minha favorita ficava bem no fundo, onde uma ótima banda chamada Super Soul Bros. tocava covers de músicas famosas dos games com bastante perícia. Olha aí os caras tocando o Aquatic Ambience de Donkey Kong Country:

Como a Ubisoft estava lotada com uma multidão e filas um tanto intimidantes, preferi voltar minhas atenções para a Bethesda, o lar de The Elder Scrolls, outra de minhas séries favoritas. Seu estande era gigante e muito bonito, dedicando atenção igual a cada uma de suas lendárias propriedades intelectuais.

Seja você fã de Doom, The Elder Scrolls ou Fallout, havia um pouco de tudo tanto para jogar como para tirar fotinhos e tirar onda.

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Meu favorito foi essa estátua do Dovahkiin, mas provavelmente o Dragonborn ficaria envergonhado se visse o meu desempenho no card game de The Elder Scrolls Online. Nunca fui muito bom nesse tipo de coisa, acho as regras complicadas e tudo mais, mas até que gostei dos gráficos e interface que vi no teste.

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Ou talvez eu tenha apenas ficado deslumbrado pelas belas cartas colecionáveis que todos os visitantes do estande ganhavam ao entrar lá. Vai saber? De todo modo, logo tive que visitar o segundo andar do South Hall, onde várias empresas reservaram espaços para expor suas novidades a pequenos grupos. A Bandai Namco, por exemplo, preparou estações rodando todos os seus lançamentos anunciados, desde God Eater 2 Rage Burst até o roguelike Necropolis.

Certamente seus dois carro-chefe eram Dragon Ball XenoVerse 2 e Tekkén 7, que traz várias novidades ao sistema de combate e sua primeira lutadora brasileira. Foi legal entrar em uma das meeting rooms e jogar ao lado de jornalistas e VIPs, então desejei ter marcado ainda mais appointments nessa linha. Lição aprendida, fica para o ano que vem.

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Na falta de fotos da Bandai Namco, eis um lindo kit de LEGO no estande da WB sem qualquer motivo aparente.

It’s in the sandwhich!

Com a feira já se aproximando do fim, e meu estômago já rocando após um dia inteiro batendo perna sem comer nadinha, ainda dentro da Meeting Room da Bandai Namco recebi uma dica da querida amiga Monique, do ótimo Resident Evil Database: parece que os visitantes da EA Play estavam sendo agraciados não apenas com Swag Bags (palavra linda), mas também com comes e bebes!

Então fechei meu expediente de E3 pelo dia e andei pela rua até chegar ao espaço da EA, que alugou um prédio a uns 10 minutos de caminhada do Convention Center.

Quem tinha se credenciado com a EA podia entrar diretamente no seu espaço, mas quem, como eu, deu bobeira, precisava encarar uma fila de aproximadamente uma hora. Até que valeu a pena e a comida estava ótima!

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Os jogos? Ah, você sabe, aquela coisa de sempre. Madden 17 parecia um clone de Madden 16, enquanto FIFA mostoru bons sinais de progresso com a engine Frostbite e um novo modo história. Cada jogo tinha sua própria área temática para teste. Como as filas de Titanfall 2 e Battlefield 1 estavam meio grandes para os não credenciados, dei o dia por encerrado, feliz, bem alimentado e ansioso pelo amanhã.

“Acorde, Link!”

 

Depois de ver a correria e tumulto da abertura dos portões no dia 01 de E3, aprendi a lição e cheguei horas antes da abertura para o segundo dia. Com uma pequena ajuda de meus amigos, logo consegui migrar para a primeira posição da fila, estrategicamente logo em frente ao estande da Nintendo.

Quando as portas da feira foram abertas, todos correram o mais rápido possível, mas nem mesmo Bolt conseguiria pegar um dos primeiros lugares, tomados por expositores e outros VIPs. Tudo bem, achei ótimo pegar apenas quarenta minutos de fila, ao invés das horas e horas esperadas.

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Quem conseguia um lugar antes da fila fechar por super lotação recebia um ticket desses

Até porque, como a maioria está dizendo, Breath of the Wild é realmente o melhor game e experiência que alguém poderia ter na E3 2016. Apesar de toda a controvérsia ao anunciarem que Zelda seria o único game exposto esse ano, acho que basta assistir o vídeo abaixo para ficar convencido de que foi uma aposta acertadíssima:

O estande era praticamente um parque temático sobre o mundo de Link e seus amigos. Tinha de tudo, até um fofo caldeirão com ensopado:

A equipe bem treinada da Nintendo escoltava o jogador entre as duas estações de teste. Uma bem adiantada na aventura, com vários itens e possibilidades de exploração, outra mostrando o que devem ser os minutos iniciais do jogo. O mais legal é que cada um dos jornalistas e jogadores com quem conversei tiveram uma experiência diferente, mas todas ótimas.

Eu cheguei até a chorar com a beleza do game, um feito consideravelmente raro em minha vida gamer! Minha demo acabou com aqueles gostinho de quero mais, uma linda moeda de ouro e uma fantástica camisa azulada, que você verá nas fotos mais pra baixo.

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O estande da Nintendo também mostrava a nova linha de amiibo inspirados em Super Mario

Entre atalhos e appointments

 

Entre o South e o West Hall há um conveniente atalho. Repleto de food trucks, boa parte do pessoal aproveita sua conveniência para cortar caminho. Foi lá que encontrei Rocco Botte, do Mega 64:

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Certamente um bom sinal, que me empolgou para os appointments seguintes. A Natsume, casa dos Harvest-Moon-Que-Não-São-Tão-Harvest-Moon-Assim apostou na nostalgia e trouxe um novo River City Ransom, bem divertidinho e simples no 3DS; um Harvest Moon que tentava corrigir todos os erros de Lost Valley (e parecia ter um certo sucesso nisso); e até mesmo um jogo bem legal: o novo Wild Guns para PS4 acertou em cheio na nostalgia. Desenvolvido pela mesma equipe do título original, o game traz ação frenética em estilo arcade.

O appointment seguinte foi um pouco mais interessante, já que a Konami montou uma Meeting Room bem caprichada para mostrar seu novo PES. Na edição 2017 a Fox Engine (uma triste lembrança da saída de Kojima) mostra sinais de progresso com melhores gráficos e controles, além de um belo progresso na inteligência artificial. Mas quem roubou mesmo a cena foi o open bar e mesa cheia de salgadinhos e doces.

Vale destacar que a Konami leva o prêmio de melhor Swag Bag (<3) da E3, já que deu garrafinha, pen drive, camisa e até uma toalha.

Toalhas são sempre importantes e você nunca deve sair de casa sem uma!

Foi ótimo bater uma pelada e botar o papo em dia com Theo Azevedo e Felipe Vinha, da UOL Jogos e TechTudo, respectivamente. Jogos de futebol realmente são ótimos para cooperativo e competitivo local, algo que pouca gente lembra nesses tempos de internet.

Eu e Vinha até inventamos um pequeno jogo alternativo que consistia basicamente em “vence quem tiver mais jogadores expulsos”, o que nos fez rir horrores. E fez a equipe inteira da Konami nos olhar estranho, o que foi uma boa deixa para tomar nosso rumo.

Logo ao lado da Meeting Room da Konami estava a sala da CD Projekt Red. Como nenhum de nós tinha um appointment marcado, buscamos socorro com o PR brasileiro Silvio, que nos ajudou a entrar e jogar uma partidinha de Gwent (físico! de verdade!) com uma cosplayer caprichada. Vencemos por um “Triss”.

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O espaço existia para expor o promissor jogo Gwent, cardgame derivado do sucesso The Witcher 3. Diferente de The Elder Scrolls, aqui eu conhecia as regras e consegui entender melhor o que me foi mostrado. Apesar de precisar dividir atenção com uma excelente cerveja polonesa cedida pelo pessoal da equipe.

Lá e de volta outra vez

 

Entre meus passeios pelo West Hall encontrei ninguém menos que Charles Martinet, a voz do Mario. Foi um momento de extrema alegria e realização pessoal. Afinal, o personagem teve um papel essencial em minha vida desde que me entendo por gente, protagonizando minha franquia favorita e me alegrando pelos últimos 27-28 anos. Charles me deu um retrato autografado e essa foto super feliz:

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Na sequência, apesar de nunca ter comprado um console da Microsoft (em parte por princípios, mas na maior parte por falta de apelo e interesse mesmo), resolvi bater ponto no estande do Xbox One.

Mesmo com a ausência de Swag Bags ( :( ), a maioria dos jogos testados presenteava o jogador com uma camiseta. Era uma razão boa o bastante para me fazer testar Killer Instinct e Recore, e até que me diverti um bocado com ambos!

O que mais me chamou atenção, no entanto. foi a falta de treinamento do pessoal do estande. Enquanto esperava na fila de Forza Horizon 3, vi um telão mostrando dragões gigantes e fiquei impressionado. Então perguntei para a menina uniformizada mais próxima “que jogo é esse?”, recebendo como resposta: “desculpe, não sei, senhor…”. Acabou que era Scalebound. Contei tudo para o Kamiya:

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Mentira, não contei, só o parabenizei por Okami e Bayonetta e agradeci por não ter sido bloqueado ainda.

Eu já estava bastante satisfeito com tudo que testei e todos que conheci no dia 02, mas a feira ainda reservava um último agrado. Bem quando eu me preparava para ir embora esbarrei com Kyle Bosman. Talvez o nome não signifique tanto para você (por favor, resolva isso clicando no vídeo abaixo)…

…mas, para mim, foi a oportunidade de bater papo com quem considero o melhor jornalista de games da atualidade. Um cara realmente inspirador e um verdadeiro role model:

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Das locadoras para a feira

 

Falando em gente talentosa e inspiradora, boa parte das razões que me levaram até a E3 vêm das minha memórias de infância, quando eu lia as principais revistas de videogame. Como sonhava em seguir carreira na área, acabei decorando os nomes dos jornalistas que eu mais gostava. Entre Trivellas e Miyazawas, Fabio Santana sempre teve um lugar cativo entre meus autores favoritos, então é uma honra enorme poder chamá-lo de amigo hoje em dia.

E foi exatamente nessa vibe que rolou meu appointment na Capcom, onde bati papo com o grande Fabão e pude absorver um pouco mais de sua sabedoria. No melhor clima de locadora dos anos 90, ele me apresentou o novo modo história de Street Fighter V — que finalmente parece pronto e merecedor do seu rico dinheirinho —, além de bater um contra bem divertido.

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Ciente de que Fabão era uma máquina, pedi para ele pegar leve com o pato que vos escreve. Quando sua vida estava por um triz, pedi para Fabão jogar tudo que podia, e foi bem empolgante ver a virada de sua Ibuki para cima do meu pobre Ryu.

O estande da Capcom ainda escondia outras preciosidades, como demos de Dead Rising 4, Monster Hunter Generations e meu favorito, Ace Attorney Spirit of Justice. Apesar do meu grupo não ter conseguido completar a caçada de Monster Hunter, ao menos tive melhor sorte nos julgamentos com Phoenix.

“E o Resident Evil 7 em VR, Thomas?” que bom que perguntou, pois aparentemente esse foi o segundo melhor game apresentado este ano. No entanto, suas filas colossais só perdiam em tamanho para Zelda e… bom,. menores de 18 anos talvez devam pular o próximo parágrafo.

Choque de realidade

 

VR, ou realidade virtual, foi o grande assunto do ano. Para onde quer que se olhasse era possível ver estandes com pessoas vestindo aqueles óculos gigantescos e mergulhando em novos mundos de possibilidades ilimitas. Inclusive no mundo pornográfico, claro.

Chega a ser engraçado notar que, nesses tempos em que tanto se prega o politicamente correto no mundo dos games, um estande de pornografia tenha sido um dos mais procurados e aclamados. Eu não cheguei a testá-lo (é verdade!!), mas toda vez que passei por lá a coisa toda estava super lotada.

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Então só me restou visitar essa lojinha incrível que estava fazendo uma super promoção “leve quaisquer quatro itens por apenas 20 dólares”. Assim, fui um menino comportado e, ao invés de pornografia, levei chaveirinhos do Mega Man para casa.

Meu único contato com os tais óculos aconteceu em outro estande bem discreto. Bastava esperar cinco minutos pare receber uma sessão de meditação guiada. Parece que funcionou e baixou meus BPM de 73 para 70. Então obrigado, acho.

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Minha falta de interesse pelo VR acabou me distanciando um pouco da Sony, que dedicou ao periférico a maior parte de seu espaço, preferindo apostar em demos técnicas a mostrar God of War 4 ao público. O tempo dirá se essa escolha foi acertada.

Eu, pelo menos, creio ter feito uma boa escolha quando ignorei Batman VR e fui ao estande da Gamespot assistir o Matpat falar sobre as principais novidades da feira. Ao fim do trabalho, o teorista dos games favorito de todo mundo atendeu cada um de seus fãs com atenção, provando ter uma humildade bem rara, daquelas que parecem faltar aos youtubers nacionais (sim, essa patada foi totalmente gratuita, mas nem por isso menos verdadeira).

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O bom, o mau e o mágico

 

Com a feira se aproximando de seu final, decidi voltar ao lugar onde tudo começou e assistir o encerramento da transmissão da Nintendo, apresentada pela sempre simpática Audrey:

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Nada mais justo, já que passei a maior parte do tempo (e desse texto) me apaixonando pelo universo incrível da Nintendo.

Seja pela “maravilhosidade” de seu estande, pela simpatia dos funcionários absurdamente bem treinados ou mesmo o carisma de seus figurões (acho que essa é uma boa hora para deixar essa foto aqui embaixo?), é certo que ninguém entende a E3 tão bem quanto a Nintendo.

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Nos últimos anos, muitas companhias, jogadores e portais passaram a encarar cada vez mais os videogames como um serviço, e não um brinquedo ou fonte de diversão. Com isso, seu lado de negócios acabou ficando muito mais evidente. Blockbusters AAA formulaicos e sem riscos, DLCs dentro do disco para aumentar os lucros, produtos lançados inacabados para não remarcar datas e irritar acionistas, tudo isso virou prática patrão e um triste retrato dos videogames modernos.

Na E3 esse caráter comercial pode ser ainda mais exacerbado dependendo de onde você está olhando. É uma verdadeira terra de contrastes. Em um mesmo espaço você esbarra com Watch_Dogs 2…

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…e com Tim Schafer, responsável por Day of the Tentacle, Full Throttle, Broken Age e tantos outros adventures lendários.

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Ainda assim, estar na E3 é estar em contato com a essência mais pura dos videogames. É (re)descobrir que, muito mais do que um produto, os jogos abrigam algumas das mentes mais inteligentes do planeta. Entre jornalistas e desenvolvedores, algumas das pessoas mais legais do mundo se juntam para celebrar sua paixão em comum, e não há nada que se compare com esse sentimento.

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Exceto, talvez, pegar um autógrafo do Shigeru Miyamoto. Mas esse é um assunto para a coluna Thomas Lá, Dá Cá desta sexta. Nos vemos lá!

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E na E3 do ano que vem!

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