Image default
Cinema Críticas

Três Anúncios Para Um Crime é CINEMÃO, em caps

Se fosse possível montar um outdoor virtual e estampar, em letras garrafais, “POR FAVOR, ASSISTA AO FILME TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME O QUANTO ANTES!“, eu não pouparia esforços para que o máximo possível de pessoas vissem esse conselho amigo. Na vida real, vou precisar me contentar com uma singela crítica de Três Anúncios Para Um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri), e torcer para persuadí-lo.


Veja também:


Escrito e dirigido por Martin McDonagh, o filme é…. bom, por onde começar? Eu tive a sorte de assistí-lo praticamente às cegas, apenas ciente de que seus atores estavam sendo muito premiados, e que ele despontava como um dos principais favoritos na temporada de premiações de 2018. Ainda assim, seu título extenso e peculiar estava mais perto de me despertar sono do que curiosidade.

É tão errado assim achar que um longa sobre três outdoors não seria a coisa mais pilhante do mundo? Curiosamente, sim, era bem, bem errado! Afinal, eles são apenas uma fachada para um amplo e interessante estudo tanto de personagens como da natureza humana, sempre pontuado com uma dose saudável de humor negro. Melhorou, hein?

Frances McDormand (uma atriz sempre excelente, mas aqui fazendo A performance de sua vida) vive uma mãe cuja vida foi devastada por um crime brutal, o assassinato e estupro não solucionados de sua filha. Irritada com a ineficácia da polícia local, ela decide investir em três anúncios em uma estrada fora de mão a fim de botar pressão tanto na sociedade como, especialmente, no xerife Bill Willoughby (Woody Harrelson, também perfeito).

No comando de uma delegacia problemática, e acometido por seus próprios problemas pessoais, Bill ainda precisa controlar os ânimos de Jason Dixon (Sam Rockwell, que está… magistral também. O elenco desse filme está tão fora de série que quase me faltam elogios!), um policial destemperado, violento e limitado intelectualmente, sempre enfiado em confusões pela cidade.

Embora os eventos se desenrolem majoritariamente em torno deste trio, ainda há uma boa quantidade de coadjuvantes os orbitando (como o solícito camarada boa praça interpretado por Peter Dinklage), todos com algo relevante a acrescentar para a trama, que tem um ritmo eletrizante, em grande parte graças à montanha russa de emoções que ela proporciona.

Dos menores aos maiores conflitos, o roteiro esperto de McDonagh surpreende constantemente e desafia as expectativas, enfiando lágrimas em locais inesperados, e risadas em pontos ainda mais improváveis, normalmente em momentos que tratam de temas e situações muito pesados, algo tão corajoso quanto bem sucedido.

Aliás, o maior feito de sua bela história é transitar entre o caricato e o discurso sério com rara e invejável fluidez, sem jamais quebrar a imersão do espectador ou as motivações dos personagens críveis e empáticos. É um filme digno de ser estudado e apreciado por anos a fio, e mesmo uma eventual derrota no Oscar não deveria, de forma alguma, privá-lo dessa experiência fantástica.

[rwp-review id=”0″]

Related posts

Conheça todos os vencedores do Globo de Ouro 2018

Thomas Schulze

Oscar 2018 | Conheça todos os vencedores da grande noite do cinema

Thomas Schulze

Os melhores e piores filmes do Oscar 2018

Thomas Schulze