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Thomas Lá, Dá Cá

Como Relatos Selvagens me fez apreciar o cinema estrangeiro

Cinema estrangeiro nunca foi muito a minha praia. Por crescer entre Tartarugas Ninjas, GI Joes, Cheetos e Coca-Cola, acabei criando uma grande identificação e simpatia com a cultura norte-americana. Foi questão de tempo, então, até o inglês virar minha segunda língua e eu ter como meta ganhar a vida consumindo e avaliando o melhor da cultura pop estadunidense.

Por quase 30 anos voltei toda minha atenção às grandes produções da terra do Tio Sam. Dos concorrentes ao Oscar até pequenas jóias independentes, cinema sempre foi a maior diversão para mim. Ainda assim, posso contar nos dedos a quantidade de filmes nacionais e estrangeiros que assisti. Não que me orgulhe disso. Pelo contrário!

Tinha certeza de que havia um mundo empolgante e criativo me esperando ao redor do mundo, e bastou assistir Relatos Selvagens, longa argentino indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015 (e lançado por aqui em DVD e Blu-Ray pela Warner) para confirmar que minhas suspeitas estavam corretas.

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Se você está cansado da fórmula manjada dos grandes blockbusters e quer espairecer um pouco curtindo um filme bem diferente daqueles produtos mais comerciais, a história escrita e dirigida por Damián Szifrón pode se revelar uma grata surpresa. Ou melhor, as histórias! Afinal, Relatos Selvagens nada mais é que uma série de contos independentes, conectados apenas pela temática da violência e selvageria humana em suas mais diversas formas.

Embora conte com a presença do astro Ricardo Darín em uma de suas tramas mais bacanas, há espaço para um grande (em talento e em quantidade de atores mesmo) elenco brilhar nas situações mais loucas, estapafúrdias e, peculiarmente, ainda assim críveis e rotineiras. Barbeiragens no trânsito, traições matrimoniais e até a burocracia governamental servem de estopim para despertar o animal que existe dentro de cada um de nós.

Com direito à uma ultraviolência capaz de dar inveja no Quentin Tarantino, mas também uma poesia visual refinada e tocante, não são poucas as imagens que ficarão grudadas na memória do espectador mesmo dias depois de ver o filme.

Ao se distanciar de tomadas e soluções óbvias, as quase duas horas de filme passam rápido e divertem bastante. Tanto os fãs de humor negro como aqueles capazes de rir de si mesmos e da desgraça rotineira descobrirão que Relatos Selvagens é muito eficiente na sua forma de fazer comédia.

Aliás, o filme é tão eficiente nela como em suas críticas sociais. Afinal, se a intolerância pode levar aos nossos extremos mais negros, por que não considerar que a moral do filme é, justamente, a promoção da compreensão?

Então não estranhe se, depois de ver o filme, passar a pensar duas vezes antes de xingar aquele barbeiro que cortou seu caminho no trânsito. Agora você sabe no que isso pode dar…

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