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Críticas Games

The Legend of Zelda Breath of the Wild reinventa e celebra a série

The Legend of Zelda é um franquia que, em mais de trinta anos, já fez muito pela indústria dos videogames e influenciou diretamente a maneira como os jogos são atualmente. Se perguntar a um fã da série sobre essas contribuições, você certamente ouvirá respostas bem variadas, mas com certos pontos em comum.

Alguns dirão que a franquia reinventou o gênero de aventura, que mudou os jogos de mundo aberto, que os fez derramar uma lágrima em side-quests de Majora’s Mask ou que mostrou como simples NPCs podem ser carismáticos. Outros falarão da invenção de mecânicas de jogabilidade, da transição perfeita para o mundo 3D, da trilha sonora emocionante ou sobre como nos ferramos ao julgar prematuramente Wind Waker pela aparência diferente.

Por fim, há quem só mencionará como a série nos faz sentir como Link em Ocarina of Time, ao nos fazer viajar no tempo e voltar a ser crianças sempre que pisamos no vasto campo de Hyrule como se fosse pela primeira vez.

Só que em uma época onde tudo isso já foi replicado inúmeras vezes por outros jogos e tudo parece estagnado, ainda dá para ser inovador? Será que ainda é possível que um jogo nos faça sorrir despreocupadamente em vez de nos importarmos só com a resolução da tela ou taxa de frames por segundo?

 

“It’s dangerous to go alone”

The Legend of Zelda: Breath of the Wild recebeu grande destaque desde seu primeiro teaser na E3 de 2014. Na época, acreditava-se que o game seria lançado no ano seguinte exclusivamente para o Wii U.

Quando o desenvolvimento se mostrou mais complexo, o título acabou sendo adiado diversas vezes e, logo, uma versão para Switch também foi anunciada. Era a maneira perfeita de incentivar a compra do novo console da Nintendo e de ter certeza que o jogo em si venderia mais unidades.

Como era de se esperar, a longa espera só aumentou o hype, o que já preocupava quem achava o que game não cumpriria suas promessas. Felizmente, esta parece ser uma daquelas raras ocasiões em que todas as expectativas se realizam e você acaba até se impressionando no fim.

 

“You must defeat Ganon”

Não iremos contar spoilers sobre a história para não estragar sua experiência ou surpresas com o game, mas podemos dizer que a tradição de games antigos da série se mantém neste novo título.

Como já deve ter visto em diversos dos trailers e teasers oficiais, ainda temos Link, Zelda e Ganon como os pilares principais da trama, o que traz um verdadeiro senso de familiaridade à história.

Ainda assim, dá para perceber o capricho da Nintendo ao redor de tudo. Os NPCs contarão pequenos detalhes sobre o que foi acontecendo nos últimos cem anos em que Link estava dormindo, o que torna a exploração de novas vilas bem interessante e interativa.

Falando nos NPCs, é uma boa ideia falar com todos os que encontrar, já que muitos deles oferecerão side-quests divertidas e podem levar a conclusões úteis para o nosso herói silencioso. O melhor de tudo é que você sempre será pago por realizar as missões, seja com rupees ou itens valiosos.

 

“Now go home. Regain your lost time!”

Voltar para Hyrule nunca deixa de ser uma aventura interessante em Legend of Zelda. Sempre a encontramos em um estado diferente, mas com certos aspectos que mostram os locais que já conhecemos ou que serão formados no futuro.

Em Breath of the Wild, essa sensação é realmente única. Se Link está acordando de um sono profundo e anda por Hyrule sem lembrar de nada, dá para dizer que nós olhamos para tudo com pura nostalgia e saudade.

Quem jogou Ocarina of Time certamente vai se emocionar ao olhar o famigerado Temple of Time em ruínas. Entrar no que sobrou deste lugar enquanto Zelda’s Lullaby toca em notas quebradas, é de tocar qualquer coração. O mesmo acontece com outros lugares conhecidos, alguns mais desenvolvidos e outros em decadência pelas ações de Ganon.

O bom é que tudo foi devidamente ampliado e ganhou vida de uma maneira bem diferente do que costumávamos ver antigamente. Não há simples cenários falsos ao fundo para dar a impressão de algo maior. Se você olhar montanhas à distância, pode simplesmente ir até lá, escalar e ver se há alguma surpresa te esperando.

Isso vale para o reino inteiro. Você pode explorar como quiser e quando quiser, não há restrições ou alguém te falando que você não deveria fazer algo. Se quiser, observe os animais selvagens, aprenda a cozinhar, suba em árvores para pegar maçãs e ovos de pássaros ou até use um machado para cortar qualquer árvore que achar no caminho.

Todo o cenário te dá opções para interação e isso até causa um sentimento estranho no início. Afinal, há quanto tempo não tínhamos ou não sentíamos tamanha liberdade em um jogo de Zelda ou mesmo em um RPG comum?

Isso é ainda mais importante em Legend of Zelda, uma franquia conhecida por tomar um rumo totalmente linear em seus jogos mais recentes. Como a Nintendo já havia mencionado, esta é realmente a volta do conceito do primeiro game da série, no qual você saía de uma caverna com quase nada nas mãos e podia explorar o mundo da forma que achasse melhor.

 

“Wash away this ancient land of Hyrule”

Falando nisso, não dá para deixar de mencionar as diversas comparações que foram feitas à Breath of the Wild com outros jogos. Sim, o jogo possui uma clara mistura de outros games de Legend of Zelda, mas é difícil ver aquelas similares com jogos de outras séries.

Mesmo tendo claramente se inspirado em mecânicas e na jogabilidade de games como The Elder Scrolls, Dark Souls e até Assassin’s Creed, nunca dá para sentir o clima desses jogos invadindo Breath of the Wild.

De forma engraçada, ele simplesmente passa a sensação de um verdadeiro Legend of Zelda em todos os aspectos. A diferença é a liberdade e reinvenção de seus antigos padrões. Essa é certamente uma ótima notícia para quem achava que o game poderia ter sua identidade perdida na busca de inovação.

Algo que muita gente sentirá falta são certas tradições da franquia que já não estão mais presentes. Não espere ter aquele velho menu com a música Fairy Fountain e seus dados salvos mostrando corações, itens e progresso geral. Também não há uma tela inicial emblemática como em Ocarina of Time ou Wind Waker.

Outro aspecto que se nota rapidamente é a falta de uma música onipresente e grandiosa enquanto se explora os diversos cantos de Hyrule. Não há nada como o antigo tema de Hyrule Field ou de Lost Woods, por exemplo. Você notará músicas bem mais minimalistas e que se encaixam perfeitamente com o ambiente ao redor e os sons dos animais.

Creio que muitas dessas mudanças foram feitas exatamente para dar foco à sua aventura e experiência com Breath of the Wild. Não há nada mais grandioso do que sua jornada e isso não é algo ruim, apenas diferente.

 

“It is born anew in a cycle with no end”

Claro que nem tudo é perfeito e alguns probleminhas menores devem ser mencionados. O mais óbvio são as quedas de frames que ocorrem raramente em momentos de batalhas intensas. Isso é algo que muitos já esperavam e acontece tanto no Wii U quanto no Switch (em menor escala).

Fora essas exceções, o game roda de maneira mais lisa que o esperado. Isso é algo um tanto impressionante considerando que praticamente não se vê telas de carregamento durante a exploração de Hyrule ou mesmo quando se entra nas casas das diversas vilas do reino.

Outro aspecto importante a se mencionar é a beleza geral do jogo, seja nos diversos cenários que encontramos, nos modelos dos personagens e inimigos ou mesmo nas cutscenes integradas perfeitamente com o game.

O problema é que nem tudo é tão bonito de perto, como é o caso das texturas de rochas e montanhas. Isso é bem compreensível considerando que o mundo está ali para ser explorado à vontade e sem loading, como mencionamos.

https://www.youtube.com/watch?v=fljQeYLacmc

Fora isso, é fácil de perceber o cuidado colocado em todos os pequenos aspectos, desde a grama e arbustos que se mexem perfeitamente com o vento ou quando você passa por elas, até as centenas de árvores e animais que dão vida ao lugar. A leve queda de performance acaba sendo um insignificante preço a se pagar por tamanha riqueza de detalhes.

 

“Open your eyes”

Mesmo depois de tantas horas perdida em Hyrule, ainda é difícil explicar o sentimento causado por Breath of the Wild. Talvez seja tão especial quanto aquele momento em 1998, quando percebemos o quão diferente Ocarina of Time era em comparação à A Link to the Past.

É a pura reinvenção de algo que estávamos tão acostumados que causa estranheza e maravilha ao mesmo tempo. Faz a gente sentir falta de certas coisas que não ligávamos mais e também nos faz agradecer por outras terem finalmente sido extintas.

Por mais que seja praticamente impossível de superar o que Ocarina fez naquela época, afinal eram outros tempos, Breath of the Wild leva os games de aventura, de mundo aberto e de RPGs para outro nível. Mais do que isso, é uma verdadeira celebração de todos os elementos e mecânicas que The Legend of Zelda criou ou inspirou em suas décadas de vida.

 

The Legend of Zelda: Breath of the Wild – Nota: 5/5

Produtora: Nintendo
Plataformas: Wii U e Switch
Plataforma utilizada na análise: Wii U

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