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Críticas Games

The Evil Within 2 traz o terror de sobrevivência de volta aos videogames

Dando continuidade ao excelente The Evil Within, lançado em 2014 marcando o retorno de Shinji Mikami, o “pai” de Resident Evil, aos jogos de terror de sobrevivência, The Evil Within 2 chegou ao PS4, Xbox One e PC na última sexta-feira 13, em outubro deste ano. O game leva o protagonista Sebastian Castellanos de volta ao STEM, um dispositivo capaz criar realidades virtuais baseadas no inconsciente coletivo dos sujeitos conectados ao maquinário.

Se no jogo anterior o problema foi causado por conta da consciência de um assassino psicopata utilizado como “núcleo” de Beacon, a realidade virtual no primeiro game da série, dessa vez a coisa é um pouco diferente — e muito mais relevante e impactante para Sebastian. Nem preciso avisar que o texto pode ter spoilers de The Evil Within e The Evil Within 2, né?

 

Uma questão de família

Ainda atormentado pelos pesadelos vividos em sua primeira incursão na STEM em The Evil Within, Sebastian Castellanos também é assombrado pelo fantasma da morte de sua filha, Lily. A menina, de apenas cinco aninhos, morreu carbonizada quando a residência dos Castellanos sofreu um terrível incêndio, antes mesmo dos eventos do primeiro jogo.


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A experiência na mente sombria e doentia de Ruvik, o vilão do primeiro game, parece ter trazido à tona sentimentos de culpa, remorso e impotência não apenas pela morte de Lily, mas também pelo desaparecimento de Myra, sua esposa e também detetive em Krimson City (somos informados ao longo de The Evil Within que Myra desapareceu enquanto investigava a Mobius, empresa por trás da tecnologia STEM). Tudo isso culmina no protagonista se entregando às bebidas e perdendo seu emprego como detetive de polícia em Krimson City.

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Eis, então, que uma figura do passado retorna à vida de Sebastian: Juli Kidman, sua ex-parceira, surge para informar que Lily está viva e correndo perigo. A menina, que na verdade não morreu no incêndio, foi sequestrada pela Mobius para ser usada como o novo núcleo da STEM e, recentemente, sua consciência desapareceu dentro do ambiente de realidade virtual.

Cabe a Sebastian a missão de enfrentar novamente os perigos da STEM, que agora foi aprimorada e simula a cidadezinha norte-americana de Union. O problema é que o desaparecimento de Lily, o núcleo que mantém o lugar funcionando corretamente, causou um estrago e tanto em Union, que agora está se despedaçando e sofrendo ataques de um novo vilão, que além de matar suas vítimas de maneiras cruéis captura esses momentos de dor em “fotografias” reais que prendem suas vítimas para sempre durante o momento de suas mortes.

 

Explorando Union City

Diferente do primeiro The Evil Within, que tinha cenários e trama bastante lineares, a continuação agora rola em cenários muito mais amplos e em um mundo semi-aberto, permitindo que o jogador ande por aí a esmo, o que não raramente faz com que o game “perca o ritmo”. Em várias ocasiões é possível quase esquecer da busca por Lily e passar algumas boas horas apenas explorando as ruas de Union enquanto desviamos dos Perdidos, os ex-moradores da cidade que sucumbiram ao mal dentro da STEM.

É claro que seguindo “em linha reta” até o final, dedicando-se exclusivamente à missão principal, você descobre logo todos os segredos por trás do desaparecimento da filha de Sebastian e passa por alguns momentos bastante tensos, mas o jogo só é realmente assustador quando você decide dar uma volta por Union para explorar a vizinhança. É aí que a coisa fica tensa de verdade, já que várias missões secundárias botam o jogador em situações assustadoras (pelo menos do ponto de vista de Sebastian) enfrentando adversários que parecem saídos de verdadeiros pesadelos.

Algo que parece estranho em um primeiro momento é que, ao migrar do formato linear do primeiro jogo para um mundo semi-aberto no segundo, The Evil Within 2 passa a incômoda sensação de não se decidir se é ou não um jogo que quer que o jogador explore ou simplesmente siga adiante. Em alguns momentos você é encorajado a visitar cada pedacinho de Union em busca de suprimentos, equipamentos, itens de cura ou sobreviventes; já no momento seguinte, o jogo te induz a seguir em “linha reta”, ou seja, a seguir o script sem se preocupar em dar aquela olhada mais atenta ao seu redor.

É claro que todo e qualquer jogo precisa de momentos assim para avançar bem na história enquanto dá aos jogadores um período para respirar, o problema com The Evil Within 2 é que esses momentos se diferem entre si de maneira quase brutal, com capítulos que podem te tomar umas três horas (ou até mais, dependendo do quanto você realmente quer explorar além das missões paralelas) e outros que você completa em pouco menos de uma horinha, sendo o maior diferencial entre eles o quanto de exploração o game quer que você realize.

 

No controle de Sebastian

Entrar na pele de Sebastian Castellanos não está tão diferente em The Evil Within 2 quanto no primeiro game. À exceção de queimar os corpos dos inimigos mortos com fósforos, no novo jogo você pode fazer tudo o que já fazia anteriormente — e ainda um pouco mais.

Além de andar por aí furtivamente, economizando a escarça munição e itens de cura, após juntar uma quantidade considerável do já tradicional gel verde é possível desbloquear e aprimorar algumas habilidades. Para isso, é preciso visitar o escritório de Sebastian — ou melhor, uma versão desse escritório criada pelo subconsciente do detetive — e, a partir dali, pegar um atalho para a “sala” da enfermeira Tatiana, um dos poucos aliados de Castellanos no primeiro jogo. Com a enfermeira é possível ainda usar as chaves encontradas dentro de estátuas escondidas em Union para abrir cofres (dando acesso a itens como munição, injeções de cura, pólvora etc) e conseguir algumas informações sobre o que diabos está acontecendo no jogo.

Ainda no escritório de Sebastian fica localizado um projetor de slides (no melhor estilo anos 80), onde é possível ver algumas fotos que Sebastian encontra ao longo do jogo. Além disso, é nessa sala, que funciona como um ambiente seguro como o hospital do primeiro game, que Castellanos guarda alguns colecionáveis encontrados ao longo da aventura, e ainda mantém um quadro com informações coletadas sobre algumas das pessoas presas na STEM, como os funcionários da Mobius.

Dentre as novidades desbloqueáveis no novo jogo, uma das mais úteis é a possibilidade de matar os Perdidos enquanto escondido, seja atrás de um caixote e encostado em uma parede. Tal habilidade, se bem utilizada, pode te ajudar a enfraquecer uma horda de Perdidos um a um, chamando a atenção deles individualmente e finalizando o grupo aos poucos.

O problema de abusar demais da furtividade — e sim, esse é um risco que você vai correr porque o jogo te induz a ser furtivo sempre que possível — é que logo você se vê sem espaço para carregar mais munição ou siringas, o que passa a falsa impressão de força e independência. Afinal, como disse lá atrás, basta uma horda e um tiro errado para a situação se reverter e Sebastian ser reduzido a uma poça de sangue. Então a dica é aprender a equilibrar ataques diretos e abertos e investidas furtivas.

Não é preciso temer a falta de munição, mesmo que ela seja escassa, visto que um dos motivos de você catar tanta tralha pelos cantos de Union é justamente para criar balas e arpões para o seu arsenal. O melhor momento para criar essas belezinhas é quando alcançado alguma base ou ponto de checagem seguros, onde normalmente há uma bancadinha de criação. Ali, além de criar sua munição, você pode ainda aprimorar suas armas, aumentando o dano, o tempo de recarga ou a cadência de tiros, por exemplo.

Se a situação apertar e você se vir sem munição, desde que você tenha os materiais necessários para produzir as balas desejadas, não há nada a temer. The Evil Within permite que você crie munição a qualquer momento, mesmo sem as bancadas, mas o custo para tal é o dobro do normal. Ou seja, só vale a pena criar balas pra sua pistola, por exemplo, se a situação realmente estiver crítica!

 

Visualmente novo

Embora o primeiro The Evil Within tenha sido lançado para diversos consoles e de diferentes gerações, o produto final lançado nas lojas é bonito e bem finalizado. O visual, embora sofresse com algumas texturas de qualidade mais baixa ou movimentação ou pouco mais travada que jogos lançados exclusivamente para a atual geração, era bem polido e, aproveitando-se de efeitos de iluminação e cenários fechados, ajudava a criar uma sensação de insegurança e perigo.

Já em The Evil Within 2, um dos pontos mais fracos e de maneira mais aparente, é justamente o quesito visual. O game não apenas sofre com problemas de textura em baixa resolução, mas também com algumas (embora raras) quedas bruscas de frames, movimentação travada dos personagens principalmente durante cenas de diálogos, expressões faciais que deixa a desejar e muitos, mas muitos mesmo, elementos que simplesmente brotam no cenário na sua frente. Tudo isso só é muito mais notável graças ao aspecto mais aberto, claro e iluminado das ruas e locações de Union, deixando esses problemas muito mais aparentes.

Por outro lado, cada segmento dos assombrosos pesadelos pelos quais Sebastian precisa passar em sua busca por Lily é digno de um momento de apreciação. Sejam corredores cheios de quadros sangrentos ou verdadeiras exposições de corpos mutilados e petrificados, o horror se junta ao magnífico em cenários que impressionam tanto pela criatividade quanto pela brutalidade. E isso, amigos, faz todos os outros problemas se tornarem ínfimos.

 

Um jogo e tanto

Entre os erros e acertos, The Evil Within 2 com certeza é um dos melhores jogos atuais do gênero terror de sobrevivência. Mesmo com problemas de narrativa, ritmo e visuais, a jogabilidade e a criatividade (e, por que não, a brutalidade crua e, ao mesmo tempo, por que não, bela) compensam e se sobressaem.

Extremamente aguardado desde o final do primeiro game, The Evil Within 2 entrega uma aventura confusa na medida certa, com monstros tão horripilantes quanto os piores pesadelos que você já teve e, embora não seja exatamente uma obra-prima do terror, é capaz de te dar belos sustos enquanto explora cada esquina de Union em busca da pequena Lily.

Seja você um fã dos gêneros stealth e survival horror ou não, The Evil Within é altamente recomendado por ser ainda um game insano, brutal e criativo na medida certa.

 

The Evil Within 2 – Nota: 4,5/5

Produtora: Bethesda
Plataformas: Xbox One, PlayStation 4 e PC
Plataforma utilizada na análise: Xbox One
Produto cedido para análise: Sim

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