Image default
Cinema e TV Críticas

Sete dias, risos e emoções sem fim

“Essa família é muito unida e também muito ouriçada. Brigam por qualquer razão mas acabam pedindo perdão…”

A famosa música de Dudu Nobre pode até não fazer parte da interessante trilha sonora que tempera a dramédia Sete Dias Sem Fim, mas cairia como uma luva na saga da família Altman.

Afinal, não tinha como esperar algo diferente ao juntar, sob um mesmo teto, uma mãe bem liberal e seus quatro filhos de temperamento, caráter e valores extremamente diferentes e conflitantes.

Como ser feliz numa família que tem Kylo Ren?

Se jantar com os parentes no feriado já é uma receita para discussões mil, imagina então botar a família inteira para morar junta por uma semana! Pois é isso que acontece quando o patriarca do clã bate as botas.

Como boa família judaica, os Altman sobreviventes se unem para obedecer o último pedido do pai e celebrar a cerimônia do Shivah ao longo dos tais sete dias sem fim que dão nome ao longa.

Nosso elo principal com os Altman é Judd (Jason Bateman, sempre ótimo no papel de homem-médio-gente-como-a-gente), um dos mais azarados da família. Numa tacada só, o cara perde a namorada – que estava o traindo há um ano com seu chefe -, o emprego e o pai.

A reunião com a família desfuncional, então, acaba ganhando ares de terapia para Judd. Os irmãos Wendy (Tina Fey), Paul (Corey Stoll) e Philip (Adam Driver), cada um a seu modo, acabam ensinando uma lição a Judd – e ao expectador, que certamente irá se identificar com boa parte das situações expostas.

Há certa beleza e poesia na melancolia do dia-a-dia, algo que o roteiro sabe aproveitar com maestria.

Afinal, o longa é muito mais que uma mera adaptação do ótimo romance de Jonathan Tropper, já que o próprio autor roteirizou o filme, garantindo que todo o humor e sensibilidade da obra original (This Is Where I Leave You) fossem transportados para a telona.

filme2-1024x577

O diretor Shawn Levy (da série Uma Noite no Museu e do ótimo Gigantes de Aço) foge de sua zona de conforto, mas até que se sai bem, jamais deixando que o filme fique tedioso enquanto intercala drama e humor com uma naturalidade admirável.

Assim, quem busca se divertir com uma boa comédia termina o filme tão bem servido quanto aqueles que buscam uma história mais densa, com boas lições e aprendizados. Só não estranhe se as lágrimas de riso se misturarem com as de emoção. A vida é assim mesmo.

Related posts

Banque o diretor de terror em Until Dawn

Thomas Schulze

O maravilhoso mundo de Wonder Boy: The Dragon’s Trap

Thomas Schulze

Santa velocidade, Batman! Veja as muitas faces do Batmóvel

Thomas Schulze