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Os anos 80 estão de volta na segunda temporada de Stranger Things

Tenho um pequeno problema com as segundas temporadas das séries originais da Netflix que acompanho. Minha expectativa costuma ir lá  pra cima antes do lançamento por conta dos trailers e do marketing normalmente agressivo, mas o conteúdo entregue quase sempre me agrada menos do que eu gostaria. Foi assim com Demolidor, Sense8 e Fuller House. Felizmente, com Stranger Things as coisas caminharam para um lado diferente e você não vai se arrepender de saber o por quê.


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A temporada começa morna, é verdade. Para apresentar os novos personagens, relembrar os antigos e criar novas nuances para que a trama se fortaleça, a série quase esquece de tudo o que ficou em aberto na temporada anterior, com um retorno pacato à vida na cidade de Hawkins, o lugar onde nada acontece. É claro que não demora para sermos apresentados a novos mistérios, novos problemas e, é claro, uma enxurrada de referências. Nos primeiros momentos, algumas das dúvidas antigas começam a ser esclarecidas, mesmo que não totalmente.

É nesse momento que o roteiro ganha brilhantismo e nos prende daquele jeito que só quem assistiu a primeira temporada da série vai entender. Tudo parece estar meio entrelaçado ao mesmo tempo que nada parece se conectar diretamente.Com Will Byers (Noah Schnapp) tentando voltar a viver em sociedade com a ajuda de seus amigos, Joyce Byers (Winona Ryder) protegendo seu filho a todo custo e tentando se reerguer com um novo namorado, Nancy Wheeler (Natalia Dyer) ainda culpada pela morte de Barb e o Delegado Jim Hopper (David Harbour) escondendo segredos de todo mundo, a série nos apresenta um novo vilão, diferente do Demogorgon e aparentemente muito mais perigoso, já que a ameaça não parece estar somente dentro do Mundo Invertido.

A série trabalha para passarmos a temer essa nova ameaça sem termos muitos detalhes sobre ela. Não sabemos direito como é sua forma, como ele pode atacar ou  o que ele quer dos seres humanos. Sim, no melhor estilo Lovecraftiano, para a alegria dos fãs do Chamado de Cthulhu. Melhor não falar muito mais sobre isso para não estragar a surpresa.

Como grandes novidades, somos apresentados a Max (Sadie Sink), uma jovem aluna nova da escola que consegue ser melhor que Dustin (Gaten Matarazzo), Mike (Finn Wolfhard) e Lucas (Caleb McLaughlin) no fliperama e chama a atenção dos garotos. Além dela, temos também Billy (Dacre Montgomery), seu suposto irmão mais velho rebelde, que entra para o núcleo mais adolescente da série e cria certa rivalidade com Steve (Joe Keery), e Bob (Sean Astin), o novo namorado de Joyce, que está tentando de tudo para conquistar os seus filhos e fazer parte de sua família.

Winona Ryder mais uma vez rouba a cena com sua incrível atuação e com o brilhante papel de mãe super-protetora e sempre preocupada com o filho depois do incidente com o Mundo Invertido. Talvez seja um spoiler, mas Millie Bobby Brown, na pele de Eleven, que obviamente não morreu na temporada anterior, nos dá cenas e diálogos excelentes, mesmo falando tão pouco, agora contracenando muito mais com David Harbour e tentando entender suas origens. Noah Schnapp como Will também merece um destaque, visto que ele apareceu tão pouco antes e agora teve mais destaque (muito merecido, por sinal).

A trilha sonora é tão ou até mais divertida quanto a da temporada anterior, com aquela vibe oitentista misturando sons sintetizados meio eletrônicos nas cenas mais tensas com músicas do bom e velho Rock’n’Roll dos anos 1980 nas cenas mais calmas e divertidas. Os produtores têm um estranho gosto em colocar rock para tocar em todas as cenas com carros, o que acaba sendo um recurso bastante interessante para dar fôlego ao que vem em seguida.

Aquela mistura de série adolescente cheia de piadinhas com um suspense quase no nível do terror continua com força nessa temporada, o que se torna bastante necessário. Agora a trama é muito mais complexa, abrange muito mais personagens e o desenvolvimento dos que já conhecemos está relacionado com tudo isso. Aliás, talvez esse seja o ponto mais alto de toda série, pois todos os personagens mantém sua essência e possuem crescimento na história.

É claro que nem tudo é perfeito e, depois de alguns episódios, algumas coisas começam a ficar um pouco previsíveis e os Irmãos Duff mantiveram o fato de não haver grandes reviravoltas. Joyce continua com sua incrível habilidade de resolver enigmas, agora com a ajuda de Bob, o que é um tanto forçado, mas acaba fazendo sentido. Mesmo assim, a série surpreende e ainda nos deixa, mais uma vez, com aquela vontade de um pouco mais, só mais um episódio… Pelo menos, para quem gostar, a Netflix preparou um especial cheio de spoilers com entrevistas e bastidores que pode ser assistido ao terminar a temporada.

No geral, a segunda temporada de Stranger Things é sensacional. Briga de igual para igual com a primeira no quesito qualidade, roteiro e originalidade. Tem alguns poucos momentos cansativos e previsíveis, mas é divertida e ainda nos enche de referências a séries, jogos e filmes dos anos 1980. Você precisa assistir!

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