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DuckTales traz o Woo-hoo de volta em excelente animação da Disney

Quem me conhece sabe que eu não sou uma das pessoas mais otimistas do mundo, e que recebo a maioria dos anúncios de projetos com um grau pouco saudável de ceticismo. A situação piora bastante quando se trata de uma nova versão de algo que marcou minha infância e já se perdeu, com muito carinho e saudade, no tempo. Não pela ótica idiota de que meu passado está sendo destruído por mega corporações, dado que nenhum novo produto tem o poder de estragar algo que já provou seu valor, mas sim porque costumo achar uma enorme perda de tempo apelar para a nostalgia e tentar resgatar a magia de algo que já ficou para trás.

Que bom, então, que o novo DuckTales da Disney já chegou esmurrando a minha cara, e provou que eu não poderia estar mais errado ao desconfiar dele. E nossa, como é BOM estar errado!

É até difícil escolher por onde começar os elogios à estreia da série, que largou com um episódio duplo adequadamente batizado como “Woo-oo!”. De fato, a cada aparição de personagem querido, piadinha ou referência à animação clássica, eu me pegava comemorando mentalmente, com um grande sorriso no rosto.

A maior razão disso é que, diferente do preguiçoso Star Wars: O Despertar da Força, aqui a Disney não se limitou a “refilmar” uma estrutura que ela já tinha certeza de sucesso. Não, o novo Ducktales é uma animação que corre riscos, que não teme mexer no cânone nem modernizar seus personagens e convenções mais datadas.

Veja a Patricinha e Madame Patilda, por exemplo. Seria muito fácil errar a mão com elas e, em tempos de movimentos sociais fervilhando por aí, reduzir a nova Patricinha a um monte de “pandering” para os militantes da internet, e Madame Patilda a um ácido comentário sobre abuso de poder do patriarca Patinhas. Ao invés disso, ganhamos duas personagens super divertidas, espertas e engraçadas, perfeitamente integradas aos amigos ao seu redor. Proativas, intensas, mas jamais gratuitas e injustificadas em suas ações. Há até uma revelação surpreendente ao fim do episódio que pode trazer ainda mais personagens femininas fortes ao elenco!

Isso é legal porque é através desse caminho, o da moderação e de grandes roteiros que sabem tratar igualmente todos os seus personagens, que as crianças podem se divertir com um desenho ao mesmo tempo em que encontram modelos legais de comportamentos e valores para levar na vida adulta.

Falando em adultos, por mais adoráveis e hilários que Huguinho, Zezinho e Luizinho estejam no desenho, é David Tennant quem rouba o show com sua excelente dublagem do carismático Tio Patinhas, o ricaço mais rabugento e amável do mundo. O eterno Doctor Who parece estar se divertindo horrores no papel e, como os demais integrantes do elenco de dublagem, entrega suas falas com muita vida e energia, o que dá aquela sensação legal de seguir uma aventura empolgante comendo cheetos e tomando coca-cola no sofá depois de chegar da escola.

E que bela aventura nossos heróis enfrentaram na estreia da série! Logo de cara a trupe já se meteu a mergulhar nas profundezas do oceano em busca da lendária cidade perdida de Atlântida onde, claro, se esconde um valioso tesouro. Um vilão bem conhecido também está de olho nele e, a seu lado, um desavisado e azarado Tio Donald se vê obrigado a trabalhar como agente duplo para proteger seus sobrinhos, o que garante muitas risadas e excelentes cenários de comédia.

Tanto as cenas mais paradas como os momentos de ação e comédia são muito bem animadas. No começo eu admito ter ficado meio dividido com o traço, que parecia um pouco simplório demais nos trailers, ainda que as cores remetessem aos quadrinhos clássicos. Em movimento, no entanto, tudo flui de forma muito boa, com aquele bom e velho padrão Disney de qualidade.

Em pouco menos de uma hora, o episódio duplo de estreia consegue contextualizar perfeitamente as motivações de seus personagens, faz com que o espectador se importe e torça pela “nova família” do Tio Patinhas, e deixa crianças de todas as idades (inclusive este velhaco de 31 anos que vos escreve) ansiosas para ver onde a trupe vai se aventurar na semana que vem.

Não tem como pedir mais de uma estreia. Ou melhor, até tem! Ei, Disney, será que dá pra abertura nacional trazer a mesma letra da clássica abertura nacional?

Obrigadão, valeu!

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