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Críticas Games

Call of Duty WW 2 é exatamente o que os fãs queriam

Call Of Duty WW 2 é o novo capítulo da clássica série de FPS da Activision. Disponível para PC, PlayStation 4 e Xbox One, o jogo é uma espécie de retorno às origens da franquia, novamente focado na Segunda Guerra Mundial. Confira abaixo o nosso review completo em forma de texto ou, se preferir, clique no vídeo abaixo para assistir à nossa análise:

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É 6 de junho de 1944. Na costa da Normandia, a maior operação militar da história tem início quando as tropas Aliadas desembarcam a fim de liberar a Europa dos nazistas. Mais de 150 mil homens em 14.000 barcos enfrentam artilharia pesada a fim de assegurar uma cabeça-de-praia no litoral francês. Após muito sangue derramado, eles obtêm a vitória e começam a marcha que, meses depois, leva à rendição alemã.

Soa familiar? Pois deveria, dado que toda essa história já foi explorada à exaustão na ficção, tanto em videogames como em filmes como O Resgate do Soldado Ryan, possivelmente o maior responsável por levar esse evento histórico ao grande público. A partir do começo dos anos 2000, tivemos literalmente dezenas de jogos dedicados a narrar a Segunda Guerra Mundial sob praticamente todos os ângulos imagináveis. Franquias como Medal of Honor, Battlefield e, claro, Call of Duty, ganharam fama às custas de explorar o conflito até o ponto da saturação completa.

Missão dada…

Chega a ser irônico que o próprio Call of Duty tente tornar o tema instigante mais uma vez. Afinal, a série foi muito inteligente ao quebrar os padrões vigentes e estabelecer novos paradigmas na aclamada Modern Warfare. O problema é que, com o sucesso de vendas e obrigação de realizar lançamentos anuais, a franquia acabou se perdendo tanto em sua narrativa cada vez mais alucinada e futurista, como especialmente em um gameplay engessado.

Como a nostalgia bate forte no peito da galera nesses tempos modernos, é compreensivel o motivo de tanta gente ter se alegrado quando a Activision anunciou que levaria seu principal produto de volta aos seus tempos mais gloriosos. Para o bem ou para o mal, dá para dizer que a missão foi completada.

WW 2 parece, do início ao fim, com um verdadeiro jogo da série. Estão lá todos os momentos de clímax exagerado dignos de dar inveja no diretor Michael Bay, os mesmos controles precisos que servem de boa base para a ação, modos multiplayer de todo tipo, e aquela narrativa padrão cheia de testosterona sobre soldados corajosos arriscando sua vida pelo Dever.

Ou seja, se você faz parte do grupo que ainda não enjoou de nada disso, certamente vai encontrar muita coisa para se divertir neste jogo, que não poupa esforços para lapidar a datada fórmula da série e torná-la o mais atraente e agradável possível.

A arte da guerra

Eu gostei bastante da apresentação do game. Mesmo longe de ter um equipamento top de linha, achei que a versão do PlayStation 4 figura entre os jogos mais bonitos da geração em termos de bom uso do hardware para criar ambientes e personagens críveis. A iluminação está fantástica e eu nunca me senti tão imerso em um campo de batalha antes, o que acaba trabalhando bem a favor da diversão.

Em termos de narrativa, temos altos e baixos intercalados. Desde a cena inicial, o jogo tenta vender o laço entre os camaradas de pelotão, seus dramas pessoais e a improvável amizade criada nas adversidades. Tem lampejos de bom roteiristo aqui e ali, como quando o batalhão conversa sobre “nem todos os chucrutes serem assim tão ruins”, mas, no geral, a execução da história é bem fraquinha.

Diz muito que, enquanto eu escrevo essa análise, só saberia citar de cabeça o nome de um dos amigos do protagonista sem ter que abrir o Google! E olha que em praticamente todas as missões você tem amigos ao seu lado ajudando no combate, o que é até uma mecânica bem bacana.

Conforme o tempo passa, um medidor no canto da tela é preenchido e, assim que ele chega ao máximo, você pode se aproximar de um aliado e pedir auxílio para ele. Zussman, além de ser o melhor personagem e o único nome que decorei, é também o mais útil, já que pode lhe emprestar kits médicos durante a luta. Pois é, kits médicos! Quem diria, ao menos no modo campanha, a série finalmente largou aquele esquema chato de ter que ficar escondido por alguns segundos para encher sua energia. Já era hora!

O resto do batalhão também consegue dar uma boa ajuda: um dos camaradas pode marcar as silhuetas dos nazistas no mapa, outro enche sua munição de armas, enquanto outro traz um refill de granadas. É até instigante e, presumo, um pouco realista a ideia de que você precisa correr meio desesperado atrás de aliados no fogo cruzado em busca de uma ajudinha.

Lá e de volta outra vez

Mas nem isso salva a campanha daquele constante sentimento de déjà-vu. Nas dificuldades mais baixas, basta correr e atirar durante a ação sem cérebro. Jogando no nível veterano, é aquele constante tenta, volta, decora, repete até passar de fase. Isso cansa rápido, mas também há sopros de criatividade perdidos aqui e ali.

Merece destaque um nível de pura espionagem digno dos tempos de Missão Impossível para Nintendo 64. Na pele de uma espiã francesa, você precisa decorar informações sobre o seu disfarce e se infiltrar sorrateiramente em uma festa alemã em busca de seu contato, um agente duplo, para então sabotar e explodir armas nazistas.

Normalmente eu não gosto tanto de fases stealth, mas essa missão teve um design tão primoroso que eu não pude deixar de sorrir do começo ao fim. É uma pena, então, que momentos assim representem apenas uma parcela ínfima da breve campanha principal, que tem aquela duração padrão do gênero, coisa de 6 a 8 horinhas. Não por acaso, ainda é o multiplayer que deve ocupar a maior parte do tempo de jogo das pessoas.

Jogando online com vários jogadores, há muitas formas de gastar tempo e se divertir, exatamente o que você espera de um jogo assim. Então tem como cair de cabeça em modos de diversão imediata vendo qual time mata mais que o outro, competir por territórios, capturar objetos e até participar de longos embates divididos em diferentes fases e cenários.

Naturalmente, quanto mais se joga, mais acessórios, armas e ferramentas de customização são liberados, como skins e poderes. Há ainda aquele controverso esquema de loot boxes, no qual você vai ganhando brindes aleatórios conforme progride no jogo. Embora eu não tenha simpatia alguma por isso, ao menos tiro consolo do game em si não ter se tornado um Pague para Vencer da vida.

Muito mais interessante é a decisão de obrigar o jogador a escolher uma entre cinco facções assim que começa sua jornada multiplayer. Tem até uns vídeos bregas, mas francamente bem divertidos, em que um oficial de cada nação tenta te persuadir a integrar o seu grupo. Eu ri e gostei disso, mas simpatizei especialmente com o fato de que cada tropa tem os seus próprios benefícios exclusivos, mas que não necessariamente limitam a sua capacidade de criar os seus próprios sets de armas e táticas. São apenas camadas a mais de habilidade que enriquecem e aprofundam o gameplay.

Voltem pra tumba, nazistas!

Como eu sempre gostei mais de cooperar do que de competir, acabei gastando mais tempo no onipresente modo Zumbi, no qual um a quatro jogadores podem enfrentar, juntos, hordas de zumbis nazistas sanguinários. O curioso é que o elenco desse modo é bem mais estrelado que o da campanha principal, já que tem nomes como o eterno Doctor Who David Tennant, o carismático Ving Rhames, e até a Elodie Yung, a Elektra das séries da Netflix. Se bem que não sei se dá pra chamar de elogio ter alguém dessas séries, né? Mas enfim.

Aqui as sessões de jogo podem passar de meia hora, mas a adrenalina é bem grande enquanto os jogadores tentam cumprir os objetivos e se ressuscitar. Como de praxe, dá pra trocar os seus pontos por mais itens e armas melhores, então a partida fica sempre em movimento. Apesar de ser vendida como a parte menos importante do pacote, foi de onde eu tirei a maior parte da minha diversão.

Por mais datado que Call of Duty já esteja como marca, claramente ainda é possível extrair alguma diversão do pacote caso você não faça parte da turma que já está de saco cheio desse tipo de jogo. Claro que há multiplayers muito mais divertidos por aí, como Overwatch, e campanhas mais densas e bem trabalhadas, como a de Wolfenstein II. Ainda assim, se você simplesmente está em busca de um bom título Call of Duty, então WW 2 certamente oferece conteúdo bom o bastante para suprir as suas necessidades.

Call of Duty WW2 – Nota: 3,5/5

Desenvolvedora: Sledgehammer Games
Distribuidora: Activision
Plataformas: Xbox One, PlayStation 4 e PC
Plataforma utilizada na análise: PlayStation 4
Produto cedido para análise: Sim

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