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Mushi-shi tem magia, beleza e drama num Japão que não existe mais

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“Mantidos como seres distantes, inferiores e anormais. Eram seres bem diferentes daquela fauna e flora da qual estávamos acostumados. Eram, de fato, um grupo de seres grotescos mais temíveis que vós, homens, desde os tempos de outrora. Despercebidamente, o senso comum o reconheceu como ‘mushi'”.

O texto acima abre Mushi-shi, anime baseado no mangá de mesmo nome da autora Yuri Urushibara. Dividido em duas temporadas totalizando 46 episódios de 20 minutos, além de dois filmes, a série explora a relação de habitantes do Japão do começo do século XIX, um país ainda fechado e agrícola, com as criaturas chamadas de “mushi”, ou “insetos” numa tradução para português. A expressão, porém, está longe de explicar a natureza desses seres peculiares. Os mushi, que se dividem em diversas espécies, são formas de vida extremamente básicas, praticamente representações de forças da natureza, com poderes quase místicos ou mágicos. Apenas alguns humanos nascem com a capacidade de vê-los, e dentre esses há os que se dedicam a estudá-los, os chamados mushi-shi.

O papel dos mushi-shi é fundamental pois as pessoas em geral são ignorantes quanto aos mushi, o que acaba as deixando vulneráveis. Essas criaturas não são, em essência, boas ou más, mas ao dividirem o espaço com humanos podem trazer consequências incríveis ou aterradoras, frequentemente vivendo como parasitas. O trabalho de um mushi-shi é atender e investigar acontecimentos anormais, protegendo as pessoas dos efeitos dos mushi. Cada um possui seu próprio estilo, há os que consideram caçar e eliminar mushi a melhor solução, os que vivem em aldeias como médicos ou conselheiros, os que observam os mushi como naturalistas, não há regras fixas.

Como seria de se esperar, é um desses personagens especiais, Ginko, o protagonista. Na verdade, Ginko é o único ponto constante do anime, servindo como referência para o espectador, já que cada episódio, salvas raras exceções, irá apresentar personagens, locais e mushi totalmente novos. Mas em meio a descrições com viagens por terras exóticas e criaturas fantásticas, engana-se quem pensa que Mushi-shi é uma série de aventura e ação. Pelo contrário, seria mais correto defini-la como como uma “anti-ação”. Explico: tudo, absolutamente tudo, das músicas de abertura melancólicas, às animações lentas que favorecem cenas paradas, aos cenários bucólicos, à trilha sonora serena, aos longos diálogos, à paleta de cores opacas de tons pastéis, remete e encaixa-se perfeitamente na real temática do anime, o drama humano.

Os mushi, por mais fantásticos e diferentes que sejam, são só um pano de fundo para as diferentes tragédias cotidianas: doenças, velhice, perda de entes queridos, rixas entre vizinhos, vinganças, fome, amores impossíveis, casamentos falidos, pais autoritários, desastres naturais, fracasso. Por mais surpreendente que seja são esses os temas da série, conferindo a ela quatro tons:

1) A nostalgia, já que a série várias vezes remete a tempos anteriores com certa saudade. Vários personagens frequentemente lembram de tempos mais prósperos no passado, de suas origens, da família, da ligação com o local e também da transformação do relacionamento do homem com a natureza. A própria ambientação do anime num Japão ainda intocado pelo resto do mundo, em que as pessoas vivem em pequenas aldeias por gerações e as montanhas são governadas por guardiões que mantém as leis da natureza em ordem ajuda a maximizar esse sentimento.

2) A melancolia, fortalecida pelo ritmo sem pressa, pela contemplação de situações difíceis e duras mas totalmente fora do nosso alcance, pela imobilidade de certas ações.

3) A tristeza, pelas grandes perdas e sofrimento, desastres, doenças, fracassos, por ver que personagens caminham para sua própria destruição e não haver o que fazer

4) A aceitação em ver que existe uma ordem natural em ação, uma renovação constante, que a vida segue seu rumo e que existe beleza e felicidade nas pequenas coisas. Que onde alguns perdem outros ganham, e que ainda é possível fazer a diferença no mundo através do esforço, dedicação e conhecimento.

Não é uma história fácil e leve, mas ao mesmo tempo a máscara do fantástico e a serenidade e racionalidade pela qual acompanhamos cada aventura através da visão de Ginko também não a deixam cair no desespero ou euforia. O próprio Ginko é construído de forma a manter isso por destoar do restante dos elementos. Ele é diferente dos demais, usa roupas modernas, tem cabelo branco. Mesmo entre os mushi-shi ele poderia ser considerado estranho, e isso se reflete na forma como Ginko percebe o mundo. O personagem consegue sentir uma forte compaixão pelas pessoas, animais e mushi que encontra, e está disposto a ajudar quem precisa, mas ao mesmo tempo está sempre distante, como um observador crítico e imparcial, e em movimento constante, nunca ficando longos períodos no mesmo local ou com as mesmas pessoas.

Esta não é uma série para se maratonar, mas sim para ser apreciada com calma e paz. Cada episódio favorece a contemplação e a reflexão, feito para ser visto com tranquilidade, sem pressa, se possível buscando uma lição a ser aprendida. Os mushi podem ter efeitos nefastos, mas são neutros, e com frequência é a intransigência dos homens a maior causadora de problemas. De certa forma, as coisas acontecem de forma aleatória e sem motivo, mas são as nossas ações que determinam se a situação ficará melhor ou pior.

Uma coisa é garantida, a reação ao se assistir é essa:

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Bruno Grisci é um cientista da computação gaúcho que gosta de pesquisar e discutir qualquer coisa, provavelmente com mais afinco que o necessário. Nas horas vagas gosta de escrever sobre os assuntos que lhe interessam.

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Anime

The Rising of the Shield Hero foi competente e esquecível

Descartável e genérico, mas ocasionalmente bem divertido

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The Rising of the Shield Hero (ou Tate no Yūsha no Nariagari (たて勇者ゆうしゃがり), é mais um isekai, possivelmente o gênero mais popular entre os animes da atualidade. Você sabe, aquela velha fórmula de “pessoa comum acorda magicamente em um novo mundo com ares de RPG, onde precisa abraçar sua nova identidade de herói”. Se você odeia animes assim, Shield Hero não faz absolutamente nada capaz de mudar sua opinião. Agora, se você ama isekais, ele é uma ótima pedida, com todos os episódios já disponíveis para streaming na Crunchyroll nacional.


Veja também:


Começo controverso

Logo de cara, o que mais chamou atenção no anime foram suas polêmicas e controvérsias. Seu primeiro arco é bem dark (uma decisão curiosa, considerando que do quinto episódio em diante ele fica levinho), com tramas sobre falsas acusações de abuso sexual e posse de escravos. Naturalmente a internet caiu no bait e tratou de problematizar a narrativa por todos os cantos. Particularmente, não me incomodei com isso, porque só fico incomodado quando vilões e manipuladores são premiados por suas atitudes na mensagem da trama, mas talvez seja melhor pular Shield Hero caso você seja sensível demais a esses temas.

Nosso canal parceiro Aquele Cara fez uma análise sobre as polêmicas do anime The Rising of the Shield Hero

Na trama seguimos a jornada de Naofumi, o tal Shield Hero. O Herói do Escudo precisa se dar bem com os outros três heróis que foram summonados ao mundo de RPG, mas logo de cara fica evidente que tanto os outros heróis como os governantes e povo de Melromarc não vão muito com a cara de Naofumi, que vira um pária social. O que vemos, então, é uma trama sobre conquistar respeito e tentar encontrar motivos para lutar por um reino que claramente o odeia. E isso acontece através da fofíssima e badass Raphtalia, a demihumana que se torna a Espada de Naofumi. O relacionamento entre os dois é bem trabalhado e é fácil ter empatia pelo casal.

Ainda bem que esse é o caso, pois Shield Hero só funciona e é minimamente assistível justamente porque o casal principal tem química o bastante. Não consegui gostar dos outros coadjuvantes, nem a pequena Filo (uma garotinha que, na verdade, é uma gigantesca guerreira pássaro) e muito menos da Melty (outra jovem heroína, filha da rainha com poderes mágicos), que fecham a party principal do herói. Assim como elas são chatinhas, os outros heróis também se prestam apenas a fazer um antagonismo muito raso e gratuito, então é difícil ter apego a eles na maior parte do tempo. Isso faz com que Shield Hero funcione melhor em seus pequenos “casos da semana”, quando Naofumi e Raphtalia precisam ajudar algum vilarejo em apuros.

Raphtalia carrega o anime

Meu arco favorito, e um dos poucos momentos em que os stakes emocionais funcionam com boa intensidade, é justamente quando Raphtalia retorna à sua terra natal, devastada pelos inimigos, e reecontra amigos de infância ainda sofrendo abusos. O embate entre Raphtalia e seu abusador é sem dúvidas a melhor batalha da série, porque é a única em que há fatores emocionais dignos dando peso à trama. No resto do tempo, Shield Hero cria seus clímaxes em torno de invasões de Ondas de inimigos, que os Heróis foram invocados para confrontar.

The Rising of the Shield Hero Crítica Temporada 1

The Rising of the Shield Hero Crítica Temporada 1

As ondas não possuem chefes carismáticos nem motivações maiores, então parecem mais uma obrigação burocrática para encher linguiça do que qualquer coisa, servindo apenas para demonstrar ainda mais a inaptidão dos outros heróis. É engraçado que o duelo contra um papa corrupto, feito fora das Ondas, seja muito mais empolgante e difícil para os protagonistas do que as Ondas, que deveriam ser o que realmente importa no mundo que foi estabelecido. 24 episódios talvez tenha sido um pouco demais também, e a reta final do anime sofre com um pouco de gordura desnecessária, enrolação, e o obrigatório episódio praiano cheio de fanservice. Mas, como a história já tinha dado tudo que tinha para dar, não vou negar que foi legal ver a Raphtalia de biquini e em aventuras engraçadas, como quando ela fica bêbada e aceita uma queda de braço contra um soldado mala.

Tudo termina com mais um ataque de Onda, mas a trama toda já tinha sido resolvida muito antes disso, quando Naofumi consegue, a muito custo, limpar seu nome no Reino. Pelo menos o último episódio entrega um final fechadinho e um bom desfecho para os principais personagens, então até que dá para relevar. Até porque a animação é consistentemente boa, com bom valor de produção, e isso ajuda as lutas a divertir, mesmo com uma trama meio sem sal regendo os conflitos. No fim das contas, para a despretensão de The Rising of Shield Hero, até que o saldo final é positivo o bastante para valer uma recomendação apenas — e tão somente — aos fãs de isekais sedentos por ação.

The Rising of the Shield Hero Temporada 1
7 Nota
0 Leitores (0 Notas)
Prós
  • Bem animado
  • Fofura da Raphtalia
Contras
  • Muita barriga
  • Personagens rasos
  • Anticlimático
Avaliação
The Rising of the Shield Hero é um competente isekai que não pretende reiventar a roda. Sem medo de mexer em temas espinhosos, sua trama apresenta algumas cenas e temas bem pesados mas, no geral, é centrada na ação e comédia. É uma pena que quase todos os seus personagens sejam tão rasos, clichê e mal trabalhados. Ao menos a fofura da Raphtalia compensa tudo <3
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Crunchyroll | Plataforma divulga dados de audiência do mês de maio de 2019

Saiba quais fora os animes mais populares entre os fãs ao redor do mundo em maio deste ano

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A Crunchyroll, plataforma de streaming especializada em animes, começou este ano a divulgar dados exclusivos de audiência que mostram os títulos mais populares entre os fãs de animações japonesas que utilizam o serviço de assinatura.

“A equipe da Crunchyroll se esmera para entender o que a comunidade quer, e trabalha dia e noite para oferecer aos nossos usuários uma experiência de vídeo que não se encontra em nenhum outro lugar,” explica Yuri Petnys, Market Manager para os territórios do Brasil e Portugual na Crunchyroll. “Parte dessa missão inclui estudar dados do mundo todo para entendermos como podemos oferecer uma plataforma impecável.”

Dados de audiência – Maio/19

Desta forma, a Crunchyroll libera agora dados bastante curiosos sobre a audiência da plataforma, mostrando quais são os animes mais populares na América do Sul e no mundo.

Confira, a seguir, os dados de audiência da Crunchyroll liberados pela plataforma, e saiba quais foram os títulos mais populares em maio de 2019.

Top 20 séries

“Em média, os usuários da comunidade da Crunchyroll passam aproximadamente 85 minutos por dia assistindo seus títulos favoritos. Abaixo, divulgamos a lista dos 20 títulos mais assistidos (em ordem alfabética), baseada no número de views do mês de maio:”

TOP 10 países

“A equipe da Crunchyroll tem o orgulho de servir fãs de anime em mais de 200 países e territórios pelo mundo todo. Confira o ranking de países com o maior número de views por assinante, para o mês de maio:”

TOP 10 títulos – América do Sul

“Confira também os 10 títulos mais assistidos na América do Sul (em ordem alfabética), contabilizando views do mês de maio:”

  • Attack on Titan
  • Black Clover
  • BORUTO: NARUTO NEXT GENERATIONS
  • Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba
  • Hunter x Hunter
  • JoJo’s Bizarre Adventure
  • My Hero Academia
  • Naruto Shippuden
  • One Piece
  • The Rising of the Shield Hero

 

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Anime

Dr. Stone | Anime chega à Crunchyroll em julho

Baseado no premiado mangá escrito por Riichiro Inagaki, Dr. Stone chega ao Brasil pela Crunchyroll em julho

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Crunchyroll anunciou que o anime de Dr. Stone estará disponível com exclusividade na plataforma, estreando na temporada de julho.

A série terá transmissão simultânea para usuários do Brasil e Portugal, com legenda em português e áudio em japonês.

Dr. Stone é baseado no premiado mangá escrito por Riichiro Inagaki (Eyeshield 21) e ilustrado por Boichi (Sun-Ken Rock, Origin), e publicado semanalmente na revista Shonen Jump. Ele foi o vencedor do 64º Prêmio Mangá da Shogakukan na categoria Shonen, tradicional prêmio da indústria japonesa de mangás.

O mangá de Dr. Stone é publicado no Brasil desde 2018 pela Editora Panini. A adaptação para anime ficará a cargo do estúdio TMS Entertainment (Megalo Box, Lupin the 3rd).

Sinopse: Dr. Stone

Milhares de anos após um misterioso fenômeno transformar a humanidade inteira em pedra, o extraordinariamente inteligente Senki Ishigami acorda.

Neste novo mundo de pedra, Senku decide usar sua ciência para reerguer uma civilização à beira do colapso. Ao lado de seu super-musculoso amigo de infância Taiju Oki, que acordou junto com ele, os dois começam a reconstruir o mundo do zero.

Percorrendo dois milhões de anos de história científica, da Idade da Pedra até os dias de hoje, esta aventura experimental sem precedentes está prestes a começar!

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