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Anime Críticas

Rebuild of Evangelion 1.0 You Are (Not) Alone: um interessante (re)começo

Em 2007, Hideki Anno fez a alegria dos fãs de Evangelion ao lançar o primeiro de uma tetralogia (ainda inacabada) de filmes: Evangerion Shin Gekijōban: Jo (ヱヴァンゲリヲン新劇場版:序, ou Rebuild of Evangelion: 1.0 You Are (Not) Alone), e é claro que todo mundo ficou curioso para saber o que viria dessa nova empreitada.


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Afinal, depois dos finais tanto da série normal de anime como do filme The End of Evangelion, o que não faltavam eram caminhos possíveis para ou seguir com a história, ou reinventá-la totalmente. À primeira vista, o contato inicial com o Rebuild e com seu material promocional dá a entender que o que estamos vendo é uma mera regravação dos primeiros 6 episódios da série.

Não faltam dicas sobre isso, afinal, a maioria das cenas do primeiro Rebuild of Evangelion são praticamente réplicas exatas dos eventos vistos no começo do anime. Seguimos o jovem Shinji Ikari desde seu encontro com a major Misato Katsuragi e seu pai Gendo Ikari, passando por seus primeiros combates contra anjos ao lado da misteriosa piloto de EVA Rei Ayanami, até a climática batalha contra o anjo Ramiel (ラミエル ).

Durante a jornada, saltam aos olhos um drástico aprimoramento das técnicas de animação e da qualidade do traço, além do uso de elementos em CG com parcimônia, sem falar na nova e incrível trilha sonora de Shiro Sagisu, que não tem medo de mexer em temas clássicos do anime e lhes conferir nova identidade. É um trabalho sonoro magistral que, sozinho, já vale o anime!

Embora a história seja bastante similar à original, fãs mais atentos vão notar pequenas diferenças em relação ao arco inicial, como uma mudança na numeração dos anjos, a reorganização da ordem de certos eventos, e até a inclusão de pequenas cenas inéditas, como Misato levando Shinji para conhecer Lilith, e uma cena final que vira o cânone de pernas para o ar.

O tema principal do filme também é muito legal e bonito, mas tome cuidado, porque o vídeo acima tem alguns spoilers leves dos filmes seguintes

São inclusões bem interessantes, mas não o bastante para impedir um certo tédio enquanto se revisita um material bem conhecido pelos fãs. Quer dizer, nostalgia é legal, mas não basta para segurar os quase 100 minutos de filme. Especialmente porque nem toda evolução no estilo artístico foi uma troca para a melhor: a animação mais fluída, traço mais limpo e amigável são objetivamente melhores, mas algo do charme do original se perdeu na transição. O próprio tom do anime ficou bem menos perturbador, e muito do suspense e terror psicológico foi sacrificado em prol da ação.

O que ajuda nos momentos mais tediosos é, justamente, conhecer o trabalho de Anno e saber que, em Evangelion, normalmente as coisas não são o que parecem. Se tudo parece familiar demais no primeiro momento; e as poucas mudanças estão estranhas… provavelmente é porque ele realmente está querendo dizer algo com isso! Nem que o prêmio só venha um ou dois filmes depois, quando nosso tapete for puxado com força e nossas expectativas implacavelmente jogadas pela janela.

Antes de começar a ver os filmes Rebuild, cheguei a ler alguém comentando na internet que, embora muitos argumentem que eles seriam uma realidade alternativa (ou até uma “Terra-2”, no idioma dos DCnautas), era mais lógico ver os novos filmes como uma espécie de “segunda temporada” da série, algo para ver imediatamente na sequência da série normal. Realmente acho essa a melhor mentalidade para começar a ver os Rebuilds.

Rebuild of Evangelion 1.0 até funciona como um filme feito para matar as saudades da série e seus personagens cativantes, mas é muito melhor quando você o assiste com uma pulga atrás da orelha, tentando detectar e teorizar o que Anno e sua equipe vão querer mudar no futuro da série, esmiuçando cada uma das pequenas mudanças que ele apresenta. É um (re)começo interessante e competente para uma nova série de aventuras.

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