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Retrô: Rage of the Dragons (Neo Geo)

Mesmo após quase quinze anos desde o seu lançamento, Rage of the Dragons (Neo Geo) ainda não parece ter encontrado o seu lugar ao sol entre os maiores títulos dos jogos de luta. Lançado em 20 de setembro de 2002 através de uma parceria entre a empresa mexicana Evoga e a japonesa Noise Factory, tudo começou com a ideia de criar uma continuação para a série Double Dragon, ícone dos beat’em ups nas décadas de 1980 e 90. Quando a popularidade da franquia parecia exterminada, eis que surge Double Dragon V com a proposta de um jogo de luta, se aproveitando do sucesso de Street Fighter II. E é justamente essa fração da história de Double Dragon que RotD tentou homenagear, sem sucesso.

 

Uma sequência espiritual

A ideia de reviver uma série estacionada há tantos anos até que era interessante, já que o primeiro jogo de luta havia sido lançado em 1995, sete anos antes de RotD. O que não estava nos planos da Evoga era não conseguir os direitos autorais da franquia, sendo então obrigados a fazer adaptações no conteúdo para lançar o jogo de forma independente (até certo ponto).

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Os protagonistas do jogo se chamam Billy e Jimmy, a exemplo do título original, e seu visual acompanha bastante os personagens clássicos, apenas com as devidas adaptações proporcionadas pelo tempo. Outro personagem claramente inspirado é Abubo, o sub-chefe do jogo, que mais parece uma versão “paz e amor” de Abobo, um dos vilões da época dos beat’em ups. Mas as semelhanças acabam aqui! Todas as demais características de Rage of the Dragons, para o bem ou para o mal, são frutos de uma personalidade própria com leves toques do que a SNK implementava em seus outros jogos. Esse pano de fundo de homenagem a Double Dragon acaba funcionando de forma até um pouco negativa, ofuscando um trabalho bacana e original que nós vamos destrinchar daqui por diante.

 

Porradaria franca! Porradaria honesta!

Rage of the Dragons apresenta um sistema de batalhas em dupla, mais ou menos como Tekken Tag e a série Marvel Versus. O jogador escolhe dois personagens e pode trocá-los a qualquer momento durante a luta, deixando o lutador da reserva recuperando pouco a pouco o life perdido. As trocas podem ser feitas de diversas formas, indo desde o sistema convencional até um combo onde ambos os personagens atacam o adversário de forma simultânea.

LOJA PLAYREPLAY

 

Durante a batalha é possível esquivar ou fazer rolamento para fugir dos ataques do oponente. Além disso, há um ataque lento (First Impact) que permite conectar combos simples de 4 hits indefensáveis, perfeitos para criar brechas para o uso dos ataques especiais.

Outros truques disponíveis (e primordiais para quem pretende aprender a jogar) consistem em chamar o seu parceiro para dar uma mãozinha durante a luta ou render-se, entregando todo o seu HP restante para o lutador parceiro, que também herda dois níveis na barra de especial.

Todo o sistema de luta de Rage of the Dragons é bastante cadenciado, com comandos claros e nada complexos, exigindo muito mais frieza e precisão que habilidade nos dedos.

Os personagens disponíveis para os combates seguem aquela velha fórmula de arquétipos, com direito a mulheres em trajes sumários, lolitas recém-saídas dos mangás orientais e até mesmo um padre com cara de poucos amigos!

Ao todo são 14 personagens selecionáveis e mais dois chefes. Mas se você quiser ver o final secreto do jogo, não tem jeito: tem que ir de Billy-Jimmy!

O boss final chama-se Johann e é um canastrão de marca maior. Nós falamos dele na nossa lista de 5 chefes mais apelões dos jogos de luta, lembram? Pois é, vá se preparando para perder alguns fios de cabelo.

Abaixo, todos os personagens de RotD:

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Bom, bonito e brutal

Além de ter um cast de lutadores legal e boa jogabilidade, o time da Evoga também conseguiu apresentar um produto final super bem acabado, com cenários belíssimos que deixam qualquer fã dos gráficos 2D orgulhosos!

Todas as arenas são repletas de elementos decorativos, algumas inclusive com algumas barreiras nas laterais que podem ser utilizadas durante os combos. Dá pra levar mais da metade do HP do adversário só nessa manha de executar um grande combo junto as laterais, esperar que o oponente “quique” na parede e continuar com a surra!

Os personagens têm sprites bem definidos, seguindo uma linha muito mais próxima da série Marvel Vs. ou Guilty Gear, que dos demais jogos da SNK e seus pixels característicos. Se um ou outro é melhor, vai do gosto do freguês. Mas que o jogo é bonito, isso ninguém pode negar!

A trilha sonora também dá um show, com estilos bastante ecléticos que dão o tom de dramaticidade necessária para as lutas. Destaque para a faixa “Exorcism”, dedicada a dupla formada pelo padre-bombado Elias e pela depressiva Alice Carroll (cujo nome homenageia a protagonista de “Alice no País das Maravilhas”, do autor britânico Lewis Carroll). Tem de tudo, desde funk e clássica até blues, tudo sem perder o rebolado. Afinal, ainda é a trilha sonora de um jogo de luta.

 

Amarrando as pontas

Se você já conhecia o jogo, sugiro dar uma revisitada e ver se as habilidades estão em dia. Mesmo não sendo um título ‘Top of Mind’ e com seus quase quinze anos nas costas, ainda é um jogo acima da média, principalmente se for pra jogar com a galera.

Jimmy, Lynn, Elias e Mr. Jones deram as caras como personagens secretos em Power Instinct Matrimelee, outro título da cartela da Noise Factory. Parou nisso, já que até hoje nunca se falou em produzir uma continuação para o jogo. Uma pena. Homenagem ou não, Rage of the Dragons tentou sintetizar o que havia de melhor nos jogos de luta da época, com uma porção razoável de sucesso.

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