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Críticas Música

Radiohead retorna à sua melhor forma em A Moon Shaped Pool

É mais fácil acertar os números da sena do que chutar corretamente o que diabos o Radiohead vai fazer em cada novo álbum. Afinal, tal qual seu saudoso conterrâneo David Bowie, a trupe de Thom Yorke consegue navegar entre os mais diversos estilos musicais com imensa facilidade.

Mais interessada em experimentar e evoluir sua música do que em aproveitar os prazeres dos holofotes da fama, a banda conseguiu migrar do rock (por que não, até com um pouco de grunge em Pablo Honey) ao eletrônico (Kid A, Amnesiac) mantendo sua integridade artística.

No processo, as composições do grupo, pouco a pouco, foram se distanciando das convenções e fórmulas esperadas da música contemporânea. Nem sempre com bons resultados, é verdade (foi mal, King of Limbs), mas há algo de louvável no completo desinteresse que a banda parece ter por versos, pontes e refrãos previsivelmente conectados.

É quase como se o Radiohead atual não estivesse mais interessado em escrever canções, mas sim em experimentar ideias e ver o que soa mais interessante. No fim, essa é uma das grandes qualidades de A Moon Shaped Pool. Entre cordas cuidadosamente inseridas, pianos cheios de eco, violão folk e bateria transitando entre vários tempos, a banda conseguiu conceber um álbum bastante orgânico, tocante e visceral.

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Coeso em tema e sentimento, o último disco da banda é extremamente melódico e sutil, dando bastante destaque ao vocal de Yorke. que volta a aparecer em sua melhor forma e com um destaque que não recebia desde as músicas mais intimistas de In Rainbows.

Embora essencialmente melancólico, o disco parece se dividir em duas fatias. Uma metade dá maior foco ao piano e vocal, com toques pontuais de guitarra aqui e ali para encorpar certos trechos. A outra, tão ou mais interessante, enfatiza a perfeita cozinha formada por Colin e Phil. Para os amantes de baixo e bateria, não se encontra muitas músicas melhores que Identikit e The Numbers por aí!

Do outro lado, Glass Eyes apresenta o que devem ser os melhores vocais da carreira de Thom Yorke, e talvez a música mais bela da carreira do Radiohead. Sobra espaço até para uma nova interpretação de True Love Waits, velha queridinha dos fãs que, com sua nova roupagem, troca a levada do violão pelo tom etéreo que norteia o álbum.

Como todo disco da banda, meia dúzia de audições não chegam remotamente perto de permitir uma avaliação justa do real impacto e qualidade do álbum. Mas não há dúvidas de que o Radiohead presente em Moon Shaped Pool é instigante, apaixonante e genial como o das melhores fases da banda.

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