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Críticas Games

Pokémon Sword & Shield tem beleza e diversão, mas não evoluem tanto a série

Desde o anúncio de uma nova geração de Pokémon todos voltaram os olhos para o novo projeto da Nintendo, GameFreak e The Pokémon Company para o Switch. A expectativa foi altíssima, principalmente por este ser o primeiro RPG da série principal da franquia a chegar em um console “de mesa” (aspas, pois o Switch é um híbrido na verdade). Afinal, lançar um RPG de Pokémon na mesma plataforma que temos o brilhante The Legend of Zelda: Breath of the Wild é algo incrível de se imaginar. Felizmente, em muitos aspectos, Pokémon Sword & Shield alcançaram essa expectativa. Entretanto, vamos falar direitinho de cada um destes aspectos no decorrer do texto.


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Não pensem que o redator aqui odiou ou amou completamente Pokémon Sword & Shield. Na verdade, a intenção da nossa análise é justamente dar um parecer consiso, considerando erros e acertos. Afinal, seja para elogiar ou para criticar uma franquia tão bem estruturada no mundo dos games há mais de duas décadas, é preciso bastante cuidado e a cabeça no lugar. Assim, fugindo dos famigerados títulos de “fanboy” ou “hater”. Dito isso, prepare suas pokébolas e vamos para a análise!

Explosão de cores e efeitos

À primeira vista o elemento que mais surpreende em Pokémon Sword & Shield é o seu visual. Muito bem colorido e com bons efeitos de luz, o game enche a telinha do Switch e a telona da TV chegando cada vez mais próximo do visual de uma animação japonesa. Isso é excelente principalmente quando estamos viajando pelo mundo. Antes de mais nada, é preciso deixar claro uma coisa aqui: Pokémon Sword & Shield não é um RPG em mundo aberto.

Isso pode decepcionar alguns, mas a nova geração ainda mantém uma exploração de mundo bem parecida com o que vimos desde sempre na franquia. São rotas, setores de exploração, cavernas, áreas aquáticas e outros elementos que já conhecíamos. Entretanto, a escala aqui é diferente. As cidades, mesmo as pequenas vilas, são bem mais cheias de detalhes do que nos jogos anteriores. O cenário é bem rico e quase sempre temos um ótimo vislumbre do fundo do jogo, com a próxima cidade ao longe no horizonte ou algo do tipo.

Isso é uma clara evolução que deixa o jogo belíssimo. Alguns pontos específicos são ainda mais belos, como a cidade no bosque com cogumelos com bioluminescência ou então a capital que é um imenso castelo britânico. No que tange a história, já não temos uma inovação tão grande, já que temos alguns pontos de enredo bem semelhantes aos jogos anteriores, como os da sétima geração (Alola).

Enredo pequeno e bem previsível

Aqui temos o primeiro grande ponto negativo de Sword & Shield: sua história. O enredo do jogo, sem spoilers, acompanha o jogador através de uma jornada bastante linear e previsível até alcançar o já esperado título de Campeão da Liga. Aqui notamos o peso de dar conta de oito gerações diferentes da mesma franquia, fora quatro remakes com histórias levemente diferentes dos originais. Fica cada vez mais difícil fazer algo realmente diferente ou que, pelo menos, não lembre nenhuma das gerações anteriores.

O resultado é uma história pequena. Pequena não só no tamanho, mas na variedade de personagens, nas surpresas que poderiam acontecer e na relação com os lendários ou com os vilões. Tudo é linear demais, previsível demais e repetido demais. O problema em si é que não repetem exatamente as melhores coisas da franquia, e sim as mais dispensáveis, como antagonistas sem personalidade, vilões que fingem ser mocinhos, a ganância de destruir o mundo bem rasa e uma relação no mínimo fútil entre o protagonista e seus aliados e rivais.

Com isso, temos uma das aventuras mais curtas de todos os jogos da franquia. Em cerca de 25 horas é possível facilmente chegar ao final do game. A variedade de coisas que temos para fazer no “pós-game” é bem pequena e repetitiva também, deixando um peso bem grande para as partidas online. Essas sim, com um suporte interessante para garantir a longevidade do título.

Claro que o enredo nunca foi o foco da franquia Pokémon. Mas quando olhamos para trás e relembramos a história contada em jogos como Pokémon Ruby/Sapphire/Emerald; Pokémon Diamond/Pearl/Platinum; Pokémon Black/White/Black2/White2 e até Sun/Moon; soa um tanto frustrante a forma rasa e sem interesse com a qual temos o enredo de Sword & Shield. Afinal, não é como se quiséssemos a melhor história de todas, mas já acertaram tanto antes que poderiam ter feito algo bem melhor agora. Não surpreendente, nada necessariamente inovador. Simplesmente algo no mesmo nível que já foi apresentado antes. E isso não foi feito.

Uma nova geração com caras novas

Felizmente, para compensar um pouco o enredo frágil, temos uma nova geração de monstrinhos que pode não ter surpreendido de primeira, mas que agrada bastante durante a jogatina de Sword & Shield. Isso principalmente por conta dos novos Pokémon. São 81 inéditos no total, com exceção de formas regionais e formas Gigantamax. Entretanto, mesmo que pareçam poucos, a maioria é bem carismática.

Isso é excelente, pois o jogo conseguiria se sustentar somente com estes Pokémon inéditos, sem forçar retornos desnecessários (mesmo que o faça constantemente). No quesito design, talvez o único momento que ele deixe a desejar de verdade são em algumas Gigantamax Forms, que, além de bem limitadas (falaremos disso mais tarde) exageram ao ponto de apelarem ao ridículo. Não me entendam mal, existem Gigantamax incríveis como as de Machamp, Pikachu, Coalossal e Centiskorch por exemplo. Porém, outras como as de Garbordor, Duraludon, Snorlax e Alcremie apelam para um exagero que não faz muito sentido.

Quando falamos das Galarian Forms, temos um padrão que segue o raciocínio das Alolan Forms da geração passada, porém com um foco maior em novas evoluções. Isso é ótimo, pois além de ter a mesma sensação de variação que Alola trouxe, dá um senso de “continuidade” para as linhas evolutivas. Menções honrosas precisam ser feitas ao brilhante Sirfetch’d, Mr. Rime e Obstagoon. Além de formas variadas bem cativantes e interessantes, como a Galarian Rapidash.

Combinações inéditas!

Outro elemento que agrada bastante relacionado às novas criaturinhas são as combinações inéditas de tipagens. Além das novas combinações aumentarem a variedade de estratégias, foram utilizadas de forma criativa com os seus Pokémon. Entre as combinações de tipo novas temos, por exemplo, Inseto/Gelo; Elétrico/Venenoso; Inseto/Psíquico, Fada/Venenoso e Fada/Noturno. Além disso, outras combinações de tipo difíceis de serem vistas, como Dragão/Fantasma, estão de volta.

Isso tudo faz a contagem final das novas criaturinhas da franquia ser bastante positiva. Mesmo com alguns retornos desnecessários (Maractus é um ótimo exemplo) e alguns designs questionáveis, a maioria esmagadora dos novos Pokémon são bem interessantes, criativos e carismáticos. Além de conversarem bem com as gerações anteriores, fazendo com que você se acostume rapidamente com a maior parte deles. Talvez os maiores deslizes sejam justamente nos iniciais e nos lendários que ficaram bastante apagados na oitava geração.

Saem Megas e Z-Moves, entra a Dynamax

Como já é de praxe, a maioria das novas gerações traz alguma mecânica inédita para tentar se diferenciar um pouco das anteriores. Assim, na oitava geração, temos o Dynamax. Este é um novo recurso ativado durante as batalhas em determinadas áreas como estádios, as novas batalhas de reide e partidas online. Durante o jogo, recebemos um item que propicia essa forma gigantesca dos Pokémon, chamado Dynamax Band.

Durante a história, isso é tratado como um fenômeno exclusivo de Galar que, até então, é inexplicável. Alguns personagens investigam o evento e isso até faz parte do plot principal da história (mas lembremos do enredo fraco aqui). O fato é que, pela história, já temos uma justificativa bem fraca para o acréscimo dos Dynamax. Quando vamos para as mecânicas de batalha, isso piora.

Os Dynamax lembram em parte as Mega Evoluções e, na outra parte, os Z-Moves. Quando um Pokémon fica gigantesco, os seus ataques mudam para Max Attacks, que variam por tipagem apenas, mas que são influenciados também pelos status originais de cada ataque. Assim como Z-Moves ou Mega Evoluções, só podemos fazer isso uma vez por batalha. Entretanto, essa forma, ao contrário das Megas, só dura três turnos.

O limite de tempo pode ser citado como um dos únicos acréscimos interessantes para essa mecânica por acrescentar a estratégia de “quando usar” o Dynamax durante os combates. Porém, todo o resto dá a impressão de ser reciclado. Os golpes Max lembram os Z-Moves em vários pontos, assim como as formas Gigantamax lembram as Mega Evoluções em aparência. Nada de novo por aqui, só uma fusão meio insossa de duas mecânicas que eram até bem interessantes.

O mais frustrante talvez seja o fato de que, no caso das Gigantamax Forms, não é qualquer Pokémon daquela espécie que vai mudar de forma. Se você “sua” para conseguir evoluir um Corviknight até a sua última forma (no nível 48), isso não significa que você terá a capacidade de utilizar sua forma Gygantamax. Isso porque somente alguns Pokémon específicos de espécies específicas possuem a forma, o que pode gerar um sentimento de frustração bem grande em jogadores desavisados.

A incrível Wild Area

Falando ainda dos acréscimos e novas mecânicas de Pokémon Sword & Shield, temos uma ótima novidade na Wild Area. Esta é uma zona bem grande no mapa de Galar que lembra vagamente a ideia de uma Saffari Zone de gerações passadas. Mas o brilhante aqui é o fato de ser um mapa bem grande e sem loadings, além de uma movimentação em terceira pessoa, permitindo inclusive que movamos a câmera.

Assim como o visto em Pokémon Let’s Go, podemos ver alguns Pokémon que andam na grama alta, o que nos permite escolher um pouco o que enfrentar. Mas além disso, talvez um dos únicos momentos desafiadores do jogo estejam também nessa incrível área, já que podemos encontrar Pokémon muito mais fortes do que os nossos nessa região. Isso é excelente, pois além de nos dar uma ideia de “cuidado” ao explorar, também nos mostra uma função realmente útil para o “fugir” das batalhas, que antigamente só era utilizado quando o jogador não estava afim de batalhar com mais um Zubat.

Ignorando um pouco os defeitos do jogo no quesito de processamento, temos um vislumbre aqui do que poderia ser um jogo de Pokémon em mundo totalmente aberto. A impressão que temos, é que a Wild Area é um teste para avaliar se tal mecânica de exploração pode de fato ser aplicada totalmente em um jogo futuro da franquia.

No final, nota-se que esse novo jeito de explorar o mundo de Pokémon funciona perfeitamente para a franquia. Claro que é preciso um maior cuidado de processamento e de design dessas áreas, já que temos problemas graves no que tange o processamento de elementos distantes no campo de visão e também nas mudanças climáticas, que não fazem sentido algum. Felizmente ela não deixa de ser divertida mesmo assim.

Ginásios brilhando mais uma vez

Outro ponto muito positivo de Pokémon Sword & Shield que merece ser citado é o retorno dos Líderes de Ginásio, que foram substituídos na geração anterior pelos Trials. Os desafios das ilhas de Alola deram um frescor pra jogatina, mas em Sword/Shield esse frescor veio de outra forma: mudanças na forma dos ginásios.

Os puzzles para chegar aos líderes ficaram bem mais interessantes nessa geração. Além disso, as batalhas contra os próprios líderes alcançaram um patamar bem mais épico se comparado às gerações anteriores. São estádios gigantescos com torcidas e músicas animadoras, que deixam os combates muito divertidos. Particularmente, esses combates contra os líderes foram uma das coisas que mais me encantaram durante as quase 30 horas que joguei Pokémon Sword para esta análise.

Por fim, ainda temos dois ginásios “extras” nessa geração, totalizando dez. Isso porque dois deles variam dependendo da versão que você está jogando. Isso é interessante, pois no próprio jogo é tratado em alguns momentos que nós temos 8 de 10 insígnias, dando a entender que, mesmo que estejam separados pelas versões, fazem parte do mesmo mundo.

O problema da inconstância

Pokémon Sword & Shield é muito divertido na maior parte do tempo. As batalhas são bacanas, o visual agrada bastante, as músicas são agradáveis e o mundo a ser explorado é bem convidativo. Porém, o jogo possui problemas. Entretanto, tudo que citamos até então como defeitos do game e mais vários outros não citados podem ser resumidos em um principal ponto do seu desenvolvimento: inconstância.

Contudo, a inconstância aqui é sentida de diversas maneiras. Vão desde as escolhas polêmicas de virada de geração até pequenos detalhes de animação. Isso para um jogador que é fã e pouco exigente, pode até passar despercebido, mas é um problema grave que tem aumentado bastante nos últimos anos com a franquia Pokémon.

A primeira inconstância que notamos está no trato visual do jogo, principalmente nas animações. Existem locais incrivelmente bem trabalhados, cheio de detalhes e riquíssimos em design. Já outros, deixam bastante a desejar. O mesmo vale para as animações dos Pokémon. A famigerada justificativa para cortarem a National Pokédex passa longe de ser uma justificativa plausível para o terem feito. Já que a maior parte das animações, mesmo que bem feitas, são claramente remasterizações das animações do 3DS e do Pokémon GO. Fora isso, a inconstância também é sentida nas animações de combate, onde golpes belíssimos coexistem com outros que mais lembram os golpes sem movimentação da época do Game Boy Advance.

A própria limitação da Pokédex também traz o sentimento inconstante. Fora isso, o corte de mecânicas anteriormente bem estabelecidas, como Megas e Z-Moves. A ausência de Pokémons te seguindo e das montarias que foram tão bem utilizadas nas duas últimas gerações como substitutas dos HMs. Por fim, a troca do voo simplesmente por um fast travel que nem animação possui, entre outras várias coisas.

Entretanto, de tudo que poderia ser considerado como um defeito em Sword & Shield, podemos resumir tudo com essa inconstância. Afinal, por que errar tanto em elementos que já tinham sido acertados antes? E o pior: por que errar ou omitir elementos em determinadas situações sendo que, ainda em Sword & Shield, temos elementos que mostram ser possível acertar? Tudo isso demonstra, no mínimo, uma falta de cuidado com o jogo que incomoda bastante e nos impede de considerá-lo um dos melhores da franquia.

A diversão ainda reina em Galar

Felizmente estamos falando ainda de Pokémon e, quando falamos dessa franquia, estamos falando de um sinônimo de diversão. Pokémon nunca se diferenciou no mundo dos games por um enredo profundo, por gráficos incríveis ou por um jogo muitíssimo bem polido. Porém, são pontos que nós esperávamos melhoras por todo o contexto que a franquia possui atualmente, mas nenhum destes pontos descreve Pokémon em sua essência.

Pokémon é um jogo linear onde a graça está justamente em capturar, treinar e colecionar as mais variadas e carismáticas criaturinhas do mundo dos games. É isso que mais agrada em toda franquia e é esse o maior acerto de Sword & Shield. Ainda não temos o “Game de Pokémon dos Sonhos” em mãos, e nem muito menos a “experiência definitiva de jogar Pokémon”. Felizmente, temos um bom momento de diversão, onde podemos conhecer uma nova região do mundo dos nossos queridos monstrinhos de bolso e nos deliciar colecionando-os mais uma vez, independente dos erros preguiçosos da empresa.

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