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Anime Críticas

Sobrevivendo ao anime de Persona 5

Não é segredo que eu sou um grande fã de Persona 5. Cada detalhe do jogo da Atlus ressoou perfeitamente com os meus gostos, e a aventura dos Ladrões Fantasmas tem um lugar eterno e intocável no meu coração. Ao menos era o que eu pensava, até ser submetido ao anime oficial do jogo, produzido pela A-1 Pictures da forma mais barata, preguiçosa e tediosa possível, se estendendo por longos 26 episódios — que sequer conseguem concluir a história principal do game! Como pode uma coisa dessas?


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O pior é que, por mais que o JRPG da Atlus se destaque por seus ótimos combates, trilha sonora e direção de arte, eu gostava o bastante da trama bruta do game para pensar que seria divertido testemunhar tudo de novo, agora de forma não interativa. Talvez até pudesse ser. Acho que os dois ou três primeiros episódios até conseguem contextualizar bem o universo de Persona, seus personagens e o que está em jogo. Mas na hora de colocar a ação e palácios na tela… que desastre.

Caidinho demais

Desde o início circulam pela internet os mais diversos memes e piadas zombando da péssima qualidade da ação, especialmente na hora em que acontecem os icônicos All-out attacks e… bom, o que se pode fazer ou dizer de novo sobre isso? São realmente péssimos, mas ao menos a galera da animação parece ter notado isso e, com o passar dos episódios, foram atenuando um pouco o problema com alterações visuais aqui e ali.

Mas já era tarde demais. porque a essa altura o ritmo da narrativa já estava desastroso. Nem os personagens coadjuvantes eram desenvolvidos direito, nem a trama principal andava para frente na velocidade que deveria. Era realmente um trabalho hercúleo resumir um jogo de mais de 100 horas com diversos personagens jogáveis em 26 episódios de 20 minutos cada, mas largar a história bem no ponto de virada em que largaram foi golpe baixo.

Faltou explicar como o final do episódio 26 será desfeito, todo um palácio gigante que tem depois disso, e a derradeira exploração dos mementos, a verdade sobre Morgana e a insana batalha com o Santo Graal. Todos fatores-chave da história que alguém que só viu o anime talvez nunca venha a descobrir, embora esteja falando que ainda teremos uma OVA longa para amarrar a trama.

O jeito é esperar pra ver, embora eu ache quase impossível imaginar que alguém que nunca jogou Persona tenha conseguido levar o anime tão longe. E, se levou, também duvido que vá ser persuadido a experimentar essa franquia maravilhosa nos consoles se só tiver o anime como parâmetro. Nem dá para pedir algo diferente.

Redenção sonora

Agora, para não dizer que eu só sei reclamar e ver problemas nas coisas, ao menos o anime de Persona 5 deixa um ou dois legados maravilhosos. Sua trilha sonora é simplesmente incrível, não apenas por reciclar boa parte das músicas do jogo, mas também por apresentar canções inéditas também cantadas pela Lyn Inaizumi, a mesma voz dos games!

A primeira opening, com seu THIEVES IN THE PALAAAAAAACE é um absurdo de tão boa, assim como o tema dark sun da segunda metade da temporada, e os encerramentos Infinity e Autonomy. Sem brincadeira, se o anime foi o preço cobrado para essas músicas existirem, então já valeu muito a pena.

Outro pequeno agrado foram a adição de algumas cenas e interações entre os Ladrões que não estavam presentes no game, e uma dose saudável de fan service que acaba valendo a pena para quem curte essas coisas. E tudo bem, eu sei que é o seu caso também, não precisa ter vergonha. ;)

Ainda assim, são poucos prós em um mar de contras seríssimos. É uma pena ver um dos melhores jogos da geração receber um tratamento tão porco na telinha, então, se você estiver em busca de distrações com essa trupe, vale mais a pena ignorar o anime e ir jogar os games de dança da Atlus, ou quem sabe esperar mais um pouquinho pelo Persona Q2. Qualquer coisa é melhor do que ver esse anime.

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