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Críticas Games

Outward é uma jornada desafiante, detalhista e belíssima

Desenvolvido pela Deep Silver e lançado no final de Março de 2019, Outward recebeu um considerável destaque no meio do ano entre os jogadores. Seu sucesso foi principalmente no “boca a boca” da internet, por conta de diversas particularidades que fazem deste RPG de sobrevivência um jogo fantástico. Seu principal diferencial, inclusive, são suas mecânicas, as quais o fazem parecer uma junção entre a franquia Dark Souls e The Legend of Zelda, com umas pitadas de The Witcher e Monster Hunter aqui e ali.


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Outward é um RPG em mundo semi-aberto com mecânicas de sobrevivência. O título é cheio de artifícios para fazer a sua experiência de jogo ser o mais única possível. A própria ausência do concceito de “morte” ou “game over” que outros jogos possuem já é um excelente e bem criativo diferencial. Além disso, a ausência de níveis e pontos para distribuir também é um acerto. No geral, a grande variedade de opções para melhoria do personagem e combates desafiadores complementam ainda mais a jogatina.

Uma pessoa comum

Em Outward começamos o jogo como um sobrevivente de um naufrágio que acaba sendo resgatado e levado para a cidade de nossos pais: Cierzo. Nessa história, o interessante é que não temos nada relacionado a “o escolhido” ou “o herói que encontra a espada que vai salvar o mundo”. Não somos alguém destinado à grandeza e nem “tropeçamos” em algo que nos vai proporcionar isso. Aqui somos uma pessoa comum que acaba descobrindo uma dívida com a cidade. Para termos direito a morar lá, temos cinco dias para conseguir uma determinada quantia de moedas de prata para pagar essa dívida. E assim começa o jogo.

Como o foco de Outward é dar uma experiência desafiadora e mais voltada para o estilo “old school” de RPGs, mesmo que inserindo mecânicas mais modernas ao gênero, temos aqui uma ausência total de tutoriais invasivos, o que é ótimo. Além disso, o jogo recompensa todo o tempo a exploração feita pelos jogadores, seja com itens espalhados estrategicamente pela cidade, seja com diálogos esclarecedores com NPCs, pois aqui, informação pode ser tão útil quanto uma espada nova.

Entretanto, os desenvolvedores de Outward encontraram o equilíbrio perfeito entre a liberdade de traçar seu próprio caminho e o risco de não ter objetivo algum a ser traçado. Assim, não ficamos sem objetivo a ser cumprido por todo o jogo como ocorre em muitos jogos sandbox ou de sobrevivência. Na verdade, Outward possui três linhas de missões diferentes de acordo com a guilda que você escolherá participar no decorrer da jogatina. Entretanto, a maior parte dessas missões não tem caráter obrigatório, bem como muitos elementos podem ser feitos fora de ordem.

Assim, o jogo encoraja o jogador a fazer sua própria história, do seu jeito, no seu tempo. Você pode, por exemplo, optar por explorar todo o mundo antes de se ligar a uma guilda, ou então usar as missões como uma justificativa para a tal exploração. Em outros momentos, o mundo se transforma de acordo com as missões que você faz, como áreas que são revitalizadas após suas atividades ou um vilão em específico que destrói algum lugar pois você não o deteve a tempo.

No final, temos um equilíbrio perfeito entre missões principais e secundárias que dão um horizonte fácil de ser acompanhado pelo jogador e, ao mesmo tempo, uma liberdade tamanha que permite ao jogador fazer tudo ao seu tempo e do seu jeito, dando a cada um literalmente uma experiência única ao se jogar Outward. O que é uma característica excelente, além de ser um dos principais pontos positivos do jogo.

Estética que melhora a experiência

Um bom RPG nos videogames não se faz com gráficos ultrarrealistas ou então aspectos cinematográficos incríveis. Na verdade, um bom RPG tem foco voltado para a narrativa e possibilidades de personalização de um personagem. Essa é a alma do RPG, mas como estamos falando de uma mídia audiovisual como são os videogames, a aparência pode ajudar bastante. Tornar um RPG encantador e imersivo pode ter um grande peso sob os aspectos estéticos deste.

Nesses quesitos, Outward não deixa nada a desejar. Mesmo que a primeira vista a criação dos personagens seja um tanto limitada pela falta de opções e aspecto estranho de todos eles, a ambientação e trilha sonora compensam consideravelmente. O jogo é muito bem otimizado e com configurações suficientes para rodar em uma vasta gama de configurações no PC.

Já nas configurações visuais máximas ou próximas disso, formato no qual Outward roda no PlayStation 4 e no Xbox One, o jogo esbanja cores, sombras e luz em um ambiente muito rico em detalhes, movimentação e visibilidade. O que mais me encantou durante a jogatina neste quesito, foram os traços estéticos do game, que lembram literalmente uma mescla de texturas das franquias Monster Hunter e Dark Souls com as cores e músicas de The Legend of Zelda.

Complementando todo esse riquíssimo ambiente temos uma trilha sonora fantástica que enche nosso ouvidos com trilhas orquestradas que dão sentimentos convenientes para os ambientes nos quais estamos. Cavernas e masmorras escuras possuem músicas que causam ansiedade, vastos campos tem épicas músicas de exploração, o deserto possui toques de violão que misturam uma aura do oriente médio com toques de sertão brasileiro (acreditem se quiser) e claro que os combates possuem sua música própria com tons certos para nos deixar tensos. Visual e trilha sonora sempre conversam muito bem nesse jogo, passando as emoções e sentimentos certos para que o jogador tenha uma experiência completa.

Mecânicas incrivelmente detalhistas

Como falamos no início do texto, um dos pilares do jogo são suas mecânicas bem detalhadas para diversas tarefas. Tarefas essas que muitas vezes nem se quer são imaginadas em outros jogos do gênero. Alguns aspectos já vimos em outros jogos, como quando fica de noite, por exemplo, quando a visibilidade e a temperatura diminuem bastante. Mas nem sempre nos vemos obrigados em outros jogos a montar uma fogueira e dormir até o outro dia.

A simples ação de “montar um acampamento” pode ser bastante complexa em Outward. A fogueira precisará de gravetos e uma pedra de acender para ser montada. Por sua vez, ter um saco de dormir ou tenda para armar próximo ao fogo é essencial para não sofrer com o frio durante a noite. Porém não podemos montar nosso dormitório próximo demais das chamas para não sofrer com o calor excessivo. Ainda é possível usar um panelão para cozinhar alimentos na fogueira, ferver água ou então usar um kit de alquimia para preparar poções. Isso, claro, se você não quiser ir direto para a cama, onde temos que escolher quanto tempo ficaremos dormindo e quanto tempo ficaremos de vigília, para diminuir as chances de uma emboscada.

Isso tudo apenas para dormir por algumas horas e recuperar seus pontos de vida e energia. O jogo possui vários sistemas como crafting, buffs e debuffs, iluminação, temperatura, velocidade de movimento, capacidade da mochila, peso que seu personagem aguenta carregar e até bolsos extras que algumas armaduras dão. Tudo influencia tudo no jogo, o que deixa a experiência bem complexa, mas também muito imersiva e divertida.

Combates desafiadores sem ser punitivos

Outro aspecto muito relevante de Outward são os seus combates. Nas primeiras experiências de jogo já é possível fazer associações muito claras com o subgênero Souls Like. São combates mais estratégicos, mesmo que em tempo real e totalmente dinâmicos. Independente dos seus itens, pontos de ataque e defesa, não é nada inteligente sair balançando a sua arma sem nenhuma tática contra qualquer inimigo. Isso porque, em Outward, basta dois ladrões aparecerem ao mesmo tempo que as coisas fiquem verdadeiramente complicadas.

O interessante é que a experiência de combate do jogo vai para além de ter uma armadura boa e uma arma implacável. Ter noção de quando atacar e quando defender, saber a movimentação básica de cada inimigo, fazer os preparos certos de poções com bônus de dano e resistência, encantar a arma com um elemento que te dê vantagem contra o inimigo a ser enfrentado… tudo conta para o sucesso do combate.

Junte a isso o fato de que cada tipo de arma tem uma mecânica diferente de movimentação e tempo de reação. Já as armaduras possuem porcentagens complexas de defesa, resistência, bônus e fraquezas de movimentação e temperatura e muito mais. Tudo isso junto faz com que os combates sejam realistas, desafiadores e bastante instigantes. A cereja do bolo talvez seja a mecânica de “não morte”, que impede o jogo de ser demasiadamente punitivo e aumenta a sua imersão. Vamos falar mais disso na próxima seção.

Um destino diferente da morte

Talvez boa parte do trunfo narrativo de Outward esteja nas mecânicas de jogo que são utilizadas de forma brilhante. Como todo bom jogo de sobrevivência, precisamos nos preocupar com alguns pontos básicos do nosso personagem como sede, fome e sono. Porém, Outward vai além nos apresentando algumas características extras como possibilidade de infecção por mordida, envenenamento, indigestão por comer alimentos crus ou beber água suja, resfriado ou pneumonia por frio excessivo, desidratação por calor e muito mais.

Tudo tem uma saída possível e minimamente acessível, bastando o jogador estar atento ao que acontece com o seu personagem. Além disso, todos estes estados possuem algum efeito negativo que obriga o jogador a correr atrás de uma saída para aquilo. Infecções podem piorar e causar um estado de “coma”, sede e fome aumentam a quantidade de dano que você recebe e diminuem sua taxa de recuperação, já o  sono diminui gradativamente seu total de vida e energia, o que só será recuperado com uma noite bem dormida.

Tudo isso é complementado pela mecânica de “não morte”. Em Outward, nosso avatar não é morto em combate e aparece uma tela para retornar no último ponto de salvamento. Aqui tudo que fazemos interfere na história e possui uma consequência. Assim, nosso personagem, quando derrotado, desmaia e, dependendo de como e onde é derrotado, será levado para um determinado lugar com uma determinada história por trás.

Caso seja derrotado por bandidos, por exemplo, você pode ser levado como prisioneiro para uma mina onde será feito de escravo e uma sequência de missões estará ao seu dispor. Nessa situação, você acordará numa cela, dentro de uma mina, com uns trapos e uma picareta, sem nenhum dos seus equipamentos anteriormente utilizados.

Já em outras situações, você pode dar a sorte de ser encontrado por um andarilho que te levará para um local seguro, seja uma caverna inabitada ou de volta para a cidade ou vilarejo mais próximo. Quanto aos itens perdidos, não se assute, sempre existe um modo de recuperá-los, seja este modo fácil ou bastante desafiador. Mas tudo é pensado de forma que o jogo seja desafiador sem ser punitivo.

Todo esse estado de “não morte” aumenta consideravelmente a imersão no universo do jogo, além de criar situações quase únicas que nos fazem ter uma experiência bastante singular. Mesmo que ao longo de umas 20 horas de jogo você comece a perceber alguns padrões nos acontecimentos, a mecânica em si não é estragada. Tudo isso deixa a exploração muito divertida, o que é o ponto alto da experiência de jogar Outward, seja sozinho ou em dupla.

Multiplayer aventuresco

E por falar em experiência, Outward funciona muito bem no single player e conseguiu me prender por mais de 50 horas sem um companheiro ao lado. Entretanto, quando temos a opção de jogar com um amigo, seja com a tela dividida no local multiplayer ou online com outro colega que possua o jogo, as coisas conseguem ficar ainda melhores. Isso porque, mesmo que o jogo funcione de forma excelente individualmente, ele foi pensado para ser jogado em dupla.

Isso faz com que a experiência multiplayer seja fantástica. Explorar o mundo, acampar, desbravar cavernas, enfrentar monstros e descobrir tesouros em dupla é muito mais divertido e imersivo, dando ainda mais a sensação de estarmos em um RPG de mesa. Fazemos nossas próprias aventuras ou seguimos com a campanha do jogo, tudo depende do que você quer fazer no momento. Mas, independente do que faça, jogar em equipe é muito mais divertido.

Infelizmente, certos elementos da jogatina em dupla estão um pouco confusos ainda, mas devem ser ajustados em futuras atualizações. Itens únicos das missões principais, por exemplo, ficam acessíveis somente para um jogador, dando pouco incentivo para que jogadores em dupla façam missões principais do jogo juntos. Felizmente, o sistema de multiplayer lembra o da franquia Borderlands, com cada jogador tendo como “save” seu próprio personagem, fazendo-o migrar entre o próprio mapa o mapa dos amigos, levando e trazendo equipamentos e itens consigo.

Além disso, a tela dividia funciona surpreendentemente bem. Obviamente ela exigirá maior poder de processamento, principalmente se você estiver jogando no PC. Entretanto, a transição entre mapas e até como algumas mecânicas mais complexas como a de dormir foram pensadas para funcionar em dupla são bem agradáveis.

Nem tudo é perfeito

Infelizmente Outward possui alguns probleminhas que me impedem de falar que o jogo é perfeito, mesmo que ele chegue muito perto disso em alguns aspectos. Temos alguns bugs em quinas específicas do mapa que podem estragar sua aventura e isso é bem grave. Alguns poucos encontros de texturas não estão fechados como deveriam e fazem seu personagem cair pelo chão, ficando agarrado eternamente. Só é possível sair dali com o botão secreto de morte instantânea ou esperando ele morrer por outros fatores.

Felizmente isso aconteceu somente duas vezes em mais de 80 horas de jogo. Mas o ideal seria não acontecer jamais. Próximo a este problema, temos também algumas paredes invisíveis que simplesmente não precisavam existir. Árvores tombadas pelas quais não podemos passar por baixo, becos em cidades muito convidativos mas que simplesmente possuem uma parede invisível na frente entre outras coisas. Nos momentos que nos deparamos com algumas dessas paredes, a imersão que o jogo muito bem constrói é quebrada um pouquinho, o que também não é bom.

Por fim, outro incômodo que vale ser ressaltado, é a quantidade de telas de carregamento que o jogo possui. Em alguns momentos, como ao sair de uma casa para as ruas de uma cidade, não temos essas telas. Entretanto, para dormir, para sair da cidade, para entrar em uma caverna, para consertar equipamentos, para viajar entre dois grandes mapas, quando somos derrotados em batalha, tudo precisa de uma tela de carregamento que às vezes é bastante lenta. Felizmente os mapas do jogo são bem grandes, dando a sensação de liberdade na exploração, mas as telas ainda assim incomodam.

Uma aventura única

Chegando no final de 2019, não acho um exagero dizer que Outward é, sem dúvidas, um dos melhores RPGs do ano. Mesmo com alguns pequenos problemas e sendo uma franquia nova, de um estúdio mediano e com pouca visibilidade; sua originalidade, trabalho bem feito na maior parte do tempo e mecânicas incríveis fazem dele um dos melhores títulos do gênero na atualidade, rivalizando mesmo com os grandes AAA do mercado.

Logicamente, assim como os games do gênero Souls Like, Outward não irá agradar a todos. Ele é um jogo denso, altamente desafiador e, mesmo que não seja punitivo, pode ser visto como tal por jogadores que não estão acostumados com esse tipo de proposta. Mas ser voltado para um nicho específico não faz dele um jogo menos incrível. Na verdade, ter coragem de não tentar agradar a todos é uma das características que permitiram que este jogo fosse mais longe do que normalmente vemos atualmente na indústria.

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1 comentário

mobile legends 3 de dezembro de 2019 - 15:42 at 15:42

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