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Literatura

Os Estranhos | Universal Pictures consegue os direitos do livro de Stephen King

James Wan será o produtor e possível diretor do filme

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Os Estranhos é um dos livros mais interessantes do mestre do terror Stephen King.

Publicado originalmente em 1987, sua trama mostra como a vida muda em Haven, no Maine, após a queda de uma nave alienígena, cujos gases alteram o comportamento das pessoas e criam o mais puro caos e terror na cidade.

Interessada na trama, a Universal Pictures comprou os seus direitos cinematográficos, vencendo as rivais Netflix e Sony. Assim, ela poderá fazer um filme adaptando o livro.

James Wan está cotado para dirigir o filme, mas já é certo que ele será um produtor com sua Atomic Monster.

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Formado na arte de reclamar, odeia a internet. Ainda assim, sua hipocrisia sem limites o permite administrar a página no Facebook, plataforma de divulgação do seu primeiro livro. Você também pode seguí-lo em @thomshoes no Twitter, mas provavelmente é uma má ideia...

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Literatura

Retrogaming | Livro Definitivo Master System & Game Gear é anunciado

Homenagem aos 30 anos do Master no Brasil traz a história de todas as versões do Master System, do Game Gear e de seus antecessores, além de reviews de todos os jogos para as plataformas

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A WarpZone anunciou que seu mais novo projeto editorial, o livro Definitivo Master System & Game Gear, está com sua campanha de financiamento coletiva aberta.

Idealizado em homenagem ao aniversário de 30 anos do lançamento brasileiro do Master System, o livro deve contar a história tanto do primeiro videogame e quanto do primeiro portátil da SEGA lançados oficialmente no Brasil pela Tectoy.

O projeto promete trazer um “extenso e inédito resgate histórico sobre todas as versões dos dois aparelhos, além de reviews de todos os jogos lançados e de um profundo mergulho nos bastidores da chegada e do sucesso de ambos os consoles no país.”

“É uma satisfação muito grande poder registrar a história dos videogames no Brasil desde os anos 80, principalmente de um mercado em que a Tectoy foi pioneira, falando dos primeiros consoles da SEGA, com foco no Master System e Game Gear. São 30 anos de um sucesso absoluto e queremos comemorar ao lado de uma geração inteira de fãs do Master System,” comentou Cleber Marques, Sócio-fundador da WarpZone.

Com a participação de figuras-chave do cenário nacional e internacional de games como desenvolvedores, executivos, jornalistas, fãs, além do endosso oficial da Tectoy, o livro Definitivo Master System & Game Gear fica em campanha no Catarse por um período de 72 dias e tem como meta de produção um orçamento de R$50.000,00 e lançamento programado para fevereiro de 2020.

Com mais de 20% da meta atingida já nas primeiras horas e atualmente já passando da marca dos 40%, o livro apresenta diversos níveis de recompensas para os apoiadores do projeto, tais como pôsteres, card, marca páginas, uma “luva” de luxo que reproduz a caixa do Master System original, e até a possibilidade da participação do público com suas histórias pessoais de paixão com o Master e o Game Gear.

A equipe da WarpZone já emplacou uma série de campanhas bem sucedidas na plataforma Catarse e que envolveram outros temas também queridos pelos fãs de videogames no Brasil. Livros como Mega Drive Definitivo, Essencial: The King of Fighters, Essencial: Street Fighter e Essencial: Resident Evil são exemplos de lançamentos da WarpZone também via financiamento coletivo.

O livro tem como foco o Master System (bem como seus antecessores SG-1000, SG-1000 II, SC-3000 e Sega Mark III) e o Gamer Gear, abordando a história dos primeiros consoles da SEGA e trazendo a análise de mais de 700 jogos. Dentre os tópicos prometidos para o novo livro estão a história do Master System e Game Gear no mundo, a Tectoy e o Master System/Game Gear, um índice de jogos e muito mais.

“A geração 8-bit foi o alicerce dos videogames no Brasil, a Tectoy foi pioneira, investindo inclusive na criação de jogos nacionais que são até hoje motivo de desejo no mundo todo. É um orgulho falar sobre isso,” explica Ivan Battesini, Sócio na WarpZone.

O livro Definitivo Master System & Game Gear deve contar com a participação de diversas figuras ilustres, como os já confirmados Stefano Arhnold (co-fundador e atual presidente do conselho da Tectoy), Alexandre Pagano (ex-designer da Tectoy responsável por games como Mônica no Castelo do Dragão), Roberto “Orakio/Gagá” Bechtlufft (especialista em Phantasy Star), Paulo José (criador do personagem Sapo Xulé) e Flávio Antônio (um dos maiores colecionadores de Master System Tectoy do Brasil).

O projeto de financiamento coletivo do livro Definitivo Master System & Game Gear fica aberto para apoio no Catarse até 10 de agosto de 2019 e tem lançamento previsto para fevereiro de 2020.

Para apoiar o projeto ou obter maiores informações, visite a página do livro Definitivo Master System & Game Gear no Catarse.

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Games

Entrevistamos Blake J Harris, autor de A Guerra dos Consoles

SEGA ou Nintendo? De que lado você estava?

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Blake J. Harris é o autor do livro A Guerra dos Consoles, publicado no Brasil pela Editora Intrínseca. Atualmente está em produção pela Legendary um seriado chamado Console Wars, inspirado nos eventos citados no livro, que explora os bastidores da guerra entre SEGA e Nintendo nos anos 1990. Confira logo abaixo a entrevista com o escritor na íntegra, e também seus melhores momentos em vídeo!


Veja também:


PlayReplay: Oi Blake, é um prazer falar com você!

Blake J. Harris: Olá, todo mundo! Talvez vocês não saibam, mas, antes de escrever A Guerra dos Consoles, meu trabalho era com venda de commodities na Financial Broadbridge para clientes brasileiros, como a Haisan,Petrobrás, então a gente negociava café e soja, por isso eu amo o Brasil, ele sempre terá um lugar especial no meu coração. Trabalhei nisso por oito anos, então é um prazer estar falando com você.

Como o lançamento de A Guerra dos Consoles mudou a sua vida? Como tem sido a reação dos leitores ao longo dos anos?

Essa é uma ótima pergunta. Minha vida mudou completamente. Quer dizer, acho que já mudou um pouco antes do livro sair, porque, como falei, antes do A Guerra dos Consoles eu tinha um trabalho normal, acordava umas 05:30 ou 6h da manhã, ia para a cidade negociar commodities, e escrever era o meu sonho. Com A Guerra dos Consoles eu consegui fazer isso em tempo integral. Mas sobre o que você perguntou sobre a reação dos leitores, foi incrível. Eu não sabia o que esperar. Antes do livro sair, as únicas pessoas que tinham lido as coisas que eu escrevia eram minha mãe e minha esposa, então, sabe, ter estranhos por todo o mundo lendo, isso, por si só, é bem legal… e a maioria parece ter gostado mesmo, o que é legal…

E claro, tem o pessoal que não gostou, o que também foi uma experiência interessante, boa por duas razões. Primeiro, às vezes quem não gostou tem críticas construtivas que me ajudam a melhorar como escritor, e além disso, eu lembro que quando o livro foi lançado e teve algumas críticas ruins, eu ficava triste, você sabe, era diferente para mim, mas o processo de se acostumar com isso… tipo, existe negatividade lá fora, mas isso não representa o todo. Mas, como eu disse, A Guerra dos Consoles mudou a minha vida. Conheci tantos fãs incríveis do livro, da SEGA, da Nintendo ou de videogames em geral nos últimos anos, e isso foi incrível.

Console Wars conta a história de Tom Kalinske na SEGA (reprodução / blog da Tectoy)

Console Wars conta a história de Tom Kalinske na SEGA (reprodução / blog da Tectoy)

Sabe, uma das coisas que eu realmente gostava na ideia de A Guerra dos Consoles antes de escrevê-lo era que bastava mencionar o tema para amigos ou qualquer um, e cada um tinha suas próprias histórias. Eles queriam saber da história de bastidores que eu estava escrevendo, claro, mas também relembravam tipo “Ah, no meu aniversário de 9 anos eu ganhei tal console…”, então é ótimo que este seja um livro que deixa as pessoas se conectarem através do Tom Kalinske, ou Peter Main, ou Sonic ou Mario, mas também é uma experiência bem pessoal para tantas pessoas. No futuro, eu sou escritor e quero terminar meu segundo livro, e é muito mais fácil conseguir entrevistas e todas essas coisas depois do A Guerra dos Consoles. Meu novo livro já está quase pronto, e ele só é possível graças ao A Guerra dos Consoles, então isso é maravilhoso também.

Lendo A Guerra dos Consoles, seu jeito de escrever me lembrou bastante o ritmo de um bom filme de aventura do Steven Spielberg nos anos 1980. Isso foi uma decisão consciente? E você espera levar o mesmo ritmo do livro para o seriado que está sendo produzido agora mesmo pela Legendary?

Bom, primeiro eu só quero dizer que eu honestamente gosto desse estilo, escolhi escrever assim porque eu gosto de ler coisas assim. Mas foi interessante que algumas das críticas negativas ao livro apontaram que soava falso demais, mas as pessoas sobre quem o livro é sobre diziam “Você reproduziu muito bem o momento, foi bem assim!”, então foi engraçado que quem não estava lá achou o livro meio falso, e quem estava lá achou bem fiel.

É legal que o livro deixe as pessoas se conectarem através do Tom Kalinske, Peter Main, Sonic e Mario…

Ainda antes do lançamento do livro a gente iria fazer um filme sobre ele com o Seth Rogen, Evan Goldberg e Scott Ruben, e o desenvolvemos pelos últimos anos, mas em certo ponto decidimos gravá-lo como uma série de televisão, o que me deixou muito feliz. O livro tem mais de 550 páginas, acho que é uma história bem longa, então quando isso ia virar um filme de 90 minutos, claro que apoiei bastante e era ótimo, mas saber que agora teremos cerca de 11, 12 episódios vai ficar muito melhor. Nesse momento, estamos com o Jordan Vogt-Roberts na direção e Mike Rosolio com o roteiro, e o Mike está fazendo a estrutura do piloto e da série em geral, e eu estou lendo tudo e dando feedback, e a maioria do que foi escrito é muito, muito boa.

Entre todas as pessoas que você entrevistou para A Guerra dos Consoles, quais foram as entrevistas mais complicadas de fazer?

Ah, é uma ótima pergunta! Eu diria que os dois mais difíceis para mim… bom, foram difíceis de formas diferentes… Tom Kalinske é provavelmente um dos caras mais legais e acessíveis que eu já conheci, acho que dá para ver isso no livro, você vê que ele é um cara extrovertido e que diverte os demais, mas, para mim, essa foi a primeira grande entrevista que fiz. Então, nunca tendo entrevistado alguém, foi difícil. Felizmente, ele tornou tudo mais fácil para mim, porque qualquer pergunta que eu fazia tinha 10 minutos de resposta.

Eu provavelmente entrevistei 20, 30 pessoas antes dele, já tinha falado com o Al Nielsen, e era tudo meio oito ou oitenta. Em geral, as pessoas eram mais amigáveis e receptivas do que eu esperava, considerando que eu nunca tinha escrito um livro. Porque foi uma época tão especial em suas vidas, então mesmo sem saber se o meu livro seria mesmo publicado um dia, ou o que iria acontecer, passavam uma hora conversando comigo. O que poderia dar errado, né?

Al Nilsen, Shinobu Toyoda e Tom Kalinske ajudaram a SEGA a enfrentar a Nintendo de igual para igual

Al Nilsen, Shinobu Toyoda e Tom Kalinske ajudaram a SEGA a enfrentar a Nintendo de igual para igual

Mas em termos de qual foi a entrevista mais difícil de conseguir marcar, e era muito importante, foi o Nakayama-san. Ele não tinha me respondido a princípio, nem achei que ele iria responder por causa da sua reputação. Mas calhou de eu estar visitando o Japão fazendo um documentário como freelancer para a SEGA, e ele me mandou um e-mail do nada dizendo “esteja no seu hotel 4 da tarde na sexta-feira e alguém vai te buscar”, então ele me levou para a sua casa, e eu me lembro que seu lar era lindo, a terceira maior casa de Tokyo, e eu entrei nessa sala gigantesca, com uma mesa colossal de jantar… bom, não de jantar, mais de trabalho, deviam caber umas 15 pessoas nela, não tinha nada nem ninguém lá, só revistinhas sobre jatos particulares. E é claro que alguém colocou isso lá para ser visto, não é como se ele estivesse lendo aquilo por acaso, ou se estivesse lendo isso logo antes de eu chegar. Fiquei lá por algumas horas e foi muito fascinante.

Lembra de alguma história interessante de bastidores sobre o mercado brasileiro?

Certo, isso é interessante porque, bom, eu devo mencionar ao seu público que o livro, como você disse, saiu em 2014, quase cinco anos atrás, então infelizmente eu esqueci um pouco dessas coisas, mas lembro vagamente de quando estava falando com o Peter Main, o vice presidente de vendas e marketing da Nintendo, eu estava perguntando sobre outros territórios e perguntei sobre o Brasil, por gostar do país, como era possível eles não terem presença tão forte no Brasil.

entrevistei mais de 200 pessoas e cada uma delas tinha uma ou duas ótimas histórias.

E era por causa do mercado cinza e, você sabe, a ilegalidade, a pirataria, e isso aconteceu na indústria… talvez não devesse, mas acontece, e a Nintendo estava tão focada em ter o controle das coisas que decidiu “Não, não vamos para lá, perderíamos dinheiro.” Bom, talvez não perder dinheiro, mas pelo menos não ganhar tanto quanto poderia, achei interessante.

Entre as centenas de entrevistas que você fez, tem alguma história legal que você acabou deixando de fora do A Guerra dos Consoles?

Houve tantas histórias! Eu entrevistei mais de 200 pessoas, e cada uma delas tinha, pelo menos, uma ou duas ótimas histórias. Algumas delas não encaixavam com as histórias dos outros, mas, sabe, foi muito difícil para mim, como escritor estreante, então no fim das contas eu tentei colocar o livro acima do meu ego e do deles, fazendo o que parecesse melhor para a narrativa geral, para contar o legado da SEGA com precisão, ao menos na parte dos negócios. Mas às vezes eu precisava deixar de fora algumas histórias muito boas, muitas delas eram de atletas, porque eu gosto de jogos de esporte, e teve outras boas com o Michael Jackson visitando os escritórios, mas as que realmente me vêm à mente são as histórias da EA Sports.

Eu era muito fã de jogos de esporte e pessoalmente amo o NHL 94, e lembro de um dos desenvolvedores me contar sobre sua visita à um encontro da Associação dos Jogadores da NHL em San diego em 1993, e um dos Enforcers foi puxar briga com ele porque seu atributo de inteligência no jogo era zero. Eu amo a ideia dos geeks desenvolvedores de jogos estabelecendo uma conexão com atletas de verdade

Seu próximo livro vai se concentrar na história da Realidade Virtual. A tecnologia progrediu do jeito que você estava esperando quando começou a escrever? Acha que os videogames estão tirando bom proveito dos óculos de RV?

Você está fazendo perguntas muito boas! Bom, esse foi um livro que eu passei muito tempo escrevendo, foram três anos com o Guerra dos Consoles, e agora três anos e meio com o novo, e eu menciono isso porque, se você me perguntasse a mesma coisa três anos atrás, eu provavelmente responderia algo mais otimista sobre a Realidade Virtual, especialmente no que diz respeito a videogames.

A Sega também apostou em nomes famosos como Michael Jackson na console wars

A Sega também apostou em nomes famosos como Michael Jackson na console wars

Foi o que inicialmente chamou minha atenção, já que eu tinha trabalhado no Guerra dos Consoles e amo a indústria dos videogames, e então a Oculus, eles começaram no Kickstarter, levantaram alguns milhões de dólares lá, tudo com a promessa de entrar com tudo nos jogos, seria um dispositivo para te ajudar a atravessar a tela, era voltado para os jogadores. Acabou sendo uma ótima abordagem de marketing para essa mídia, porque na época, e até mesmo hoje, você precisa de um computador top de linha, tipo os PC Gamers e designers gráficos, então parecia um par perfeito. A Oculus foi vendida para o Facebook em 2014 por 3 bilhões de dólares, e isso lhes deu recursos suficientes para fazer um monte de coisas para a indústria que eu admiro. Tenho sentimentos mistos sobre o Facebook, mas aprecio que investiram tanto na Realidade Virtual. Mas, ao mesmo tempo, sinto que eles pararam de se focar no mercado de videogames e perderam uma grande oportunidade.

Então, respondendo sua pergunta original, se eu acho que isso vai ser parte dos videogames e o que vejo para o futuro, no longo prazo ainda acredito na realidade virtual. Se eles conseguirem incorporar os aspectos de eSports, ampliar os aspectos de comunidade, isso seria muito bom. Mas eles não fizeram um trabalho muito bom até agora. Lembro de quando a Oculus começou e a Realidade Virtual se popularizou, todo mundo pensou de cara que seria ótimo para jogos de tiro em primeira pessoa, vai ser ótimo, agora você está dentro do jogo! Mas isso acabou não se popularizando tanto, alguns até causavam enjoos nos jogadores, então a gente achava que viria um killer app nisso, mas acabou não acontecendo.

Mas acho que vai acabar se resumindo ao killer app, por mais que isso soe nebuluso. Sabe, por maior que a NIntendo fosse, será que eles teriam ficado tão grandes sem ter um Mario e suas outras estrelas? E a SEGA também, com o Master System, o Mega Drive saindo dois anos antes do Sonic existir, ele só ficou muito popular depois do Sonic aparecer.

Acredito muito na realidade virtual, mas estou desapontado por onde ela está agora

Então o meu livro fala bastante sobre o mercado de hardwares, mas como vimos falando da SEGA, no fim acaba se resumindo a software. O facebook certamente está mais focado no aspecto social da coisa. Tem a Valve, com a HTC… eles fazem ótimos jogos, mas não frequentemente o bastante. Então eu espero que eles estejam trabalhando em algo para a realidade virtual para empolgar a indústria. E quanto à Sony, eu realmente admiro a empresa, apesar de entrarem tarde no jogo, estão fazendo o que eu esperava que a Oculus fizesse, investindo em conteúdo. Aos pouquinhos eles venderam alguns milhões de kits de Realidade Virtual. É uma pequena fração perto das vendas do PS4, mas mesmo assim ainda vejo a tecnologia como o futuro.

Eu penso um pouco mais no sentido de consoles, porque tipo, usando até um estereótipo, sabe, os smartphones e tablets de jogos, o mercado mais casual, é para eles que estão apelando, enquanto os consoles, com seus investimentos de 400 ou 500 dólares, tem jogadores mais devotados. Para algo tão imersivo quanto a Realidade Virtual, acho que teria mais apelo para essa demografia. Acho que esse foi um jeito longo de dizer que eu ainda acredito muito na realidade virtual, mas estou desapontado por onde ela está agora, desapontado pelos eventos que citei em meu livro, eu gostaria que ele tivesse um final mais feliz.

Como é a sua relação com os videogames hoje em dia? Joga bastante coisa nova?

Eu não jogo tanto videogame, eu gosto do Twitch, gosto de ver outras pessoas jogando, talvez por eu ser um péssimo jogador. É que eu gosto muito do aspecto artístico, quase fico mais empolgado vendo um trailer de jogo e imaginando suas possibilidades do que jogando em si… bom, talvez nem tanto. Mas acho que me ajuda como escritor não ser uma pessoa que gasta 10 horas por semana jogando, só gasto umas duas horinhas e logo quero experimentar outra coisa.

Acho que isso me deu um pouco de perspectiva externa, alguém que separa o hardware, o software e o lado dos negócios. Então eu aprendi a amar a indústria dos videogames, sua comunidade. E tem as mídias sociais, onde vejo os jogadores sendo criticados de um jeito que elas não merecem. Então sabe, eu definitivamente defenderia os jogadores, amo todas as minhas experiências com jogos, mas eu não sou tão jogador assim.

De qual lado você ficou na grande Guerra dos Consoles? Nintendo ou SEGA? Quais eram seus jogos favoritos na época?

Meu segredinho sujo, que sempre me provocam, tipo o Tom e o Al Nielsen, é que eu realmente amo os jogos da Nintendo. Se eu tivesse que ir para uma ilha deserta e levar só um jogo, ou eu levaria o NHL 94 ou Super Mario Bros. 3, então o Tom e o Al ficavam tipo “aaah, vai, leva um jogo do Sonic!” mas, como criança, minha experiência foi de jogar um Nintendo 8 Bits com meu irmão, eu nasci em 1982, então eu era bem criança na época em que o Super Nintendo chegou, eu devia ter uns 9 anos.

Em 1991. meu irmão e eu queríamos muito muito mesmo um SNES, amávamos o nosso Nintendo e meus pais, que são ótimas pessoas, não queriam dar um pra gente, meu pai disse que “A Nintendo tem um Super Nintendo agora, vão ter um Super Super Nintendo depois, um Super Super Ultra Nintendo depois”, então achavam que estavam sendo enganados pela empresa ou algo assim. Bom, ele até estava certo sobre ter mais consoles depois, mas foi interessante porque sua verdadeira objeção era que não dava para jogar os cartuchos 8 bits no console 16 bits, algo que era muito complicado para os pais entenderem na época.

Super Mario Bros. 3 e NHL 94 são alguns dos jogos favoritos de Blake J. Harris

Super Mario Bros. 3 e NHL 94 são alguns dos jogos favoritos de Blake J. Harris

Mas já como adulto, quando eu comecei com o Guerra dos Consoles, parte da minha inspiração foi lembrar que alguém, em alguma sala de reuniões, tinha tomado essa decisão de não fazer os sistemas retrocompatíveis. Eles poderiam, mas isso custaria mais dinheiro, uns 75 dólares a mais ou que seja, e foi por causa dessa decisão que eu fui parar na SEGA, me tornei um garoto fã da SEGA. Eu os amava, porque, como eu disse, eu adoro jogos de esporte, e acho que a SEGA era bem melhor nisso, especialmente com os jogos da EA Sports.

Além disso, sendo uma criança na época, com tanto da minha identidade sendo formada pelo que eu amava, se eu realmente achava que a SEGA estava aqui no topo, e a Nintendo aqui do lado, eu na verdade me comportava como se fosse uma distância muito maior, tipo “essa Nintendo é uma droga!” Eu era bem fãzinho da SEGA, mas, como disse, meu segredinho sujo é que eu amo o Mario. Hoje em dia o que eu mais jogo é Nintendo, nunca gostei muito de jogos de tiro em primeira pessoa, então tipo, acabei de pegar o Super Smash Bros. Ultimate para jogar depois de terminar de escrever meu livro, então tem isso, o mario Kart, e… NBA 2k19!

Você acha que algum dia veremos algo parecido com A Guerra dos Consoles, ou foi algo especial que nunca mais vai se repetir?

Essa é a melhor pergunta! A pergunta que eu me faço todos os dias! Eu amo a Guerra dos Consoles, tipo.. existe uma linha que não se deve cruzar quando se conversa com alguém, debatendo com ela, e da minha experiência infantil, acho que essa linha nunca foi cruzada pelas empresas, era só provocação e piadas, o que eu adorava e acho que ajudou a formar a minha identidade.

Infelizmente para mim, mas talvez felizmente para outros, Phil Spencer e a Sony, a Nintendo um pouco mais por fora, seus executivos são mais explicitamente ativos em tentar fazer as pazes, não tentam nem se provocar ou fazer piadinhas sutis, e acho que é uma boa decisão de negócios isso, acabaria não valendo a dor de cabeça. Pessoalmente, eu gostaria que fosse um pouco diferente, embora parte do motivo provavelmente seja que os dois consoles, PS4 e Xbox One, são tão parecidos entre si. Não são iguais, mas especialmente quando saíram, achava que nenhum deles tinha a sua própria identidade, demorou um pouco para as encontrarem. Às vezes a competição te ajuda a moldar sua identidade, então senti falta disso na época do lançamento.

Não acho que a gente vá ter qualquer Guerra de Consoles novamente

Infelizmente eu não acho que outra Guerra dos Consoles vá acontecer, e isso não é triste só para mim, eu acho… eu sou um grande fã de competição como um meio para a inovação. Se tivesse uma companhia competindo com a Sony e Microsoft desse jeito, porque a Nintendo é uma empresa mais família, fica em outro espaço, acho que obrigaria todas as empresas a serem ainda melhores. mas é tão caro. Sabe, uma das coisas mais interessantes dos tempos da Guerra dos Consoles é que os jogos, sabe, eles custavam meio milhão de dólares, ou alguns milhões de dólares para fazer, então você podia correr mais riscos, fazer um jogo estranho como Toejam & Earl, e os consoles eram muito caros com sua Pesquisa e Desenvolvimento, era muito dinheiro, mas uma fração do que se gasta hoje em dia. Então hoje não dá para correr tantos riscos.

Toejam & Earl conseguiram lançar um novo jogo, agora multiplataforma, graças ao Kickstarter

Se bem que um desenvolvimento interessante, mesmo sem impacto para Guerra dos Consoles, é que hoje em dia você até poderia sim fazer um jogo tipo Toejam & Earl por causa da cena de desenvolvedores indie. Inclusive o próprio Toejam & Earl tiveram um Kickstarter pro seu novo jogo, e esses desenvolvedores indie querem estar no máximo de plataformas possível. E não dá para culpá-los, eu também iria querer isso no seu lugar. Então quem sabe eu sou só um daqueles que ganham dinheiro com guerras, e estou chateado por não ter uma acontecendo agora. Mas eu não vejo mesmo uma guerra nova acontecendo no futuro próximo.

Oculus foi uma empresa interessante de acompanhar por esse motivo, já que eles eram uma empresa jovem fazendo hardware bem diferente e de ponta, um periférico, mas no fim do dia até eles acabaram sendo vendidos para o Facebook, em grande parte graças aos seus recursos, para poder competir com a Valve, HTC, com a Sony, para poder fazer o que queriam fazer. Então sabe, se até com uma história dessas eles acabaram não podendo ser independentes, então… não acho que a gente vá ter qualquer Guerra de Consoles novamente no futuro.

Muito obrigado pela conversa e por ter escrito um ótimo livro!

Obrigado a você, por fazer perguntas ótimas. Eu já fiz várias entrevistas e normalmente as pessoas não fazem boas perguntas, então eu sempre aprecio quando isso acontece. E muito obrigado a todos os seus fãs, espectadores e ouvintes. Para mim, eu acordo todo dia e ainda tenho aquela mentalidade de alguém que precisa trabalhar das 9 as 17h, a mesma de quando eu trabalhava com as commodities brasileiras, eu gostava e tal, mas não era o emprego que eu queria ter. Então agora, eu sinto que estou vivendo o meu sonho todos os dias. E por lembrar tão bem de como era antes disso, eu sei que a razão pela qual vivo meu sonho é por causa dos fãs e leitores por aí, então obrigado a você, por seu entusiasmo, e obrigado a todos que viram essa entrevista!

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Literatura

Bienal do Livro | Novo livro de Ziraldo e Maurício de Sousa reunirá Mônica e Menino Maluquinho

Editora Melhoramentos lançará Montanha Mágica

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Dois dos maiores nomes da história dos quadrinhos nacionais, Ziraldo e Mauricio de Sousa se uniram na Bienal do Livro de São Paulo para revelar o crossover entre Menino Maluquinho e Turma da Mônica. Confira:

No livro da Editora Melhoramentos, os personagens das duas franquias se juntam para visitar a Montanha Mágica, o prêmio por achar bilhetes dourados em barras de chocolate.

Participam da aventura Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão, Franjinha, Bidu, Menino Maluquinho, Bocão, Julieta, Junim e Lúcio. Parece um prato cheio para qualquer fã das duas franquias!

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