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Opinião: O New 3DS é mesmo necessário?

Já virou tradição: a cada geração a Nintendo lança um novo portátil e, ao longo dos anos, o aparelhinho vai ganhando diversas novas versões. Sejam elas edições especiais ou apenas repaginadas no visual, o ponto é que tem ficado cada vez mais difícil decidir o momento certo de investir em um portátil da Big N.

Pra entender melhor como tem funcionado, vamos voltar um pouco no tempo. Em 1996, a Nintendo já estava fazendo uma pequena fortuna com o Game Boy. O problema é que o aparelho era grande, pesado, e demandava o uso de muitas pilhas (que, por sinal, duravam pouco). Qual seria, então, a melhor solução para o problema? Fazer uma nova versão do GB, oras. Foi assim que surgiu o Game Boy Pocket, que fazia tudo o que seu irmão mais velho fazia — mas era menor, mais leve e consumia bem menos baterias.

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A família Game Boy: “Tijolão”, Pocket, Light e Color

Dois anos depois, em outubro de 1998, chegava às lojas o Game Boy Color. O novo GB, além de menor e mais econômico (em relação às baterias, pelo menos), era capaz de exibir gráficos coloridos. “Mas, Rodrigo, precisava mesmo de mais um Game Boy?” Sim, precisava. Afinal, o GBC nasceu durante a quinta geração dos videogames, enquanto o GB pertencia à quarta geração. Por esse motivo, é totalmente justificável que nem todos os jogos de GBC rodem no Game Boy “tijolão”, mas todos os jogos de GB rodem no Game Boy Color.

O próximo portátil da Nintendo a ganhar novas versões foi o Game Boy Advance, lançado na geração seguinte. Dois anos após a chegada do GBA às lojas, a Big N lançava uma versão atualizada do portátil — o Game Boy Advance SP — com um visual diferente, dobrável, permitindo proteger a tela de arranhões quando guardado na mochila, por exemplo. Pouco tempo depois, uma segunda versão do GBA SP foi anunciada, dessa vez trazendo uma tela muito mais brilhante e nítida, permitindo jogar mesmo em ambientes escuros sem maiores problemas. E aí começou a festa (isso porque nem vou mencionar o GB Micro).

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O GBA SP era dobrável, protegia a tela e ocupava menos espaço na mochila

O Nintendo DS chegou trazendo uma bela retrocompatibilidade com jogos de GBA, recebeu uma nova versão menor com um design mais agradável, o NDS Lite. A primeira versão foi carinhosamente apelidada de NDS Phat, e pouco depois um novo Nintendo DS chegava às prateleiras: o Nintendo DSi. A nova versão do portátil contava com duas câmeras (uma interna e outra externa) e trazia telas maiores, além de compatibilidade com o NDSi Shop. Não satisfeita, a Nintendo lançou ainda uma versão enorme do DSi, chamada Nintendo DSi XL. Para piorar, nem o DSi e muito menos o DSi XL rodam jogos de GBA.

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As famílias DS e 3DS completa — pelo menos até a manhã de hoje

Aí veio o 3DS. Quando o portátil da tela com 3D estereoscópico foi anunciado, muita gente torceu o nariz dizendo “não vou comprar isso agora, daqui a pouco sai uma versão melhorada”. E não deu outra: segundo o exemplo de seu predecessor, o 3DS ganhou uma versão maior e com bateria de maior duração chamado 3DS XL. As duas versões do aparelho têm vendido bastante, sendo provavelmente a galinha dos ovos de ouro da Nintendo nos últimos anos. E ainda rolou o contraditório 2DS, o 3DS sem 3D, mas que faz sentido quando pensamos que tem muita gente que não pode usar o efeito 3D.

Mas então por que diabos a Big N resolveu anunciar um novo 3DS a essa altura do campeonato? Tá certo que o PS Vita, que em teoria é o maior concorrente direto do portátil da Nintendo, exibe gráficos fenomenais e que não rodariam nem a pau no 3DS. Mas o Vita da Sony, mesmo sendo um aparelho sensacional, não faz nem cócegas na Nintendo. Não é como se o pequeno PlayStation representasse alguma ameaça para o portátil da casa do Mario.

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O New 3DS tem mais poder de processamento e o tão desejado segundo Circle Pad

Seria então a “baixa” capacidade de processamento do 3DS a responsável pelo anúncio do New 3DS? Ou a falta de um segundo direcional? Sendo bem sincero: isso pouco importa. Novas versões dos portáteis da Nintendo não são novidade e, mesmo que os fãs reclamem, muita gente acaba comprando (seja para colecionar ou substituir a versão anterior). Na verdade, é até bom que a Nintendo dê aos seus fãs a possibilidade de escolher qual o modelo do seus aparelhos eles preferem comprar.

A única coisa que realmente me incomoda nessa história de New 3DS são os jogos exclusivos para essa nova plataforma.

Como o novo 3DS vai ter muito mais poder de processamento e diversos botões que não existem nos demais 3DS, alguns de seus jogos simplesmente não vão rodar nos seus irmãos mais novos. E isso é ruim, pois restringe os jogos e acaba ou forçando os jogadores e comprarem uma versão nova de um console que eles já têm ou simplesmente afasta os fãs. Acredito que, no final das contas, a primeira opção vá prevalecer. Mas, ainda assim, essa jogada da Big N pode não soar muito justa.

Desde que a notícia do novo 3DS surgiu hoje mais cedo, já vi muita gente reclamando. Teve uma galera que acabou de trocar seu 3DS comum por um XL bacanudo. Ou, pior ainda, teve gente que acabou de pegar seu primeiro 3DS. Isso pode acabar desanimando essa galera, que investiu uma grana forte num portátil que em breve pode acabar sendo deixado de lado enquanto seu irmão cheio de botões e gráficos muito mais detalhados toma para si todos os holofotes.

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Além da segunda pastilha direcional, o New 3DS também tem novos botões

Do ponto de vista comercial, esse novo 3DS faz sentido. Agora o portátil vai poder receber novos jogos ainda mais legais, ports de games de sucesso de outras plataformas (vide o já anunciado Xenoblade Chronicles) e vai dar mais um gás na marca da Nintendo, que ainda tem pelo menos mais dois anos de vida antes de chegar ao limiar da troca de geração — levando-se em conta que o tempo médio de vida de um portátil da Nintendo é de cerca de cinco anos.

Já olhando essa situação como consumidor, cliente e grande fã da Nintendo, a coisa é um pouco diferente. Afinal, eu não fiquei particularmente feliz de pensar que, caso queira continuar jogando os ótimos lançamentos da Big N em qualquer lugar, seja no ônibus, no metrô ou no quintal de casa, vou precisar desembolsar mais uma pequena fortuna em um aparelho que eu, em teoria, já tenho.

Mas, afinal, o lançamento do New 3DS é mesmo necessário? Sim e não. Levando-se em conta o histórico de novas versões de seus aparelhos, para a Nintendo faz sim muito sentido lançar um novo 3DS. Mas, para os fãs e consumidores dos jogos da Big N, o New 3DS deixou de ser interessante quando surgiu o papo da exclusividade de seus jogos.

 

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A coluna Opinião traz textos que, como diz seu nome, refletem a opinião de seus autores. Esta matéria não apresenta a opinião da equipe PlayReplay.

 

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