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Opinião: O dia em que a Epic Games matou Fortnite Salve o Mundo

No dia 25 de julho de 2017 era lançado Fortnite Salve o Mundo, um jogo cooperativo de sobrevivência e defesa de torres PvE (ou JvA, isto é, jogador contra o ambiente) que se passava em um mundo pós-apocalítico no qual apenas uma pequena parcela da população sobreviveu ao súbito ataque de uma misteriosa Tempestade.

O mundo agora está repleto de zumbis e monstros criados pela estranha névoa, cabendo aos poucos sobreviventes tentar combater a Tempestade e salvar o mundo. A história do jogo se desenrola basicamente por meio de linhas de diálogo antes, durante e depois das partidas, que rolam em cenários com objetivos específicos (como salvar sobreviventes, defender abrigos ou eliminar carcaças, por exemplo).

Pouco depois, em setembro do mesmo ano, a Epic Games liberou o hit Fortnite Battle Royale, que logo conquistou uma legião de jogadores. Suas cores vibrantes, visual cartunesco e armas diferenciadas logo tornaram o jogo extremamente popular, dominando o cenário dos jogos de batalha real.

E foi aí que começou a decadência do Salve o Mundo. Antes tido como o “jogo base” ou “campanha principal”, com o Battle Royale sendo uma espécie de modo extra, a situação aos poucos foi mudando conforme Fortnite Battle Royale foi ganhando mais e mais tração, deixando o modo coop cada vez mais longe dos holofotes.

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O fim de Fortnite Salve o Mundo

Hoje, quase três anos após o lançamento do Salve o Mundo, a Epic Games liberou uma postagem em seu site oficial falando sobre o Estado de Desenvolvimento do modo JvA de seu jogo mais popular. O texto começa relembrando a trajetória do modo coop, até que de repente tudo começa a ficar claro: era basicamente um texto de despedida.

Depois de gerar bastante hype entre a comunidade de jogadores do Salve o Mundo, avisando que na atualização do patch v.13.20 (liberado hoje, dia 30) teríamos novidades sobre o jogo, uma bomba explodiu no colo dos fãs do modo campanha de Fortnite: basicamente a Epic anunciou que não vai finalizar a história do jogo, deixando Twine Peaks largada às moscas.

O texto também avisa que a partir de agora Salve o Mundo vai receber ainda menos atualizações. Como se o jogo já recebesse uma porção de conteúdo fresquinho com frequência. Ei, Epic, adicionar novos Arcos e Flechas não conta como adição de conteúdo!

A comunidade de Fortnite Salve o Mundo só queria ter mais quests para completar, se aprofundar mais na empolgante e intrigante trama sobre a Tempestade e saber como essa história da humanidade versus névoa iria terminar. Mas nem isso a gente vai saber, já que o jogo respirava por aparelhos e hoje a Epic desligou tudo da tomada.

Fortnite Salve o Mundo
A partir de agora, Fortnite Salve o Mundo não terá mais updates frequentes

Outro ponto importante e que não faz o menor sentido — pelo menos não agora — é que poucos meses depois de anunciar a integração entre os vestiários dos modos Battle Royale e Salve o Mundo, em breve os itens cosméticos adquiridos no Royale não serão mais utilizáveis no modo coop. Que sentido isso faz?

Isso vai tornar o vestiário do Salve o Mundo quase obsoleto, uma vez que este modo praticamente não conta com trajes, mas sim com personagens individuais com características e visuais próprios. Ou será que vão deixar você jogar com sua Luna Paleolítica como comandante do time usando o visual do construtor Kyle?

Largado às moscas

Outra decisão no mínimo esquisita é que até pouco tempo a Epic afirmava ter planos de lançar o Salve o Mundo de forma gratuita, com a opção de os jogadores adquirirem uma licença do jogo e terem acesso a missões que rendem v-bucks, a moeda usada para comprar itens no jogo.

Isso também mudou: foi anunciado hoje que o jogo continua sendo de acesso premium, e quem comprou o jogo no acesso antecipado continua com acesso a missões de v-bucks, enquanto que novos jogadores que vierem a adquirir o jogo não terão esse direito.

Epic, presta atenção aqui rapidão: a maior parte dos jogadores do Salve o Mundo na verdade usa o modo coop como uma fazenda de v-bucks. A maioria dos players não enxerga o modo JvA como um jogo completo, mas sim como uma forma de farmar moedas virtuais para gastar no Battle Royale com skins e picaretas. Isso é ruim pro Salve o Mundo? Sem sombra de dúvidas. Mas sabe o que é pior? Não ter jogadores.

A partir do momento em que você priva novos jogadores de terem acesso às suas fazendinhas de v-bucks, você ao mesmo tempo inibe novas compras do seu jogo.

Sejamos francos: Salve o Mundo é um jogo repetitivo. Você joga os mesmos tipos de fases o tempo todo, mudando apenas um ou outro objetivo. Salve o Mundo não é um jogo super interessante e bem estruturado, é basicamente um loop no qual você entra pra coletar itens e reforçar seu time para abrir novos mapas e continuar o ciclo do loop. Não é todo mundo que tem paciência ou perfil pra esse tipo de gameplay.

Em comparação aos milhões e milhões de jogadores do Battle Royale, apenas uma pequeníssima fração de players realmente gosta de jogar o Salve o Mundo. Essa pequena fatia gosta de repetir as mesmas missões, gosta de farmar itens, gosta de reforçar suas bases, gosta de desbloquear novos heróis. Esses fãs se importam com a trama e querem saber mais sobre a origem da Tempestade, sobre o que aconteceu com o mundo.

E esses fãs agora se sentem traídos, porque todas as promessas feitas pela Epic ao longo dos últimos dois anos e poucos foram todas ralo abaixo.

Hoje era para ser um dia de comemoração para os jogadores de Salve o Mundo. Era para ser o dia em que receberíamos uma porção de conteúdo novo. Mas no final das contas tivemos algo bem diferente do esperado.

O dia 30 de junho de 2020 fica agora conhecido como o dia em que a Epic Games matou Fortnite Salve o Mundo.

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