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Thomas Lá, Dá Cá

O dia em que consegui um autógrafo do Miyamoto

A essa altura, espero que você já tenha lido (clicando aqui, por exemplo) sobre minhas aventuras na E3 2016. Se não, corre lá, eu espero. Sem pressa, pode ir, numa boa! Pronto? Ótimo! Agora que estamos na mesma página, podemos falar sobre o que foi, sem dúvidas, o ponto mais alto da minha viagem: conhecer Shigeru Miyamoto, responsável por 11 entre meus 10 jogos favoritos da vida.

Para quem visita a feira como jornalista/fã, encontrar pessoas famosas e requisitadas é muito mais um ato de sorte do que competência ou bom trabalho. É claro que, dependendo do tamanho do seu veículo, você pode marcar appointments mais concorridos.

Por exemplo, MatPat, do excelente Game Theory, além de uma simpatia de pessoa, consegue encontrar facilmente Reggie, Miyamoto e os demais figurões da Nintendo para gravar vídeos e alegrar seus milhões de assinantes no YouTube.

Um site brasileiro com dois anos de estrada, naturalmente, precisa se esforçar um pouco mais para conseguir um encontro com esses figurões. Ossos do ofício.

Esforço, neste caso, é apenas um eufemismo para “stalkear loucamente e passar um pouco de perrengue”. Logo no meu primeiro dia em Los Angeles, quando fui buscar minha credencial no Convention Center, reparei que havia um carro com logotipo da Nintendo parado na rua. Intrigado, andei mais um pouco e descobri uma placa avisando que este era o ponto para os shuttles pegarem e desembarcarem funcionários da Big N.

carro

Achei isso bem curioso e legal, mas não liguei muito para o assunto na ocasião. Mal sabia eu que em breve retornaria àquele espaço. Tudo graças aos meus amigos Hugo, da Nintendo World, Danilo, do Hyrule Legends, e Dudu , do Sharkiando, que me ensinaram o macete máximo: se você chegar ao Convention Center cerca de três horas antes da abertura da feira e esperar no ponto dos shuttles, verá todos os figurões da Nintendo passando por ali.

Dito e feito, no último dia de feira cheguei às 7 horas da manhã em ponto, encontrei o Dudu e ficamos lá conversando e esperando, curtindo o sol ameno e agradável da manhã californiana. Pouco a pouco, a espera foi recompensada.

Primeiro Junichi Masuda passou por lá e, gentil e solícito, parou e até nos contou que seu Pokémon favorito é o Psyduck.

Minutos depois, um grande ônibus trouxe as dezenas de funcionários que trabalhariam no estande, todos munidos da linda camiseta azulada temática de Zelda. E aí veio um shuttle com Reggie Fils-Aime e Bill Trinnen. Como eu já tinha falado com Bill no primeiro dia de E3, foquei toda minha atenção ao Regginator. Esperei ele pegar sua mala com calma e pedi uma foto.

“Desde que você não se incomode em tirar a foto andando, será um prazer!”. E assim foi. Ou melhor, seria, já que o bom e velho presidente da NOA chegou até a parar um pouquinho e perguntar sobre minha viagem do Brasil para os EUA, se eu tinha curtido o novo Zelda e o que estava achando da minha primeira E3. Até ganhei um abraço dele, e isso não tem preço!

reggie

Eu já estava bem feliz e satisfeito depois dessa, mas como a sorte sempre sorri para os pacientes, ficar sentado na entrada da feira por mais uma boa meia hora ainda traria outra bela surpresa.

Dessa vez um shuttle parou um pouco mais para frente, meio escondidinho. O sinal internacional para “há alguém bem importante aqui dentro”.

Alertas, eu e Dudu já levantamos e corremos pare ver o que era aquilo. Dentro do carro estava ninguém menos que Shigeru Miyamoto! Avesso à vida de rock star, o mito planejava dar uma discreta corridinha até a porta da feira passando por um caminho lateral, então corremos para interceptá-lo.

Habilmente peguei uma caneta, minha cópia de Star Fox Guard recém adquirida na Gamestop, e o abordei, em inglês: “Oi Miyamoto! Desculpa, sei que está com pressa, mas me dá um autógrafo?”

O mestre sorriu humildemente e, diminuindo sua passada, acenou com a cabeça para cada elogio meu, olhando em meus olhos enquanto eu falava sobre a importância da Nintendo em minha vida.

Quando Miyamoto me devolveu o jogo autografado, percebi que minhas mãos estavam tremendo. Achei aquilo curioso pois, depois de ter conversado, conhecido e tirado fotos com alguns de meus músicos e atores favoritos, foi apenas Miyamoto quem causou esse efeito em mim.

autografo miyamoto

Com a voz embargada, e Miyamoto já virando a esquina, falei alto o bastante para que apenas ele ouvisse:

“Thanks for everything, Miyamoto!”

Então o mestre se virou, deu mais um sorriso e um alegre e simpático tchauzinho. Após 30 anos jogando seus jogos, Miyamoto e a Nintendo continuam criando memórias felizes e inesquecíveis em minha vida.

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