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O dia em que conheci The Legend of Zelda, aquela que seria uma das maiores aventuras da minha vida

Hoje, 21 de fevereiro de 2015, The Legend of Zelda completa 29 anos de existência. Não sabia muito bem como “comemorar” a data, então resolvi contar como conheci a série criada por Shigeru Miyamoto.

Quando criança, lembro de toda sexta-feira sair para alugar fitas na locadora lá perto de casa. Meu pai levava a mim e ao meu irmão até lá, e a gente passava alguns bons minutos dando uma olhada nas capas dos jogos em busca de algum que nos agradasse. Era tempo de Super Nintendo e o console era uma verdadeira febre, então as paredes da locadora eram repletas de jogos para SNES.

A gente sempre optava por jogos com capas bastante coloridas ou com personagens esbanjando simpatia, e eu sempre via uma caixa no canto, com um visual meio estranho e sempre pensava “esse jogo deve ser muito chato”. O logotipo do jogo era estranho, e a arte da caixa dava uma aparência de jogo velho ou ultra enjoativo. Aquela caixa com a palavra “Zelda” em letras garrafais sempre me capturava o olhar, mas eu sempre a deixava pra lá e pegava “O Rei Leão“, “Cool Spot” e jogos do tipo.

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Um dia, após já ter jogado boa parte do catálogo da locadora, me vi sem opções. Olhava de um lado para o outro, parede por parede, e nada me parecia legal o suficiente. Mas era sexta-feira, dia de alugar jogo, e eu não queria jogar os mesmo jogos de sempre. Fui até o dono da locadora e pedi ajuda.

— Oi, eu queria alugar um jogo mas não tô achando nenhum legal. Tem algum que possa me indicar?
— Claro! De quais tipos de jogos você gosta?
— Ah, daqueles de aventura. Não precisa ser de ficar pulando de um lado pro outro, pode ser qualquer um.
— Já jogou zelda?

O cara me perguntou sobre aquele jogo da capa estranha. Com tanto jogo pra indicar, o cara veio logo falando sobre esse. Mas eu era moleque, e sempre fui muito tímido, então fiquei com vergonha de falar pro dono da locadora que eu não tinha interesse em um jogo que ele mesmo deve ter comprado.

— Não, nunca joguei, mas não sei se é meu tipo de jogo…
— Bom, é um jogo de aventura. Acho que um dos melhores que eu tenho aqui na locadora.

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Ok, aí ele já prendeu minha atenção. Como um jogo com uma capa tão desinteressante podia ser um dos melhores da locadora toda?

— Sério? E como é esse Zelda?
— No jogo você é um menino que precisa salvar uma princesa de um cara malvadão.
— Tipo Mario?
— Não, é ainda melhor. Não é jogo de “pular de um lado pro outro”, tem um mapa enorme e você anda por lá lutando contra monstros pra salvar a princesa. Não quer testar?
— Não sei…
— Olha, se quiser é melhor levar logo. Esse jogo dificilmente fica muito tempo sem ser alugado.

Olhei pro meu pai, olhei pra capa do jogo (e mais uma vez a achei estranha), olhei pro dono da locadora e pensei “bom, por que não?”

— O que acha, pai?
— Não sei, escolhe aí. Fernando, já escolheu o seu?

Meu irmão, como sempre, já estava com o International Super Star Soccer Deluxe nas mãos feliz da vida.

— Já!

Enquanto o cara da locadora separava o jogo de futebol pro meu irmão, fui até a prateleira e peguei Alladin. Seria repeteco, mas pelo menos esse eu sabia que ia curtir.

— Acho que vou levar Alladin mesmo. Posso?
— Pode. — respondeu meu pai.

E foi aí que o cara da locadora fez mais uma investida.

— Como vocês estão levando dois, podem escolher mais um de graça. Por que não leva o Zelda? Acho que você vai gostar.

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Já impaciente, doido pra ir pra casa jogar, resolvi não prolongar demais o assunto e cedi.

— Tá bom, pode ser. De repente eu jogo esse um pouco também.
— Vai por mim, você vai gostar. Na segunda-feira, quando vier entregar, me diz o que achou do jogo.

Pegamos os jogos e fomos pra casa. Meu irmão pediu pra jogar um pouco antes de mim, por que ele tinha uma festa de aniversário de um amigo de escola para ir, então topei e fui lanchar. Enquanto comia, refletia sobre o que fazer. Será que valeria a pena testar logo o tal Zelda e ficar livre ou devia deixá-lo pra domingo à noite?

Terminei de comer, fui tomar banho e, quando terminei, meu irmão já estava de saída. O Super Nintendo era só meu pelas próximas horas! Peguei a sacola com as fitas e puxei a primeira, sem olhar, e decidi que jogaria o que viesse primeiro. Olhei pra minha mão e vi que havia pegado Zelda.

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— Ok, né… vamos ver qual é a desse jogo…

Encaixei o cartucho, liguei o SNES, vi a abertura do jogo, com uns triângulos rodando e uma espada (“wow, uma espada! já estou gostando desse jogo!”) apareceu na tela. Apertei start, botei meu nome (sim, meu Link se chamava Rodrigo) e a história começou. Após ser acordado com uma voz falando dentro de sa cabeça, meu personagem acordou. Eu não entendia muito bem a língua inglesa, então tratei de pegar um dicionário Português/Inglês e fui tentando entender o que diziam no jogo.

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Descobri que meu tio estava saindo de casa para resolver algum problema. Fiz o carinha de verde sair de casa, no meio da chuva, em busca de seu tio, e encontrei os muros do que parecia um castelo imenso. Os portões estavam fechados, então dei a volta. Após vasculhar o local, descobri que podia levantar os matinhos e encontrei um buraco no chão. Caí.

Lá dentro, estava meu tio. Sim, “meu”, porque ali eu já estava completamente na vibe do jogo. Ele disse algo que eu não entendi muito bem, mas supus que ele havia me pedido para salvar a princesa. Peguei seu equipamento e segui. Alguns corredores e imensas salas depois, encontrei uma escada que levava para os calabouços. Explorei e, pouco depois, finalmente encontrei a princesa.

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A partir dali, segui com a aventura de Link sem parar. Joguei na noite de sexta, no sábado quase o dia todo e em boa parte do domingo. Na segunda-feira, após voltar da escola, joguei mais um pouquinho e saí de casa para entregar as fitas quase na hora de a locadora fechar.

— E aí, gostou do Zelda? — perguntou o dono da locadora.
— É, é legalzinho. — respondi, um pouco sem graça por ter duvidado tanto da dica do cara alguns dias atrás.
— Sabia que ia gostar. Quer que eu reserve o jogo pra você no próximo final de semana?
— Sim, por favor!!

E foi assim que, semana após semana, voltei à locadora nas sextas-feiras. Por muito tempo me dediquei à história de The Legend of Zelda: A Link to the Past, que acabou se tornando a minha aventura pessoal. Aquele era o meu jogo, meu favorito. E por mais que fosse o “meu jogo”, eu queria que todo mundo pudesse jogá-lo. Afinal, o game era sensacional!

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Indiquei Zelda a todos os amigos da escola, aos meus primos e até para os vizinhos, quando os encontrava na locadora. Soube, algum tempo depois, que o dono da locadora comprou mais duas cópias do jogo para alugar, e deixava a minha guardada e reservada para não correr o risco de alguém alugar e apagar meu progresso.

Por muito tempo me aventurei por Hyrule no Super Nintendo. Mas jamais o teria feito não fosse pela dica do meu amigo, o dono da locadora. Não me lembro do seu nome, e mal lembro do seu rosto. Mas, ainda hoje, sou muito grato a ele por ter me apresentado a uma das minhas séries de games favoritas. Mais que isso, a uma das maiores aventuras da minha vida.

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