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Críticas Séries

Segunda temporada de Jessica Jones é tediosa e descartável

As coisas não andam muito boas para a parceria entre a Marvel e a Netflix. Suas séries começaram muito bem, quando Demolidor chamou bastante atenção tanto da crítica como dos fãs de super-heróis. Depois foi lançada a primeira temporada de Jessica Jones, e, apesar de pequenas derrapadas, tudo ainda parecia ótimo no mundo.


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O problema começou para valer quando Luke Cage, Punho de Ferro, Defensores e até uma boa parte da segunda temporada de Demolidor se provaram extremamente problemáticas nos mais diversos sentidos. Primeiro, o modelo de longas temporadas (quase 13 horas de material por história!) trouxe barrigas desinteressantes, nas quais a história ou demorava demais para engrenar, ou mudava totalmente de foco para algo pobre e sem graça (lembra do Kid Cascavel em Luke Cage?).

O principal motivo de apontar isso aqui é porque, acima de qualquer problema, o segundo ano de Jessica Jones sofre com terríveis problemas de ritmo ao longo de seus 13 episódios. As primeiras horas chegam a ser torturantes de tão lentos! A ideia era criar uma narrativa ainda mais pessoal e introspectiva que a da primeira temporada, mas os primeiros quatro ou cinco episódios abusam da lentidão e, a bem da verdade, ninguém deveria ser punido por largar a série ali. É realmente televisão da pior qualidade, já que não há estilo ou qualquer substância para justificar o ritmo patético.

https://www.youtube.com/watch?v=SL4Fo6dJ3o8

No entanto, depois disso a história engrena um pouco e até recompensa, na medida do possível, o seu tempo investido, com um bom estudo das consequências das escolhas dos personagens, e como a moral normalmente é mais cinzenta do que parece: vilões podem ser vítimas, e heróis também podem ser culpados. Isso funciona bem e acaba sendo o grande trunfo da temporada.

Afinal, essa problemática afeta não apenas a heroína (muito bem interpretada pela carismática Krysten Ritter), mas também o seu elenco de apoio: Trish, Malcolm e Jeri retornam e, no longo prazo, todos os coadjuvantes conseguem ter histórias mais interessantes que as vistas no primeiro ano. Especialmente a Trish, que provavelmente possui o melhor arco da temporada.

É uma pena que a protagonista não goze do mesmo luxo. Afinal, por mais triste que isso soe, o que a tornava interessante na primeira temporada era justamente seu confronto e traumas com o brilhante Kilgrave de David Tennant, um dos melhores, senão o melhor vilão da Marvel em live action!

Ainda que os efeitos de Kilgrave ainda sejam sentidos na trama, a verdade é que a falta de um antagonista tão interessante quanto nosso homem púrpura prejudica o seriado como um todo. A showrunner Melissa Rosenberg e suas diretoras até tentaram contornar esse problema abastecendo a série com coadjuvantes melhor explorados e mais profundos, mas é difícil não sentir que muito foi perdido sem Tennant aparecendo em todos os episódios.

https://www.youtube.com/watch?v=hSvnepZS26s

Embora a segunda metade da série se beneficie bastante do foco difuso em diferentes personagens mais complexos, fica evidente que as escritoras estavam apenas lutando para fazer o melhor possível com o pouco material instigante que tinham a seu dispor. Isso até merece crédito, se avaliarmos friamente a falta de grandes personagens no universo de Jessica Jones. Elas até tiraram leite de pedra, no fim das contas.

Outro “problema” ou “mérito”, dependendo do seu ponto de vista, é o fato de que a nova temporada de Jessica Jones não faz qualquer questão de se conectar às demais produções da Marvel com a Netflix. De certa forma, é como se todos os personagens estivessem fingindo que elas não aconteceram, o que é bom, caso você as odeie, ou péssimo, se você esperava ver um universo bem conectado premiando o seu tempo investido.

Independente disso, ao menos Jessica Jones tem uma segunda temporada digna e, mesmo com todos os seus problemas de ritmo e escolhas questionáveis de temas (quem ainda quer saber de histórias de origem em pleno ano 2?), passa como uma série competente. o que é um bom progresso, se lembrarmos de Defensores e Punho de Ferro…

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