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Críticas Games

Graveyard Keeper deixa os vegetais de lado e foca na colheita de órgãos

Entre tantos simuladores de vida por aí, é bem incomum encontrar algo que envolve o cuidado de um cemitério e preparação de cadáveres ao mesmo tempo que te coloca para cuidar de uma fazenda e se especializar em escrita de livros, marcenaria e metalurgia. No caso, Graveyard Keeper chegou recentemente ao Steam e ao Xbox One para oferecer tudo isso que não sabíamos que queríamos tanto.


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Logo de início a premissa já mostra diferente, quando o nosso personagem principal é atingido por um carro na volta para casa. No próximo instante já não estamos mais no mundo moderno, mas sim em uma vila medieval na qual nosso papel é ser um bom coveiro.

O razão disso não fica tão clara no começo, mas a motivação para seguir essa profissão nesse estranho lugar é a possibilidade voltar para o nosso mundo e vida original algum dia.

De resto, o que importa é pegar os cadávares que são entregues por uma mula quase todo dia, retirar os pedaços que você achar conveniente e enterrá-los no cemitério perto da sua nova casa. Em teoria isso parece muito simples, mas não demora para o game jogar um mar de possibilidades em cima de nós.

Logo é preciso se preocupar em melhorar a classificação do seu cemitério, que está no negativo por ter sido negligenciado no passado. Isso pode ser feito ao remover galhos, adicionar canteiros de flores, ao consertar as lápides dos túmulos presentes ou ao enterrar corpos em melhor condição.

No caso, um bispo pede que você eleve a classificação até 5 para que ele possa reabrir a igreja ao lado do cemitério e permitir que você realize sermões uma vez por semana. Os sermões te ajudam a arrecar “fé”, que pode ser usado como material para estudar objetos, falar com certos NPCs ou criar novos sermões.

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É aí que todo o conceito do jogo se mostra de certa forma: você sempre precisa fazer algo para ter acesso a outro aspecto que pode te ajudar com algum outro fator e assim por diante. Isso significa que você não pode só escolher ser um coveiro, um fazendeiro ou um marceneiro de forma individual. É preciso ser bom em tudo e avançar em todas as linhas de tecnologia para progredir.

O interessante é que não são poucas as linhas de tecnologia ou as habilidades contidas nelas, sendo que tudo precisa ser desbloqueado manualmente. Esse desbloqueio ocorre por meio de três tipos de pontos: pontos vermelhos que representam trabalhos físicos, pontos verdes que representam trabalhos envolvendo a natureza e pontos azuis que representam atividades espirituais.

Basicamente, você ganha esses pontos por qualquer coisa que fizer, mas eles são divididos de acordo com o tipo de atividade. Então, para desbloquear a construção de algo envolvendo marcenaria, você utiliza pontos vermelhos e verdes no geral. É claro que cada habilidade  possui um valor mais alto ou baixo dependendo de se for algo mais básico ou avançado.

Para quem está começando, apenas esses fatores já podem ser exaustivos, afinal, você não tem ideia do que deve desbloquear ou quais os melhores investimentos para o seu personagem. Também não ajuda que que para construir certos equipamentos necessário para fazer alguns materiais, você acaba precisando desses materiais que só podem ser construídos no equipamento em questão.

Essa depedência se mostra cada vez mais evidente conforme você vai progredindo e pode ser meio irritante a longo prazo. Cada vez é necessário juntar mais materiais que são necessário para construir algo totalmente diferente só para conseguir avançar em tecnologias ou missões secundárias.

Ainda assim, as dezenas possibilidades apresentadas acabam sendo divertidas e torna o jogo viciante quando você passa a entendê-las melhor. No geral, vai ser um fator apaixonante para aqueles que amam simuladores com a opção construir materiais, ferramentas e outros tipos de itens.

É claro que para fazer tanta coisa assim você depende de dois outros fatores: a sua energia e o passar dos dias no game. A energia funciona como em outros jogos do tipo, então você conta com uma barra mostrando seu vigor e como ele vai se esvaindo com cada ação.

Felizmente, cada ação que você realiza mostra exatamente quanto de energia será gasta, o que já ajuda no gerenciamento. Isso pode ser melhorado com ferramentas mais eficientes ou com o consumo de alimentos, algo totalmente essencial depois de algumas horas de jogo.

Já a passagem dos dias ocorre de maneira interessante e meio diferente do que costumamos ver em outros simuladores. No caso, são apenas seis dias e cada um tem o nome dos pecados capitais, com excessão da avareza. Além disso, eles são representados com símbolos de alguns planetas, do sol e da lua para facilitar a memorização por parte do jogador.

Os dias servem mais para determinar os momentos que certos personagens podem ser encontrados ou que certas ações podem ser realizadas. Só é possível falar com um astrológo no dia da preguiça, enquanto só é possível realizar sermões e falar com o bispo no dia do orgulho e assim por diante.

Fora isso, não há penalidade por não prestar atenção nos dias se quiser focar em outras coisas. Essa é uma boa mudança em relação a games como Story of Seasons ou Stardew Valley por exemplo, nos quais os dias, horários e temporadas são extremamente importantes e podem significar que o jogador tenha que esperar até 1 ano no tempo do game para fazer algo específico.

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Outro fator diferente desses jogos é que você pode dormir a qualquer momento para restaurar sua energia e também pode acordar quando preferir. Isso dá muito mais liberdade de montar sua rotina, algo necessário até pela quantidade de coisas que precisam ser realizadas. Também é assim que você salva o game, então isso definitivamente algo que você fará constantemente.

Ainda vale mencionar o visual do jogo, que é absolutamente lindo e muito bem feito e detalhado. A música e outros efeitos sonoros também ajudam a dar mais vida ao vilarejo medieval e seus habitantes.

Um dos únicos aspectos que pode ser irritante para muita gente é que você só tem como andar para ir para outros locais. Não há montarias, veículos ou uma maneira de correr, então você acaba tendo que se acostumar essa única maneira devagar de deslocamento. Isso acaba sendo mais agravado pelo fato do mapa ser bem grande e não contar com tantos atalhos (embora existam alguns).

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É claro que no geral não há como deixar de gostar de Graveyard Keeper, mesmo com alguns pontos que precisam ser aprimorados. O bom é que os desenvolvedores têm disponibilizado atualizações gratuitas frequentemente para consertar erros e para atender pedidos dos jogadores.

Caso goste de jogos de simulação ou que ofereçam aspectos de construção, esse é o título perfeito para experimentar no momento. Só tenha em mente que você terá que colher órgãos em vez de vegetais.

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