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God of War leva a franquia ao seu auge

God of War é o mais novo jogo exclusivo para PlayStation 4, lançado fisicamente e em versão digital para download em abril de 2018. O primeiro capítulo da série na nova geração de consoles promete uma reimaginação completa da franquia, mas, apesar de algumas ousadias, é um legítimo God of War 4, sob medida para os velhos fãs da série. Confira nosso review completo logo abaixo:


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Desde pequeno eu sempre tive bastante interesse em mitologia grega e nórdica. Talvez isso seja culpa do anime Cavaleiros do Zodíaco, ou quem sabe dos livros que minha avó lia para mim, mas, seja como for, o fato é que eu adoro ler e ver coisas sobre os heróis e deuses mitológicos em suas aventuras épicas.

Assim, nada foi mais natural que experimentar todos os jogos da franquia God of War assim que comprei meu PlayStation 3. Comecei minha odisseia com God of War 3, e depois zerei todos os outros jogos, até aqueles de PSP, já que tudo estava convenientemente disponível em relançamentos para o console da Sony em boas coletâneas.

Um novo (e melhorado!) Kratos

Talvez o que vou falar pareça meio estranho, considerando que eu cheguei a platinar cada um desses jogos, mas o fato é que fiquei o tempo inteiro de jogatina com uma ou duas pulgas atrás da orelha. Um tempo depois, finalmente descobri o que estava rolando: passado o deslumbre inicial com o contexto mitológico, eu realmente não gostava do Kratos.

Falar assim chega a ser um eufemismo: fora o seu design marcante, a personalidade e motivação do Kratos eram, sem dúvidas, algumas das piores que já vi em qualquer videogame. Pouco a pouco, passei a vê-lo como um brucutu chiliquento e sem noção, absolutamente incapaz de receber um pingo de empatia. Comecei a achar quase engraçada a forma infantil como o roteiro tratava sua jornada. O que começou como uma promissora trama de vingança, logo virou um arco patético cheio de banhos de sangue sem propósito.

É exatamente por isso que fiquei curioso quando a desenvolvedora Santa Monica revelou um Kratos totalmente diferente para o mais recente jogo da série: um pai zeloso e preocupado com seu filho Atreus! Parecia uma trama mais madura e interessante e, com isso, a franquia voltou ao meu radar.

Em grande parte, a ideia de renovar o personagem funciona e deu certo. Mais do que nunca, é possível compartilhar as emoções e sentimentos de Kratos ao longo do jogo. Meu único problema é que esse lance de pai traumatizado ajudando uma criança já tinha sido feito com perfeição no clássico The Last of Us, né? Mas, para ser bem justo, não dá pra punir alguém por copiar um dos melhores jogos da geração passada.

Em nome do pai…

Tal qual a jovem Ellie, o pequeno Atreus é um companheiro que se destaca não só por seus diálogos interessantes, que auxiliam na construção da trama e desenvolvimento dos personagens, mas também por tímidos auxílios durante os combates, atirando flechas nos inimigos para atordoá-los, e até liberando novos caminhos na solução de puzzles. Não é nada inovador, mas é bem coerente com a nova proposta de gameplay.

Embora o novo ângulo de câmera possa enganar em trailers e vídeos de gameplay, a verdade é que a jogabilidade não é TÃO diferente dos jogos anteriores quanto se imagina. Kratos ainda pode explorar o mapa em busca de baús com power ups, e a cada dois ou três minutos é preciso pausar a exploração para encarar hordas de inimigos em lutas frenéticas. Quanto mais Kratos acerta os inimigos, mais sua barra de raiva se enche, o que permite entrar no clássico modo espartano para detonar a galera, igualzinho a antigamente.

O que realmente muda é que os quick time events foram bem reduzidos, e colocaram várias cenas de caminhada e backtracking na campanha, algo que considerei meio tedioso no fim das contas. A principal alteração, no entanto, é que não temos mais aquelas tomadas aéreas super distantes, que tanto apareciam nos jogos anteriores. Como a câmera é quase colada nos ombros do Kratos, toda luta ganha um ar um pouco mais intimista, então é preciso estudar cada adversário individualmente. Com o perdão do clichê máximo do moderno jornalismo de games, a Santa Monica bem que tentou dar um arzinho de Dark Souls aos combates, já que eles são bem focados no timing de esquiva e contra-ataque.

O problema é que, diferente dos jogos da From Software, o ângulo de câmera de God of War não é dos melhores para esse tipo de luta, então precisaram colocar uma muleta visual meio tosca para contornar o problema: quando um inimigo está perto, ele é indicado por uma seta branca. Quando ele está prestes a atacar, ela fica vermelha. Como as lutas são repletas de pontos cegos, várias vezes você se sente lutando mais contra setinhas no canto da tela do que contra criaturas exóticas.

Lógica de beat ’em up das antigas

Ao menos os chefões e sub-chefes possuem aquela escala grandiosa de praxe e, com isso, garantem embates memoráveis. Até dá para punir um pouco a falta de variedade de inimigos, já que, seguindo a lógica dos beat ‘em ups de antigamente, basicamente é só a skin que muda um pouco entre cada luta: temos os rivais gigantes, os porradeiros, os que atiram projéteis e coisa e tal. Conforme o jogo progride, a mesma lógica o acompanha, só mudando a cara e quantidade de inimigos em cada cenário de luta.

Bem que tentaram dar um pouco mais de profundidade à jornada com alguns elementos de RPG, como a customização e aprimoramento de armas, armaduras, runas e até tiros de flecha do Atreus. Você usa o seu dinheiro virtual (felizmente, não há qualquer sinal de microtransações por aqui!) e pontos de experiência para liberar novos golpes e se fortalecer, mas é tudo bem raso e desnecessário, no fim das contas.

O mais estranho é que ler as opções no menu mais parece um exame de vista, de tão pequenas que elas estão em sua versão atual. Espero que um patch futuro arrume isso, porque é bem inconveniente e, fracamente, é chocante que ninguém tenha pensado em arrumar o tamanho da fonte durante o desenvolvimento. Agora, se faltou capricho nisso, sobrou no quesito artístico: God of War é um jogo muito bonito, tipo, MUITO bonito mesmo. Possivelmente o mais bonito que você pode encontrar no PlayStation 4!

Há uma boa variedade de ambientes, e é tudo bem detalhado e com boa direção artística. O único lado negativo é que, como em Horizon Zero Dawn, o ambiente é meio sem vida e pouco interativo, algo que ainda parece estranho em um mundo pós-Zelda Breath of the Wild. É bizarro ver o machadinho do Kratos interagir apenas com objetos pré-determinados envolvidos na solução de puzzles, enquanto o resto do cenário parece feito de vibranium intransponível, já que quase nada é interativo.

Fechando o pacote artístico, a trilha sonora é bem legal e cheia de músicas épicas, que dão o tom certinho para a aventura. Realmente é um verdadeiro blockbuster do que diz respeito ao valor de produção e capricho aplicados no game!

Sob medida para os fãs da série

Novo God of War vai agradar os fãs das antigas
Novo God of War vai agradar os fãs das antigas

Como o jogo tem vários coletáveis e diferentes níveis de dificuldades, progressivamente mais desafiadores, quem gostou da sua premissa e estilo de gameplay vai encontrar vários motivos para revisitar a jornada várias vezes.

Já na minha visão, ainda não foi dessa vez que God of War conseguiu satisfazer plenamente a minha sede por ação e mitologia. Sem dúvidas é o melhor jogo da série até agora, mas ainda prefiro o combate técnico e eletrizante de uma Bayonetta ou DmC, e a narrativa melhor estruturada de The Last of Us. Quem sabe no inevitável próximo capítulo o jogo me agrade mais? Ao menos agora já simpatizo um pouco mais com o Kratos.

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