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Cinema Estamina

Estamina #12: A Disney Pixar chegou aos 30 anos mantendo suas origens

Por que todo mundo fica com vontade de ver um lançamento da Disney Pixar sem nem ao menos questionar qual será a história do filme e quem serão os personagens? A resposta é óbvia: porque é um filme da Pixar, simples assim. Em um primeiro momento, pode parecer uma resposta vazia, mas depois de 30 anos de história, só o nome da empresa já diz muito.

Para conquistar a frágil confiança do público infantil e adulto e, consequentemente, manter uma marca quase infalível, a Pixar Studios Animation criou histórias marcantes, compôs músicas inesquecíveis e perfeitas para cada momento de seus filmes e desenhou personagens com um jeitinho todo especial que só ela sabe fazer. Teve suas derrapadas? Sim, e não foram pequenas… Mas nada que manchasse seu portfólio de ouro.

Como não dá para falar sobre a Pixar sem lembrar de suas canções memoráveis, eu trouxe a minha segunda trilha sonora favorita do mestre Randy Newman para acompanhar este texto, é só apertar o play:

Quando soube que a Disney Pixar completou 3 décadas no dia 3 de Fevereiro, parei para pensar no nível de influência que sua produção exerce sobre mim quando penso e falo sobre cinema, relações humanas, música, emoção, dublagem, criação, construção de personagens… enfim, a lista é longa e a conexão é extremamente forte.

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Sou fã antiga, amei a Pixar desde o início de sua atuação maciça no mercado (final de 1995 e início de 1996). Seu primeiro filme é o meu favorito dentre todos até hoje. Me lembro do momento em que ganhei aquela fita VHS azul cheia de traços brancos. Na capa, vi um cowboy e um astronauta sobrevoando outros brinquedos coloridos, todos estavam em cima de uma cama no meio de um quarto azul claro decorado com nuvens. Já vi tantas vezes Toy Story – Um Mundo de Aventuras (1995) que já decorei as falas de todos os personagens na sequencia do roteiro… ‘Tá achando loucura? Não sei se você sabe, mas um canal americano do Youtube regravou Toy Story  em Live Action! Para mim, isso é completamente compreensível e louvável.

Não há como negar: o sucesso de Toy Story é astronômico até hoje! Novos filmes da franquia e produtos de infinitas naturezas para todas as idades continuam sendo produzidos desde o final dos anos 90. Tratada com primor e muita cautela, a história e seus personagens não se desgastam. Toy Story 2 (1999) não é tão bom quanto o 1 e o 3, fato! Ele acabou não se destacando tanto quanto os outros porque desconectaram os brinquedos dos seres humanos. Mas isso não quer dizer que é o filme é ruim.

Homenagem da Pixar para uma das pessoas que mais apostou em seu potencial artístico e tecnológico
Homenagem que a Pixar fez para uma das pessoas que mais apostou em seu potencial artístico e tecnológico

No livro Steve Jobs – A Biografia (Companhia das Letras, 2001), o autor Walter Isaacson conta em detalhes como Jobs, o visionário que deu holofote para gênios como John Lasseter (o criador artístico da Disney Pixar) e Steve Wozniak (o criador de toda a tecnologia de ponta da Apple), vendeu a Pixar para a Disney antes mesmo de lançar o primeiro longa do estúdio. Uma das condições impostas por Jobs perdura até hoje: a Disney assume a apresentação dos filmes e a Pixar assina a criação da obra. Com isso, ele manteve intacta a identidade da Pixar até hoje. Tem dúvidas? Veja os filmes que são feitos apenas pela Disney e compare com os da Pixar. Voilà!

Desde Toy Story, a fórmula do sucesso já estava pronta e descoberta, só restava ter plena consciência de seus componentes e mantê-la nas próximas produções. Tivemos o glorioso e divertidíssimo Vida de Inseto (1998) com direito a joaninha macho, vimos os melhores erros de gravação (?) em Toy Story 2 (1999), aprendemos lições de amizade e perspectiva de vida com o hilário Monstros S.A (2001), conhecemos Dory, uma das personagens mais engraçadas da Pixar, em Procurando Nemo (2003), descobrimos o cotidiano dos super-heróis através de Os Incríveis (2004)…

Até que o primeiro borrão da Pixar chegou mostrando que não dá pra ser perfeito em tudo: Carros (2006). Relâmpago McQueen e seus amigos não conseguiram ir a lugar algum com suas histórias deixando um buraco na filmografia do estúdio. Desculpe, John Lasseter, sei que você assina a direção desse filme também, mas errar uma vez é humano e persistir nele já é teimosia. Com Carros 2 (2011) e Carros 3 (previsão para 2017), você está alimentando um monstro que criou – e você já fez monstros melhores que assustam e divertem ao mesmo tempo, viu…

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Só faltam Divertidamente (2015) e O Bom Dinossauro (2015) nesse cartaz

A Disney Pixar já homenageou a culinária francesa com Ratatouille (2007), emocionou a todos do início ao fim com a crítica social incomparável de Wall-E (2008), continuou emocionando o público com a história do Sr. Fredericksen e seus balões em Up – Altas Aventuras (2009), nos fez crianças novamente com Toy Story 3 (2010) criando um novo fôlego para os personagens e expandindo as possibilidades de criação de novas histórias, derrapou mais uma vez com Carros 2, deu vez e voz para a figura feminina com Valente (2012) – aliás, um dos filmes da Pixar mais focados no público adulto, na minha opinião -, levou nossos queridos James P. Sullivan e Michael Wazowski para a Universidade Monstros (2013)…

Quem assistiu a todos esses filmes sabe que o estúdio consegue agradar gregos e troianos de todas as idades sem deixar de ser a Pixar dos anos 90. Como? Deixando suas histórias serem conduzidas através de personagens extremamente humanos. Se você observar bem, todas as situações criadas em seus filmes são facilmente reconhecidas desde a fase infantil. Portanto, a imaginação vira realidade para os pequeninos e a nostalgia toma conta dos crescidinhos. O que sempre está em pauta são os personagens e suas relações totalmente baseadas na vida humana, não são seus habitats, nacionalidades, condições especiais ou formas de vida.

Temos provas disso quando reconhecemos que a Pixar atingiu a maturidade com seus dois últimos filmes lançados em 2015 sem deixar sua essência. Sua ousadia foi tão grande que o mundo lá fora já estava pequeno. Por que não fazer um filme com personagens que irão representar as emoções que sentimos? Foi assim que nasceu Divertidamente! Já o último lançamento do estúdio, O Bom Dinossauro, consegue a proeza de trazer personagens humanos que não falam uma palavra sequer. Na verdade, somente os animais e os dinossauros pronunciam alguma palavra. Nesta obra, assim como em todas as outras, vemos, mais uma vez, o conceito de família pincelado, mas com um diferencial: ganhando destaque na cena mais emocionante do filme. É ver para crer e chorar.

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CADÊ O CORPO DO FLIK?

A Disney Pixar tem outro diferencial que envolve seu público com maestria como nenhum outro estúdio sonhou em fazer: easter eggs e referências de seus filmes anteriores em todos os lançamentos seguintes. Isso é motivação para os fãs da Pixar de todos os cantos do mundo reverem seus filmes inúmeras vezes. A vontade de entender as mensagens secretas presentes nas histórias é tanta que já foram criadas inúmeras teorias sobre como os personagens dos filmes estão interligados. Uma simples busca na internet pode demonstrar até que ponto a imaginação dos fãs pode influenciar a da própria Pixar também e vice-versa. Todas as teorias fazem muito sentido, compartilho de uma que prega que a Boo de Monstros S.A. é a bruxa que realiza o feitiço pedido por Merida em Valente. Tem gente até que acredita ter descoberto quem é o pai do garoto Andy de Toy Story, um personagem que nunca foi citado diretamente na franquia.

Antes de estarmos frente a frente com toda essa magia, já é de praxe assistir a um curta-metragem do próprio estúdio em plena sala de cinema. É comum ver que os curtas não apresentam diálogos, têm um ou dois cenários e são muito mais lúdicos do que os longas. Meus preferidos são Dia e Noite (2010), exibido antes de Toy Story 3, e O Jogo de Geri (1995), obra que antecede Toy Story – Um Mundo de Aventuras. Essa é mais uma ferramenta que a Pixar utiliza para dar vazão à suas ideias e fazer a manutenção de sua identidade, assim como Steve Jobs recomendou que a empresa fizesse.

https://www.youtube.com/watch?v=JTBJobqIcBs

Sei que é repetitivo, mas a Disney Pixar é sinônimo de magia, autenticidade e inspiração desde sua primeira obra, sem sombra de dúvida. Durante esses 30 anos, construiu um repertório brilhante de filmes que se tornou indispensável para adultos e crianças e referência para quem quer entrar no mercado mundial das animações cinematográficas.

Tenho a impressão que não existe presente, passado ou futuro para Pixar. A relação tempo-espaço para essa empresa é focada em histórias e personagens imersos em um universo infinitamente rico e criativo baseado naquilo que mais intriga os seres humanos em qualquer fase de suas vidas: nós mesmos.

Ah, Pixar, obrigada por confirmar a produção de Procurando Dory (Junho de 2016), Toy Story 4 (previsão para 2018) e Os Incríveis 2 (previsão para 2019), continua assim que não tem erro!

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