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Estamina #09: Mudar um app freemium para free não me parece uma boa notícia…

Atualização de jogo para celular é algo que me deixa realmente feliz! Isso é sinônimo de correções de eternos bugs e/ou de novas fases e boosters. Dessa vez, não encontrei nada disso na descrição que vi na App Store quando fui atualizar Paraíso dos Doces, um jogo da Gameloft totalmente em português que é simples, simpático, bem difícil e que pode ser baixado gratuitamente.O problema é que agora ninguém consegue gastar um centavo com esse jogo. O que pode parecer uma boa notícia aos dedos de quem ainda não passou por todas as fases disponíveis, infelizmente, não soou de forma positiva para mim.

Só preciso fazer alguns esclarecimentos antes de iniciar a minha reflexão: freemium é o jogo de celular que foi disponibilizado de graça, mas contém itens pagos com dinheiro real que podem ser adquiridos durante as jogadas enquanto o free é totalmente grátis, 100% de graça para baixar e se divertir sem qualquer custo adicional.

Paraíso dos Doces segue a linha de raciocínio dos clássicos Tetris e Bejeweled, ou seja, pertence ao meu estilo preferido de jogos para celular: aquele que se baseia na combinação de peças. Podem estar paradas ou em movimento, desuniformes ou não, o que me importa é fazer com que elas se encaixem, só assim eu alcanço o objetivo proposto por cada fase para, enfim, finalizar o game.

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Quando me deparei com a situação de gratuidade total do jogo, a primeira pergunta que surgiu na minha cabeça foi: por que a empresa não quer mais gerar receita com esse título? Rapidamente, formulei uma resposta em forma de teoria, mas antes de chegar nela, percorri um longo caminho comparando as estratégias que esse nicho de mercado tem com outro tipo bem próximo no quesito matéria-prima: o dos consoles.

Enquanto os nossos amados videogames que ficam ligados à TV ganham dinheiro com novas quests intituladas DLCs, personagens secretos e vários itens úteis e inúteis, além da venda do próprio jogo (ou seja, com tudo!), a indústria de aplicativos que produzem jogos com peças encaixáveis gera lucro usando uma estratégia totalmente diferente.

Geralmente, esse tipo de jogo é lançado em formato freemium, ou seja, não é exigido nenhum tipo de pagamento logo de início – o único custo previsto é a banda de internet usada para o download, claro. E mesmo que o game seja pago, todas as DLCs com novas fases são disponibilizadas de forma gratuita para todos. Os personagens básicos, aqueles já fazem parte do jogo, dão conta do recado que a missão pede, as empresas criam personagens adicionais em formato pago apenas para otimizar o desempenho de quem quiser gastar dinheiro real para incrementar sua performance. E os boosters? Esses itens auxiliam o jogador pontualmente na hora de uma partida e se renovam de graça, é só esperar o tempo passar que ele se encarrega disso. Não quer se sujeitar ao tempo? Pague para ter boosters. O mesmo mecanismo vale para a quantidade de vidas.

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Pare e reflita. As diferenças são gritantes. Os públicos desses mercados podem ser também diferentes e é por isso que as empresas buscam retorno financeiro em formatos distintos? Talvez. Jogo tanto no celular quanto no console, mas isso é assunto para outro post…

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Baseada em como posso (ou não!) gastar dinheiro para “simplesmente encaixar pecinhas”, minha hipótese é a seguinte: a gratuidade total de um determinado jogo para celular é o primeiro passo para sua descontinuação. O desafio sempre foi segurar o bolso e finalizar as fases sem gastar dinheiro, afinal, esse é o modo mais barato e mais difícil. A interface de Paraíso dos Doces continua prometendo um novo mundo açucarado. Mas que graça ele vai ter agora que tudo está disponível ao nosso bel-prazer, sem dificuldade alguma? Na hora que a impaciência apertar, é só apelar para o booster mais eficiente e indicado que tudo se resolve. Eis minha teoria da conspiração para esse e para os próximos jogos que seguirem este caminho!

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Conheço a maioria dos jogos que possuem essa natureza cheia de peças, como os vários títulos Free Fall da Disney, os açucarados da King originados no Candy Crush e os que não são tão coloridos assim, mas que abusam da lógica também, como Merged!, 1010!, 94% e 2048. Alguns me desafiam mais, outros menos, e o meu nível de motivação para jogá-los sempre é regido por esse fator. No caso de Paraíso dos Doces, já finalizei todas as fases. Sem querer ser chula, mas acabou-se o que era doce, literalmente.

Mesmo assim, estou no aguardo da próxima atualização do jogo, caso ela vá existir. Se a minha teoria falhar num primeiro momento, acredito que é questão de tempo para que ela se torne real. Sem desafios, o interesse pelo jogo cai. Sem interesse, não há investimento da empresa desenvolvedora. Sem investimento, fim da linha. E com o fim da linha, surgem novas ideias para jogos nesse ciclo sem fim e sem o Mufasa.

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