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Estamina #08: Sempre vou jogar o que a Quantic Dream lançar

Quem jogou PS3 entre 2010 e 2013 ou ainda joga, vai se lembrar dos originais e emocionantes Heavy Rain e Beyond: Two Souls. Só esse dois títulos de ouro e exclusivos da plataforma já renderiam muito assunto por aqui. Por acaso, você já parou para pensar na trajetória da empresa que deu vida à esses personagens e histórias? Pode ser que você saiba o nome da companhia – a francesa Quantic Dream. Mas só aqueles que se encantaram com esse formato tão próprio de misturar storytelling com interatividade é que sabem quem é a fonte, a origem, quem realmente dá vida à tudo: David Cage.

Tudo começou antes mesmo da virada para os anos 00 com o título Omikron: The Nomad Soul (1999 – Microsoft Windows, Dreamcast). Esse jogo em primeira pessoa gira em torno de investigações de assassinatos misteriosos em uma cidade chamada Omikron. Infelizmente, não tive o prazer de conhece-lo, mas ele está na minha lista “Jogar ‘Pra Ontem’“.

Há quem não saiba, mas Lemmy Kilmister, baixista e vocalista da banda inglesa Motörhead, não é a única lenda da música que ganhou um personagem de videogame para chamar de seu. David Bowie, o “camaleão do rock”, é o autor de toda a soundtrack de Omikron e também está no jogo junto de sua esposa na vida real, Iman Abdulmajid. Me lembrei disso quando recebi a notícia da morte de Bowie na noite do dia 10 de Janeiro. Em homenagem a ele, vou me esforçar para acelerar o dia em que finalmente jogarei esse título.

Entre o início dos anos 00 até o lançamento de Fahrenheit – Indigo Prophecy (2005 – PlayStation 2, Xbox, Microsoft Windows), a empresa passou por um período de reestruturação técnica e de produção, um momento fundamental para que jogássemos os títulos da Quantic Dream da forma como jogamos.

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Assim como Omikron, Fahrenheit lida com assassinatos, mas de uma forma totalmente peculiar. No jogo, a cidade de Nova York está assistindo de mãos atadas a uma série de mortes cometidas por pessoas diferentes, porém de forma padronizada: de repente, o “assassino” entra em transe e mata outra pessoa que nem ao menos conhece, principalmente, em público. Foi a partir deste título e com essa premissa que a companhia começou a utilizar o método de jogo interativo ao oferecer uma gama de respostas distintas para o jogador utilizar enquanto está na pele do “assassino” e quando tem que viver como policial também – sim, Fahrenheit é tão bom que concede essas duas possibilidades.

Essa ferramenta caiu como uma luva para o ambiente e o tema proposto, concorda? Joguei esse título até não querer mais, é muito interessante desvendar esse mistério. Foi exatamente essa magia que Cage soube perceber, aproveitar e refinar a cada jogo que assinava através da Quantic Dream. A prova disso são os lançamentos seguintes, Heavy Rain (2010/2015 – PlayStation 3, Playstation 4) e Beyond: Two Souls (2013/2015 – PlayStation 3, Playstation 4).

 

Heavy Rain e Beyond são jogos encantadores em todos os seus aspectos: história, trilha sonora, personagens, roteiro, jogabilidade e finais alternativos. Os dois títulos não se resumem a proporcionar uma interação pura e básica entre os personagens para pegar objetos, conversar e andar. Alguns capítulos oferecem comandos específicos para que os personagens realizem outras atividades, como brincar, se defender e explorar, além de terem trilhas sonoras totalmente voltadas para o tipo de emoção transmitida naquele exato momento. Se tem algo que eu faço quase todo dia, é escutar trilha sonora. E eu não me canso de ouvir a do Heavy Rain! Tudo isso é obra de David Cage e da equipe capitaneada por ele.

Mesmo tratando assuntos diferentes e ambientados em locais distintos, Heavy Rain e Beyond dispensam qualquer incentivo e apresentação, pois agradam vários tipos e gostos de jogadores. Só há dois diferenciais entre eles: para quem não domina o idioma inglês, Heavy Rain disponibiliza somente dublagem Português de Portugal e Beyond: Two Souls possui personagens fiéis a imagem, voz e movimentos de Ellen Page e Willem Dafoe. Aliás, para a captação de motion, o próprio Cage dirigiu os atores hollywoodianos. Mais uma vez, tudo foi pensado nos mínimos detalhes.

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Na atual página oficial do facebook da Quantic Dream, todos os jogos produzidos estão na imagem de capa estampando o orgulho que eles e nós, fãs, temos do fato deles existirem. E se o seu olhar for direcionado para a imagem do perfil, você encontrará o nome do mais novo trabalho que David Cage divulgou: Detroit: Become Human. Confesso com muita tristeza que as redes sociais da Quantic Dream não são atualizadas com certa frequência, mas quando uma atualização é feita, meu coração dispara. Detroit vai retratar o assunto que Isaac Asimov, um dos meus autores preferidos, destrinchou com magnitude dentro da ficção científica: robôs pensantes no mundo dos humanos. O jogo foi revelado em Outubro de 2015 na conferência de imprensa da Sony durante o Paris Games Week e será lançado exclusivamente para Playstation 4.

Veja a cut scene divulgada em 2013 demonstrando a concepção do projeto e o trailer do game lançado dois anos depois para conferir com seus próprios olhos o nível de maturidade e criatividade atingido por David Cage:

 

Além de criadora e desenvolvedora de games, a Quantic Dream também compartilha sua tecnologia de captação de movimentos com outros projetos, sejam de games ou cinematográficos. Até quem não se interessa pelos bastidores das desenvolvedoras de games vai ter gosto e interesse em assistir o “Making Of” espalhado na internet de Heavy Rain e Beyond. Aperfeiçoando a cada lançamento a arte de desenvolver e apresentar suas fantásticas ideias, David Cage ganha prêmios atrás de prêmios e o meu coração gamer. Ele poderia ter divulgado a data de pré-venda de Detroit para acalmar meus nervos? Podia. Como ele ainda não fez isso, sigo com fé e esperança de que esse jogo vai me surpreender positivamente como todos os outros fizeram, seja amanhã ou na próxima década.

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