Image default
Anime Críticas

Darling in the Fraxx | Quanto mais alto o voo, maior o tombo…

Quando a gente fala sobre um grupo de jovens adolescentes à bordo de mechas, os pilotando em lutas contra seres misteriosos, é fácil pensar em Evangelion, o anime da Gainax que redefiniu o gênero em 1995 e, até hoje, é referência no assunto, sendo aclamado por muitos como um dos melhores animes de todos os tempos (ou até O melhor, se você me perguntar). Só que essa a premissa também vale para Darling in the FranXX, o mais recente sucesso da Trigger e Cloverworks, disponível para streaming na Crunchyroll por aqui.


Veja também:


Clique no vídeo acima para conferir a versão em vídeo do nosso review, postada no canal parceiro Aquele Cara!

Desde a sua estreia, na temporada de janeiro de 2018, o sucesso do anime só cresceu, na mesma medida em que crescia o amor da galera pela Zero Two, certamente uma das maiores candidatas a waifu suprema da geração. Sem medo de abordar temas mais pesados como sexo e discussões de gênero, Darling in the Franxx acertou em cheio quando tentou construir identidade própria, com debates, piadas e tom únicos. Mas também capotou feio sempre que tentou ser algo maior que isso e tentar pegar um pouco da essência de Eva.

Entra no robô… e como entra!

Até o clímax de meio de temporada, que acontece exatamente no episódio 15, você pode ignorar quase que completamente essa gigantesca ressalva. Afinal, em sua primeira metade, Darling in the Franxx é muito engraçado e espertinho. Apesar de ter uma mitologia potencialmente interessante, e de que ela vai sendo revelada aos poucos e com sutileza, o anime nunca parecia levar suas batalhas tão a sério. Ironicamente, isso facilitava bastante o investimento em seus personagens e universo.

Na trama seguimos um grupo de jovens pilotos de Franxx liderados por Hiro, que até quer entrar no robô, mas encontra dificuldades para sincronizar com suas parceiras. Acontece que todo Franxx precisa de uma dupla de pilotos formada por um garoto e uma garota, e ambos precisam ter uma boa química para que a parada toda funcione. Como já deve ter imaginado, a analogia sexual não é exatamente sutil, especialmente quando a parceira precisa ficar deitada de quatro enquanto o garoto assume o “manche” preso em seu quadril.

https://www.youtube.com/watch?v=PEoy9fnmL-I

Por mais que queira, Hiro não consegue fazer “a máquina” funcionar, ao menos até ter a oportunidade de pilotar com a Zero Two, uma garota conhecida como “matadora de parceiros”, já que nenhum homem sobrevive a “pilotar” com ela mais de três vezes (caramba, eu já estou quase ficando cansado de tanto usar aspas aqui. Já deu pra entender que estamos falando de sexo, né?). Mais ativa, esperta e viva que a maioria das outras meninas, Zero Two logo de cara mostra que está mesmo no comando, não só dos Franxx mas também da ação em todo o seriado. Vendo potencial em Hiro, ela o declara seu Darling e não tem vergonha de abusar do garoto e colocá-lo a prova fisicamente em “sessões de pilotagem” bem intensas (tá, agora parei mesmo com as aspas).

Asas quebradas

Enquanto a química dos dois se desenvolve, organicamente a série nos apresenta seu universo: os pilotos entram em Franxx desenvolvidos pelo Papai, um cientista que também monitora a criação dos jovens, sempre supervisionados em cada aspecto do seu dia a dia. Eles são controlados porque são a principal linha de defesa da humanidade contra os Urrossauros, que estão sempre tentando destruir os latifúndios, local onde os sobreviventes da humanidade se escondem.

As batalhas em si nunca foram nada demais, e o design dos Franxx e urrossauros é meia boca toda vida, mas todos os personagens conseguiam orbitar a Zero Two de forma interessante, de forma que os episódios divertiam e, às vezes, traziam até um ótimo argumento e desenvolvimento dos heróis ao mesmo tempo.

Até a climática — e, agora sim, bastante empolgante — batalha do episódio 15, é um deleite aprender mais sobre o passado e presente dos casais de pilotos, e o drama funciona magistralmente. Ver o Franxx Strelizia pilotado pela Zero Two e Hiro tomando os céus gloriosamente foi um desfecho excelente! Mas, infelizmente, não foi o fim da história…

Depois disso, como o trama de Hiro e Zero Two estava praticamente resolvida, restou ao anime dedicar atenção aos outros casais, especialmente a Mitsuru e Kokoro, que desenvolvem um relacionamento mais sério, com direito até a um longo arco sobre oficializar sua relação. No processo, os outros pilotos também discutem suas relações, mas a verdade é que, fora do eixo Hiro-Zero Two, nenhuma DR é particularmente interessante.

https://www.youtube.com/watch?v=qWhTQ_eF8Z4

Pior ainda é quando a série sai de se caminho para fazer uma longa e extenuante exposição dos eventos que precederam o que vimos no anime até então. Lembra que eu falei de Evangelion mais cedo? Até então, tínhamos referências pontuais e algumas sequências chupadas homenageadas aqui e ali, mas, do episódio 19 em diante, a inspiração fica mais séria. Por exemplo,  em Eva, o episódio 19, Introjection, relembra o passado do cientista Gendo, enquanto Darling também dedica seu episódio 19, Inhumanity, ao Papai Franxx.

O problema é que a trama de fundo de Darling é absolutamente pateta e, ao entregar respostas literais a muitos dos temas, problemas e metáforas levantados, tudo caiu no risível e virou piada. Aos 45 minutos do segundo tempo a gente ainda precisa aceitar e engolir que uma espécie alienígena chamada VIRM estava em uma guerra milenar com urrossauros e… olha, na real, nem digo isso só para evitar spoilers, mas quanto menos você souber sobre essa baboseira toda, melhor para você!

Mas até que dá para divertir

Isso tudo é realmente uma pena, porque dá para ver que Darling in the Franxx está realmente tentando, com todas as suas forças, ser mais inteligente, e que acredita mesmo no que diz; que quer defender os assuntos que traz para a telinha. Mas, no fim do dia, por mais cruel que isso soe, a impressão é de que estamos apenas vendo algúem sem metade da capacidade de Hideaki Anno (o autor de Eva) tentando escrever algo tão bom quanto o clássico da Gainax. Isso é bem triste, porque quando Darling in the Franxx estava tentando ter identidade e temas próprios, longe da megalomania de questões existenciais profundas e intrigas de escala apocalíptica, ele era um bom anime!

Como a trilha sonora, traços e (principalmente) a Zero Two são muito legais, vale a pena conferir os primeiros 15 episódios do anime, porque eles são uma viagem bem divertida e ocasionalmente sagaz. Mas faça um favor a você mesmo e finja que aquele ótimo clímax foi, também, o final da série. Porque depois disso o tombo é bem, beeeem feio.

[rwp-review id=”0″]

Related posts

PlayerUnknown’s Battlegrounds | 5 dicas essenciais para a versão mobile

Luciana Anselmo

Radiohead retorna à sua melhor forma em A Moon Shaped Pool

Thomas Schulze

Você se lembra? #01 | Mystical Ninja: Starring Goemon (N64)

Guilherme Soares