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Cinema Críticas

The Post A Guerra (nem tão) Secreta pela liberdade

Nunca escondi que sou fã do trabalho de Steven Spielberg, seja em seus grandes blockbusters ou em dramas mais sóbrios, artísticos e contidos. Isso me torna um pouco suspeito para falar de sua obra, admito, mas o fato é que eu adorei The Post A Guerra Secreta, e o considero um dos filmes mais fortes e relevantes indicados ao Oscar 2018.


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Para quem não está antenado com a história real que inspirou o filme, sua trama resume o conflito entre a imprensa e o governo norte-americano. Ok, eu poderia estar falando da gestão Trump aqui, mas precisamos voltar um pouco mais no tempo, mais precisamente para a guerra do Vietnã e a gestão Nixon.

Após o vazamento de documentos secretos do governo dos Estados Unidos, o jornal The New York Times começa a publicar matérias mostrando para os americanos que Richard Nixon estava enviando jovens para a guerra e gastando muito dinheiro com ela, mesmo sabendo que a batalha não poderia ser vencida de forma alguma. Isso desagrada a Casa Branca, que move seus pauzinhos para proibir o Times de seguir publicando o material.

É nesse contexto que mergulhamos na redação do The Washington Post, onde trabalham os protagonistas da história, Katharine Graham, a dona do jornal, herdado por ela após a morte do marido, e Ben Bradlee, o editor-chefe da publicação, ansioso por torná-la ainda maior e mais relevante. A dupla logo obtém os mesmos polêmicos documentos do Times e, com isso, precisa decidir se irá peitar a justiça e a Casa Branca, ou obedecer suas ordens e seguir circulando sem ser incomodado.

Como já deu para notar, a vibe do filme é bem parecida com a de Spotlight, grande vencedor do Oscar 2016, pois há um certo ar de aula de história enquanto mergulhamos na realidade de um jornal e seus funcionários, imersos em um momento-chave do jornalismo. A diferença entre os dois, sem poupar socos, é que The Post não é um sonífero, mas sim uma jornada muito empolgante!

Em parte isso se deve aos seus brilhantes protagonistas. Contracenando juntos pela primeira vez, os premiadíssimos Tom Hanks e Meryl Streep não decepcionam em nada (alguém se surpreende com isso?), e entregam atuações dignas de seu legado. Streep está particularmente genial, já que recebeu a personagem mais interessante do filme, com bastante material bem emocional para trabalhar.

Como uma mulher aparentemente ainda frágil e insegura em um mundo dominado por homens que desconfiam de cada passo seu, ela passa por um arco de desenvolvimento riquíssimo, já que é sob os seus ombros que recai toda a responsabilidade do mundo: lutar contra o governo poderia implicar na desvalorização do jornal, demissão de funcionários e até prisão dos envolvidos, e só o seu ok ou veto para a matéria podem determinar o rumo das coisas.

Embora a mensagem geral seja necessariamente didática, bem explicada e mastigada para a audiência (“viva a liberdade de imprensa e o bom jornalismo, sempre necessário!”), existe todo um subtexto fascinante sobre feminismo, elaborado especialmente em imagens fortes e marcantes como só Spielberg sabe proporcionar.

São especialmente bem feitas as cenas em que Katharine precisa entrar em reuniões do jornal, bolsa de valores ou em julgamentos, trafegando por um ambiente hostil e masculino, onde as mulheres são filmadas como presentes apenas no lado de fora das salas.

É por sutilezas assim que Spielberg bem merecia ter arrancado uma vaguinha entre os fortes indicados a melhor direção no Oscar deste ano. Aliás, seu eterno parceiro sonoro John Williams abastece o longa com uma trilha poderosa e muito mais interessante do que a de Star Wars Os Últimos Jedi, que acabou indicada em seu lugar, a meu ver, injustamente.

Empolgante, educativa, com ritmo agradável e lindamente filmada, The Post é uma história muito valiosa e tremendamente necessária. Cinemão com selo Spielberg de qualidade.

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