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Cinema Críticas

O Artista do Desastre | A beleza da catástrofe

Não é nada fácil alcançar a imortalidade no mundo do cinema. Especialmente nestes tempos de internet, quando tudo aparece e some em um ritmo alucinante na medida em que a galera tenta acompanhar o hype da semana. Deixar sua marca e fazer com que a obra seja falada por anos a fio é uma tarefa para poucos, que cada vez fica mais complicada.


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The Room é um desses raros casos de sucesso, tornado ainda mais único pelos motivos que lhe trouxeram fama. Diferente de um Cidadão Kane ou Tempos Modernos, o filme de Tommy Wiseau ganhou admiradores não por virtudes invejáveis, mas pela completa desconstrução do cinema que realizou ao colocar na telona um filme que desafia todas as convenções do que se considera uma boa obra.

Seja isso intencional ou acidental, pouco importa: em um mundo repleto de projetos sem alma tocados por grande corporações e fórmulas prontas de sucesso, é sempre fascinante ver um trabalho realmente autoral e honesto que acaba peitando todas as regras de narrativa estabelecidas. Desde sua estreia, em 2003, a cada ano mais e mais espectadores descobrem e revisitam o filme de Tommy, tanto para se deliciar com os fantásticos diálogos sem noção do filme, como para tentar mergulhar na misteriosa mente de seu criador.

Afinal, até hoje a história por trás da gênese de The Room gera as mais diversas teorias e indagações. Como Tommy conseguiu produzir praticamente sozinho um filme orçado em mais de seis milhões de dólares? De onde exatamente ele veio? Que sotaque é esse? Há realmente elementos autobiográficos na obra? Se um monte de gente se amasse, o mundo seria um lugar melhor para se viver?

Corretamente, O Artista do Desastre (The Disaster Artist), o filme dirigido e estrelado por James Franco, não tenta responder diretamente qualquer uma dessas perguntas. Bom, talvez responda de leve a última, já que o seu tom é inegavelmente otimista, no geral, mas você entendeu o ponto.

Indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado, o filme é baseado levemente no livro The Disaster Artist: My Life Inside The Room, The Greatest Bad Movie Ever Made, escrito por Greg Sestero, ator no filme The Room, e também uma das pessoas que mais conviveu com Tommy na época de sua filmagem.

O filme, no entanto, não tem qualquer ar documental, e frequentemente abre mão do compromisso com a realidade em prol de um tom mais lúdico, divertido e, por que não, até mesmo belo em seu clímax que, sem spoilers, tece um bom argumento sobre o valor da arte, de qualquer tipo, quando ela consegue causar uma reação genuína nas pessoas.

James Franco está excelente em seu papel de Tommy, e soube reproduzir seus tiques e sotaque com perfeição, o que torna justo o seu Globo de Ouro de melhor ator, embora ocasionalmente James quebre um pouco o personagem e fique evidente que ele mal está conseguindo segurar o riso em algumas das cenas mais engraçadas.

E olha que não faltam cenas engraçadas, especialmente para quem já assistiu ao The Room em sua versão original. É delicioso testemunhar os bastidores de diálogos emblemáticos como o do câncer de mama, ou Tommy arremessando sua garrafinha d’água enquanto crava sua icônica fala “I did not hit her!”

Mesmo quem nunca viu The Room vai conseguir se divertir bastante com O Artista Desastre, e provavelmente terminar o longa com muita curiosidade e vontade de conferir o material original, o que, naturalmente, é mais do que recomendado para qualquer entusiasta da sétima arte. Assim, o filme de James Franco cumpre sua principal missão: motivar ainda mais gente a conhecer a eternamente fascinante obra de Tommy Wiseau, e fazer com que seu legado viva por ainda mais tempo!

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