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Cinema e TV Críticas

Death Note da Netflix distorce personagens e foca em romance adolescente

Quando a Netflix anunciou que produziria uma adaptação cinematográfica, muitos fãs do mangá e do anime já começaram a se preocupar. Mesmo com a Netflix já tendo realizado diversos projetos bem sucedidos antes, o maior problema é que não dá para dizer que muitos filmes baseados em animações japonesas deram certo ou conseguiram chegar no mesmo nível do original. Infelizmente, agora que o filme de Death Note finalmente chegou no serviço de streaming no mundo todo, já é possível afirmar que ele também entrou para a lista dessas adaptações fracas e sem personalidade.

Sabemos que fazer um filme baseado em um livro, mangá ou anime é sempre uma tarefa difícil, afinal, você tem em média duas horas para contar uma história bem detalhada, longa e que já é conhecida e amada por uma grande comunidade de fãs. Como não é possível refazer cena por cena, é necessário pensar em maneiras de comprimir os fatos mais importante para que ele funcione como um longa-metragem. O problema do Death Note da Netflix é que ele tenta mostrar muita coisa em pouco tempo, mas mesmo assim não captura a essência do material original ou de seus personagens.

 

Personalidades trocadas

Desde o início podemos perceber que Light Turner tem uma personalidade extremamente diferente de Light  Yagami, com dúvidas em usar o Death Note no início e bem medroso com praticamente tudo o que passa em seu caminho. O shinigami Ryuk tem um visual bem interessante e não dá para reclamar da performance de Willem Dafoe, que parece estar se divertindo bastante em seu papel de deus da morte, mas ele foi basicamente usado para impulsionar a trama toda do filme. Em vez de só observar e fazer manipulações indiretas como no anime, Ryuk toma uma papel bem ativo e manipula Light de todas as maneiras possíveis, além de criar diversos dos conflitos do filme.

Já Mia Sutton (versão americana de Misa Amane) tem muitos dos traços do Light original, praticamente mudando totalmente a dinâmica dos dois em relação ao anime. Com isso, o detetive L é um dos únicos que parece ter sua personalidade incomum mantida, pelo menos até a metade do filme, quando ele sai totalmente do personagem e dá um verdadeiro chilique que não combina nada com a caracterização feita anteriormente.

Desta forma, é fácil perceber que o longa-metragem tem todos os elementos de um típico filme adolescente cheio de exposição desnecessária, furos de roteiros e eventos que acontecem com a conveniência para fazer a trama progredir.

 

Oportunidade perdida

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O andamento do filme é outro problema, já que o primeiro e o segundo ato se arrastam e forçam o final a tentar resolver tudo em pouco tempo, com direito a uma daquelas “revelações surpreendentes” para tudo possa fazer sentido sem esforço.

Aliás, uma das melhores partes do anime e manga, que é a relação entre Light e L, foi totalmente cortada do filme. No máximo temos duas grandes interações entre os dois, com L já partindo para a conclusão de que Light seria o misterioso assassino Kira sem qualquer prova ou tempo para fazer suas deduções.

Considerando a nova personalidade de Light, fica óbvio em pouco tempo que ele não consegue ser um bom rival ao L, o que o deixa ainda mais vulnerável e desesperado quando confrontado. Caso o filme se focasse neste aspecto do que o romance adolescente entre Light e Mia, é bem possível que o resultado fosse bem mais agradável e não uma oportunidade perdida.

 

Os poucos pontos positivos

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É claro que nem tudo no filme é decepcionante, sendo que sua fotografia é bem interessante e combina bem com o tom que o longa deseja passar. Esse visual mais frenético é ainda mais acentuado pela trilha sonora, que traz vários clássicos dos anos 1980 na medida certa.

Outro ponto positivo é que fica claro em diversos momentos que o longa-metragem não leva muito a sério, então é mais fácil de deixar a vergonha alheia de lado nos momentos mais clichês com câmera lenta e músicas dramáticas.

De qualquer forma, é bem possível que o filme consiga agradar um público grande e que nunca tenha tido contato com o original. A boa parte disso é que mais pessoas terão a curiosidade de conferir o anime, que obviamente merece toda a atenção imaginável. Já a nossa principal recomendação para os fãs de Death Note, é assistir o filme sem expectativas e lembrando que o projeto claramente não foi feito para replicar o material original.

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