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Cinema e TV Críticas

Crítica: Capitão América: Guerra Civil ou “aquele filme em que o Homem-Aranha rouba a cena”

Em Capitão América: Guerra Civil, temos um embate entre duas ideologias. Dois personagens queridos pelo público. Duas equipes de super-heróis carismáticos. Mas, também, um embate entre dois filmes distintos.

Se o roteiro do longa faz o seu melhor para que o espectador não enxergue o lado do Homem de Ferro ou do Capitão América como certo ou errado, investindo em uma moral mais cinzenta, o duelo entre os dois diferentes filmes da Marvel que existem dentro das 2:30 horas de Guerra Civil é bem mais óbvio e maniqueista:

 

1) O lado feio da guerra

Este subtítulo também poderia se chamar “As primeiras 1:15h horas de filme”, provavelmente o começo mais morno, bagunçado e enfadonho já visto e, todo o MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), um demérito e tanto quando levamos em conta a existência da franquia Thor.

O maior culpado pelo começo arrastado e caótico é Bucky.

Como não seria possível levar para a telona os mesmos personagens e motivações vistos na história em quadrinhos de Mark Millar, coube ao Soldado Invernal assumir o posto de força motriz da tal Guerra Civil.

Não se engane: apesar de todo o papo burocrático sobre o Tratado de Sokóvia (faz sentido a ONU se preocupar tanto com uma equipe que salvou o mundo várias vezes? bom, o filme quer que você finja que sim) e blábláblá, tudo se resume ao elo entre Steve Rogers e o foragido Bucky Barnes.

Martin Freeman é Bilbo Bolseiro, Watson e um baita desperdício de casting, já que só aparece em duas ou três cenas. Porra, Marvel!

Assim, os primeiros dois atos do filme mostram um mala rebelde Steve Rogers disposto a quebrar a lei e desafiar alguns de seus companheiros de equipe a fim de provar que Bucky não é a ameaça que todos acreditam. Embora ele tenha matado uma penca de gente. Porque PODER DA AMIZADE!

Praticamente nada neste setup se salva, e uma série de coincidências e conveniências se somam para botar Rogers na trilha de Barnes. Por exemplo, mesmo foragido há anos, milagrosamente a agente Sharon Carter aparece com uma pista que faz o Capitão encontrar seu amigo minutos antes das forças policias locais.

Ok então. Isso só não é mais forçado que o romance entre os dois. Afinal, existe algo melhor que o velório de sua tia para acender a chama da paixão? Steve prova que tem mesmo um coração congelado, já que pega a Sharon no mesmo dia do velório de sua antiga amada Peggy Carter. Brutal, Steve, brutal…

SharonCarter
Sharon “interesse romântico só para evitar boatos entre Steve e Bucky” Carter

A boa notícia é que, como bons combatentes de Guerra, os generais da Marvel sabem que…

 

2) Os fins justificam os meios!

Aturar o começo porco de Guerra Civil traz enormes recompensas para os espectadores pacientes. O ponto de guinada acontece exatamente quando a palavra “QUEENS” aparece em letras garrafais na telona, nos levando à residência de um dos personagens mais queridos dos quadrinhos.

Narrar a apresentação de Peter Parker seria algo quase criminoso, pois é absolutamente necessário que você assista a cena com o mínimo de informações possíveis. Genial seria um eufemismo para descrever o quão bem o Amigão da Vizinhança é apresentado!

A entrada do cabeça-de-teia no filme é, disparada, a melhor cena de todo o MCU!

Tom Holland convence imediatamente e, em apenas alguns segundos, nos faz esquecer do quão ruins foram os filmes de Andrew Garfield. Mal dá para esperar por Homecoming, seu filme solo.

Inflamado por sua entrada, o filme ganha um ritmo alucinante e, dali para frente, não descansa mais. Enquanto a perseguição a Bucky pelo túnel no começo do filme mostrava efeitos especiais dignos de Pepa Filmes, o embate entre heróis no aeroporto, cheio de soluções criativas, é de fazer os fãs da Marvel e cinema de ação sorrirem de orelha a orelha!

Onde a Marvel tirou inspiração para a CG da cena do túnel

Adrenalina e qualidade dos diálogos seguem na mais alta nota possível até o inevitável clímax. Hilariamente, a reviravolta final e motivação do vilão Zemo tem um quê de Batman V Superman: A Origem da Justiça, e mostra como Zack Snyder poderia ter resolvido a situação se fosse um bom cineasta (desculpa, Rodrigo).

Aliás, enquanto o filme da DC faz a pior cena de exposição de roteiro da história da sétima arte ao mostrar a Mulher Maravilha assiste os vídeos da Liga da Justiça sentada em seu computador, a Marvel é perfeita e precisa na preparação de terreno para os próximos filmes.

marthaaa
MAR THÁ difícil a DC alcançar a Marvel no cinema, hein?

Ajuda, também, que Robert Downey Jr. seja um ator fora de série, capaz de passar humor e drama com a mesma eficiência, ajudando as cenas derradeiras a ganhar toda a gravidade necessária, sem jamais cair no piegas.

Com tantos acertos, o começo insosso é rapidamente esquecido e fica difícil não sair do cinema maravilhado e ansioso para ver os próximos e empolgantes passos do MCU.

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