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Cinema Críticas

Aquaman prova que a DC tem fôlego de sobra nos cinemas

Quem diria que um dia eu estaria deixando registrado na internet que um dos melhores filmes da DC nos cinemas é estrelado, acredite, pelo Aquaman. Mas aqui está: o filme do super-herói e rei de Atlântida é, sem sombra de dúvidas, um gigantesco acerto por parte da DC e da Warner Bros., e mostra que mudar o rumo dos Mundos da DC foi um tiro certeiro.

Com Jason Momoa no papel principal, reprisando sua participação no universo cinematográfico da DC como Arthur Curry, Aquaman nos apresenta uma história que é ao mesmo tempo uma continuação da saga do herói após os eventos de Liga da Justiça e uma quase história de origem.

O longa começa com Arthur narrando a história de amor de seus pais, o faroleiro Thomas Curry (Temuera Morrison) e Atlanna (Nicole Kidman), a Rainha de Atlântida (que ali mesmo já mostra o que podemos esperar do longa com uma sequência de ação de tirar o fôlego), mas logo pula para os dias atuais e nos reapresenta o personagem de Jason Momoa como o herói dos mares divertido, bombadão, meio desmiolado e carismático.

Fica claro desde o início do filme que Aquaman é uma aposta da DC em uma nova abordagem mais colorida e divertida, mas ainda carrega um pouquinho do peso e tom sombrio de filmes como Homem de Aço e Batman vs Superman. Embora o personagem título esteja quase sempre de bom humor, claramente se divertindo com a aventura na qual foi jogado contra sua vontade, Arthur Curry por vezes mostra ainda ter traços do mundo criado por Zack Snyder, mais sóbrio, realista e violento.

Mas nem de longe essa mistura de tons atrapalha. Na verdade, a salada que é o corte final de Aquaman mistura de tudo: temos um roteiro que mescla a clássica jornada do herói com um tom meio Indiana Jones, com os heróis buscando o lendário Tridente do Rei Atlan; temos a trilha sonora, que hora é uma batida psicodélica meio anos 80, hora foca em riffs de guitarra; temos o visual normal do mundo da superfície e logo em seguida vemos as maravilhas do mundo submerso, com todo tipo de personagens e raças diferentes. E essa mistureba funciona no final das contas, e dá a Aquaman uma identidade própria bastante distinta.

James Wan prova que não sabe fazer apenas filmes de terror. O diretor, que tem no currículo longas como Invocação do Mal, Sobrenatural e A Freira, mostra-se bastante confortável na direção de Aquaman, abusando de planos-sequência em cenas de ação, caprichando em cada tomada e conseguindo tirar dos atores e atrizes atuações que funcionam bem e ajudam a construir um mundo divertido, coeso e, embora fantasioso, bastante crível.

Aquaman acerta muito, mas certos aspectos do filme deixam a desejar. O relacionamento de Arthur Curry e Mera (Amber Heard) parece forçado e corrido, em parte por conta do roteiro, em parte pela falta de química entre a dupla de artistas. A trama é bem simples, o que embora ajude a agradar um público maior acaba deixando o novo longa da Warner/DC bem aquém de filmes como Homem de Aço e Mulher-Maravilha.

Colorido e vibrante, Aquaman possivelmente é o melhor filme dos Mundos da DC (ou DCEU, como preferir). O longa tira o melhor de suas forças para esconder suas fraquezas, e o resultado final é uma aventura de 2h22min que passa voando (ou seria nadando?) e gera aquela expectativa para ver o que mais a DC tem para mostrar nos cinemas.

O tom meio galhofa de alguns trechos do filme, com várias piadas e situações cômicas, ajuda bastante a tornar o personagem de Jason Momoa em alguém por quem o espectador torce com gosto. O filme transforma aquele personagem alvo de piadas da época dos Superamigos e dos engraçadíssimos comerciais do Cartoon Network em alguém imponente, importante e interessante, aproveitando alguns conceitos que antes eram motivo de risada em cenas incríveis e momentos marcantes.

Um grande destaque de Aquaman são seus personagens secundários. O vilão Arraia Negra de Yahya Abdul-Mateen II rouba a cena com seu visual fiel aos quadrinhos e sua sede por vingança, enquanto o antagonista Rei Orm, interpretado por Patrick Wilson, se mostra inteligente e implacável, dominando a tela sempre que presente em alguma cena.

Nicole Kidman entrega uma boa Atlanna e surpreende em um papel que parece fugir da sua zona de conforto. O Rei Nereus, interpretado por Dolph Lundgren, embora apareça pouco tem grande importância para o desenrolar da trama e o ator domina o papel em uma atuação extremamente natural.

Senti falta de uma participação maior de Vulko, o mentor de Aquaman interpretado pelo sempre ótimo Willem Dafoe. Cortado de Liga da Justiça, Vulko é importante para a história de Aquaman mas sua participação é bem menor do que pessoalmente esperava. De qualquer forma, o elenco estelar do novo longa da DC brilha tão forte quanto os vibrantes seres vivos e construções submarinas de Atlântida.

Aquaman é, sem dúvida alguma, uma guinada da Warner e da DC na direção certa e mostra que os estúdios ainda têm muito fôlego e um caminho interessante pela frente.

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