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Cinema Críticas

Aniquilação: sci-fi tenta ousar, mas não tem muito a dizer

Na teoria, eu tinha tudo para adorar o filme Aniquilação (já disponível para streaming na Netflix). Seu diretor e roteirista Alex Garland comandou Ex Machina, um dos meus sci-fi favoritos dos últimos anos. Natalie Portman é uma das atrizes que mais gosto em todo o cinema americano, e estava muito bem acompanhada por outros nomes que também curto, como Oscar Isaac e Tessa Thompson. Por que, então, me senti tão vazio?


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Bom, eu nunca li o livro original escrito por Jeff VanderMeer, mas a trama do filme que o adaptou aborda a queda de um estranho objeto vindo do espaço. Após chegar na Terra, lentamente ele vai projetando um campo ao seu redor. Pouco a pouco sua área aumenta até que, naturalmente, isso passa a apresentar um risco para humanidade.

Especialmente porque todos os soldados e cientistas enviados para dentro desse campo em constante crescimento não conseguem retornar de lá, o que levanta as mais diversas teorias sobre a natureza daquele campo. Até o dia em que o improvável acontece e um sobrevivente finalmente retorna de lá, o que serve de gancho para que Lena, a ex-militar e biológa interpretada Natalie Portman, una-se a um time de outras cientistas para investigar esses mistérios.

Sabotando uma bela ideia

A premissa do filme é bem interessante e, considerando a natureza não linear da narrativa, o mistério funciona muito bem ao longo dos primeiros 30 ou 40 minutos. Parece um sci-fi de primeira, até que a parte mais focada na ação começa e… bom, os grandes problemas também começam.

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O maior pecado, praticamente irredimível, é que todas as personagens secundárias que acompanham Lena são profundamente desinteressantes. Seus diálogos soam artificiais, suas motivações carecem de um sustento mais forte, e tudo que resta na tela são caricaturas nada funcionais de seres humanos, o que dificulta bastante que se crie alguma empatia por sua jornada.

Para piorar, as partes de ação tornam mais evidentes os problemas técnicos do filme, que sofre com sérias limitações de orçamento. Sempre que algum perigo se apresenta no caminho de Lena e companhia, fica aquela cara de filme feito direto para televisão nos anos 90, o que quebra o pouco de imersão ainda que restava.

Final vazio e sem graça

O filme vai se arrastando por esse mar de efeitos toscos e tramas paralelas desinteressantes até que, finalmente, chegamos ao ato derradeiro, que traz consigo um confronto absolutamente gratuito e mal planejado, como que subestimando a audiência e pressupondo que as poucas boas questões filosóficas apresentadas até ali não bastariam para segurar sua atenção e render um bom clímax.

No fim, é tudo amarrado em um desfecho razoavelmente coerente com as premissas apresentadas, por mais forçadas que algumas delas sejam (quem estuda física e biologia mais à sério provavelmente vai vomitar de rir com a doideira de algumas ideias apresentadas), mas que não consegue dizer nada terrivelmente interessante.

Desprovido de qualquer emoção ou mensagem relevante, o longa praticamente aniquila seu potencial ao capotar feio nos atos 2 e 3. Uma pena, pois os nomes envolvidos podiam alcançar algo bem mais legal do que o filme que recebemos…

Aniquilação
4.5 Nota
0 Leitores (0 Notas)
Prós
  • Premissa interessante
  • Elenco legal
Contras
  • Efeitos visuais toscos
  • Personagens sem
    desenvolvimento
  • Desfecho sem sal
Avaliação
Aniquilação tem uma premissa muito interessante, ótimo diretor e elenco, mas não consegue fazer bom uso dessas peças. Em parte por problemas de orçamento, em parte por decisões estranhas na narrativa, o potencial é desperdiçado graças a um segundo ato confuso e tedioso, e um desfecho vazio e sem mensagens pertinentes.
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