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Críticas Música

Arctic Monkeys se reinventam em Tranquility Base Hotel & Casino

“Eu só queria ser um dos Strokes, agora veja só a bagunça que você me obrigou a fazer…” Não dá para ser muito mais meta do que os primeiros versos de Tranquility Base Hotel & Casino, o novo disco do Arctic Monkeys, lançado esta semana para download, streaming e venda nas melhores lojas físicas.


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Se você precisa de um pouco mais de contexto para entender a letra de Star Treatment, a ótimo faixa que abre o disco, basta saber que, no começo dos anos 2000, após o The Strokes lançar o álbum Is This It e ser rotulado pela mídia como “salvadores do rock”, surgiram uma infinidade de bandas dispostas a seguir seus passos e cair de cabeça no revival do rock de garagem, pós punk e indie.

Entre inúmeros nomes mais ou menos relevantes, o Arctic Monkeys se consagrou como a melhor e maior resposta da Inglaterra ao movimento. Em 2006, seu disco de estreia, Whatever People Say I Am That’s What I’m Not, chegou com tudo, quebrou vários recordes de venda e sacramentou a jovem trupe liderada por Alex Turner como um dos nomes mais promissores do rock mundial.

O amadurecimento de Alex Turner

Após sobreviver com tranquilidade à prova de fogo do segundo disco, o grupo passou os álbuns seguintes lutando para encontrar uma identidade própria e escapar do saturadíssimo cenário indie rock da época. Entre vários experimentos, tentativas mais pop e projetos paralelos intrigantes, houve espaço para um pouco de tudo, até uma apadrinhagem básica do ilustre Josh Homme, líder do Queens of the Stone Age.

As duas faces do menino Turner
As duas faces do menino Turner

Nem tudo funcionou tão bem quanto deveria, e a própria postura do vocalista Alex Turner refletia isso nos palcos. Quando o Artic Monkeys começou, ele ainda era um adolescente meio fechadão e tímido, que mal interagia com a plateia. Aos poucos Alex foi se soltando, até abraçar uma persona meio artificial de bad boy metido a motoqueiro. Há quem goste disso, mas nunca funcionou para mim.

Seja lá qual for a sua opinião sobre essa fase, o fato é que, após um breve hiato lá em 2014 e muito aprendizado com seu parça Miles Kane (queridinho da lenda Noel Gallagher e líder do The Last Shadow Puppets), em Tranquility Base Hotel & Casino, Alex Turner voltou em plena forma, e finalmente atingiu a verdadeira maturidade!

O novo disco do Arctic Monkeys é a culminação de toda essa longa jornada repleta de cobranças, pressão, sucesso prematuro e inúmeras influências musicais e literárias absorvidas por Turner e companhia pelo caminho. Esqueça todos os clichês presentes nos discos anteriores, pois aqui tudo soa novo e diferente! Como tal, naturalmente o disco não pode ser considerado menos que interessante, até por quem acabar o odiando.

E é bem capaz que muita gente tome esse caminho, já que o CD não é uma obra fácil de digerir, especialmente para os fãs que gostavam do antigo estilo da banda. Suas guitarras soam mais etéreas do que nunca, dividindo espaço com pianinhos pontuais e linhas de baixo cheias de eco, tudo evocando uma lisérgica viagem pelo espaço ao lado dos britânicos mais espertos e sarcásticos que você possa imaginar. Se você achou essa imagem meio pirada demais, espera só até ouvir o disco!

Não estranhe, só curta a jornada

Maduro e ciente de suas forças e fraquezas, Turner escreve bem como jamais escreveu, claramente atingindo seu auge como compositor. “Desde o Livro do Êxodo está tudo em processo de gentrificação. Inaugurei uma loja de tacos no telhado e ela foi bem recebida: quatro de cinco estrelas”, ele canta em Four Out of Five, um dos vários pontos altos do álbum.

https://www.youtube.com/watch?v=DHMBJ2do1XU

A versão ao vivo dessa maravilha dá uma boa ideia da qualidade monstruosa do disco

Brilhante nas letras repletas de comentários sociais e alegorias relevantes sobre o mundo atual; fascinante na forma como explora os instrumentos e diferentes gêneros musicais, indo do jazz ao Lounge e space pop, Tranquility Base Hotel & Casino é um disco denso, bem trabalhado e bem pensado, que merece diversas audições até ser apreciado em sua plenitude.

Quem diria que uma banda que começou apenas querendo ser o próximo The Strokes conseguiria lançar um disco tão bom, inteligente e bem trabalhado, chegando ao ponto de se aproximar muito mais de um John Lennon do que de Julian Casablancas. É coisa de gente grande! Contrariando a expectativa do Turner, vale até ganhar uma estrelinha a mais: cinco de cinco estrelas, e um lugar garantido entre os melhores discos de rock deste século!

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