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Pacific Daydream mostra um Weezer falho, mas muito agradável

O Weezer não precisa provar mais nada para ninguém. Com mais de 20 anos de estrada, e diversos álbuns clássicos do rock na bagagem, a trupe de Rivers Cuomo, há um bom tempo, mais parece estar gravando discos para se divertir e investir em qualquer que seja a vibe que os instiga no momento do que em agradar fãs e crítica.

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A influência de Beach Boys sempre foi evidente na obra da banda, mas poucas vezes foi expressa tão explicitamente quanto em Pacific Daydream, que chega ao ponto de dar o nome da banda a uma de suas faixas (paradoxalmente, uma das mais fracas do álbum). O próprio Rivers já tinha defendido anteriormente que seu plano era fazer um disco inteiro com ar de Beach Boys mais dark, mas só parte dessa ideia foi aproveitada em seu mais novo disco.

Em sua melhor faixa, Weekend Woman (ouça acima o vídeo oficial, ou desça o post um pouquinho mais para ouvir o álbum completo no spotify), o Weezer mistura virtudes de diversas eras e fases da banda, com vocais em harmonia, violão e guitarra dividindo espaço, e uma linha de baixo marcante. No resto do disco, esses elementos são mais difusos. Sweet Mary, por exemplo, é uma baladinha lenta e deliciosa de ouvir, focada muito mais no vocal de Rivers, enquanto a também ótima Mexican Fender destaca as tradicionais guitarras distorcidas e rasgadas com maior ênfase.

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Nesses momentos, Pacific Daydream prova seu valor e se consagra como um verdadeiro e ótimo disco do Weezer. No entanto, há alguns tropeços sérios que atrapalham a fluidez do álbum. A fraca Feels Like Summer, por exemplo, parece tentar se aproveitar das mais recentes tendências do pop rock, pegando aquela vibe irritante de “estou pronta para estourar nas baladinhas de Ibiza”, e parece muito mais uma canção com ar de Chainsmokers do que qualquer outra coisa.

Ainda que o Weezer tenha sempre flertado com os mais diversos estilos de pop e rock ao longo de sua carreira, seu relacionamento com o pop rock modernex não é dos mais saudáveis, e o disco se sai muito melhor quando a banda honra as suas tradições. Happy Hour, por exemplo, não ficaria terrivelmente deslocado nos clássicos Blue ou Green Album.

Apesar do foco questionável em soar moderno em algumas faixas, Pacific Daydream consegue fazer o bastante para agradar tanto os fãs da banda como quem procura um disco agradável de rock para ouvir no final de semana. Só esteja preparando para alguns tropeços pontuais ao longo da audição, e o resto é só alegria.

Thomas Schulze

Formado na arte de reclamar, odeia a internet. Ainda assim, sua hipocrisia sem limites o permite administrar a página no Facebook, plataforma de divulgação do seu primeiro livro. Você também pode seguí-lo em @thomshoes no Twitter, mas provavelmente é uma má ideia...

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