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Críticas Games

Sword Art Online: Fatal Bullet é o melhor jogo da série, mas tem seus tropeços

Sword Art Online: Fatal Bullet chegou recentemente ao mercado trazendo novos ares à série. Com legendas e menus em português, e com versões para PlayStation 4, Xbox One e PC, o novo SAO aposta em novas mecânicas de tiro em terceira pessoa somadas à já tradicional dobradinha RPG + pseudo-visual novel.


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Baseado nas light novels de Sword Art Online, escritas pelo autor japonês Reki Kawahara, que por sua vez deram origem ao popular anime e diversos jogos, Sword Art Online: Fatal Bullet adapta (de maneira beeeeeem livre) a trama vista na segunda temporada do anime, quando Kirito começa a jogar o MMO de tiro em realidade virtual Gun Gale Online (ou GGO, para os mais íntimos).

No jogo, acompanhamos os primeiros passos de um novo jogador recém-chegado ao GGO, e que em seu primeiro dia de jogo acaba encontrando uma raríssima ArFA-Sys Tipe-X, uma unidade de inteligência artificial especial que, dentre outras tarefas, ajuda a cuidar das suas finanças, da personalização de itens e dá uma força imensa nas batalhas. Mas o mais especial da ArFA-Sys é que somente com uma Tipe-X é possível explorar a nova e misteriosa área da SBC Fluegel, uma espaçonave adicionada no último update de GGO.

De posse da ArFA-Sys (que assim como seu personagem pode ter o visual customizado, sendo possível até mesmo mudar seu padrão emocional e de comportamento no campo de batalha) e da também raríssima Ultimate Fiber Gun (UFG), uma espécie de arpão que permite alcançar áreas distantes, nosso personagem deve desvendar os mistérios de Gun Gale Online.

Como este já é o quarto lançamento para consoles e se passa na mesma realidade alternativa iniciada em Sword Art Online: Infinity Moment, de 2013, há muitas diferenças em relação à história vista no anime, o que pode causar certa estranheza para jogadores que só agora estão embarcando nas aventuras de SAO nos videogames. Mas para quem já vem explorando os mundos virtuais desde Aincrad, o maior impacto vai ser mesmo em relação ao gameplay.

Explorando GGO

Por se desenrolar em Gun Gale Online, um jogo de multiplayer massivo online (ou MMO, para abreviar) de tiro, as armas de fogo têm papel essencial em SAO: Fatal Bullet. Assim como Kirito usava espada na segunda temporada do anime, aqui não é diferente e você também pode equipar espadas de fótons, muito similares aos sabres de luz de Star Wars, e ter uma experiência mais próxima dos games anteriores. Mas vai por mim: as armas de fogo são grandes aliadas na hora de desbravar cada canto do desolado mundo do jogo.

E quando digo desolado, falo sério: em Fatal Bullet a maioria dos cenários são compostos por cidades abandonadas e desertos no melhor estilo “mundo pós-apocalíptico”. Pessoalmente, curti bastante a escolha do time de produção na hora de criar as áreas de jogo, visto que conseguiram espelhar muito bem a atmosfera de imensidão e solidão vista na segunda temporada do anime. Só faltou um pouco mais de criatividade na hora de criar o visual dos monstros que habitam tais cenários, que logo se tornam repetitivos e, muitas vezes, enjoativos. Não é nada raro ver inimigos com designs muito semelhantes e praticamente apenas os nomes diferentes.

A mudança brusca de “RPG de espadinha” para “RPG de tirinho” em um primeiro momento pode parecer assustadora, principalmente para pessoas que, assim como eu, não se dão muito bem em jogos de tiro. Mas SAO: Fatal Bullet tira isso de letra ao apresentar um sistema de mira automática que é um verdadeiro salva-vidas.

É possível desligá-lo a qualquer pressionando o direcional D-Pad para cima, mas ao deixá-lo ligado basta manter o botão de atirar pressionado e os adversários dentro do “quadrado” de mira e pronto, seu personagem vai atirar automaticamente nos inimigos. A única coisa que você perde com isso é um bocado a mais de balas, visto que ao atirar mirando de maneira automática há uma redução considerável de pontaria, compensada com um pouco mais de dinamismo e velocidade nas batalhas deste RPG de ação. Se preferir um pouco mais de exatidão nos tiros, basta pressionar o gatilho esquerdo (ou L2) para mirar e o gatilho direito (ou R2) para atirar — perdendo, neste caso, um pouco de mobilidade.

Saber a hora de usar a mira automática e quando trocar para a mira “manual” é essencial durante todo o jogo. Afinal, não raramente você vai dar de cara com inimigos de nível altíssimo inesperadamente, mesmo em áreas em que os adversários normalmente são bem mais fracos que você. Nessas horas, o ideal é não se desesperar e muito menos desistir e sair correndo. Afinal, todo inimigo em Sword Art Online tem pontos fracos que, quando acertados, causam danos gigantescos. Eu sei que é fácil se assustar quando você, no nível 22, dá de cara com um inimigo de nível 59, mas nessas horas o melhor a fazer é entender o padrão de ataque dos monstros e identificar seus pontos fracos.

Novo protagonista

Outra diferença muitíssimo bem-vinda é o fato de que em Fatal Bullet o personagem principal não é mais o Kirito, e sim o personagem criado pelo jogador no começo da aventura. Nada contra o rapaz, mas poder jogar com um novo personagem criado por mim mesmo ajudou bastante a tornar a empreitada muito mais imersiva e pessoal. Embora não seja um jogo de realidade virtual, mas sim um jogo de tiro em terceira pessoa (ou TPS, third player shooter), ver meu personagem interagindo com Kirito, Asuna, Sinon e cia. foi uma experiência diferente e bem bacana.

Ainda assim, você pode jogar com o protagonista das light novels e do anime no Modo Kirito, um modo de jogo liberado após algumas boas horas de gameplay. Neste modo, acompanhamos uma adaptação um pouco mais fiel da trama de Phantom Bullet (saga vista nas light novels de números cinco e seis e na primeira parte da segunda temporada do anime), com Kirito e Sinon entrando na competição BdB, a Bala das Balas (BoB, Bullet of Bullets, no original) e encarando o vilão Death Gun. É possível jogar “livremente” como Kirito depois que este modo de jogo é liberado, sendo possível fazer missões e explorar calabouços no controle do herói de traje negro, mas não é possível editar suas habilidades e equipamentos e muito menos curtir os modos online.

Modo Online

Sim, porque Sword Art Online: Fatal Bullet tem um modo multiplayer online sim — embora passe distante de ser um MMO. É possível jogar com outros jogadores pela internet de maneira cooperativa (Co-Op online), em grupos de até quatro jogadores que se reúnem para matar inimigos poderosos em troca de itens e materiais; ou competitiva (PVP online), em partidas que separam dois grupos de até quatro jogadores cada (totalizando oito jogadores reais na partida).

Embora repetitivo e pouco lapidado, principalmente no que diz respeito ao cooperativo, e bastante difícil de encontrar salas para trocar uns tiros — especificamente falando do PVP —, o modo online ajuda a distrair um pouco a cabeça quando cansamos de repetir as mesmas dungeons de novo (e de novo, e de novo), seja em busca de itens para criar novas roupas com Asuna ou para aprimorar equipamentos com Lisbeth, seja para ganhar experiência e subir de nível para encarar aquela área que está praticamente impossível de explorar.

Carregando…

SAO:FB está longe de ser um game perfeito. A estranha combinação de shooter em terceira pessoa de ritmo frenético com os infinitos diálogos dignos de visual novels faz com que o jogo tenha dificuldades em manter uma identidade constante. Afinal, numa hora você está descendo o chumbo em robôs na fábrica abandonada no deserto para logo em seguida cair em um diálogo interminável com algum outro personagem. E aí cai novamente no tiroteio. E depois vem outro diálogo gigante

Mas o maior problema de Sword Art Online: Fatal Bullet é, sem sombra de dúvidas, a presença constante de telas de loading. Vai trocar de área? Tem loading. Vai falar com algum personagem importante? O jogo vai carregar e vai ter mais tela de loading. Vai mexer no menu de galeria? Adivinha só: tem loading. Esse excesso de telas de carregamento não apenas quebra bastante o ritmo como desencoraja o jogador a, por exemplo, iniciar diálogos, explorar os mapas e até mesmo personalizar as roupas e itens de seu personagem. Perto dos onipresentes loadings, qualquer problema de Fatal Bullet parece pequeno e desimportante.

Bala das Balas

Ainda assim, se a série de jogos de Sword Art Online participasse do torneio BdB, com certeza Fatal Bullet seria a Bala das Balas. O jogo se destaca dos demais games da série não apenas por ter visual mais caprichado e novos personagens interessantes, mas principalmente por arriscar uma guinada de 180 graus e inovar na jogabilidade priorizando armas de fogo sobre espadas e adagas.

Testamos o game no Xbox One com uma chave de download fornecida pela Bandai Namco e percebemos algumas poucas quedas de FPS (quadros por segundo), algo que não chegou a atrapalhar ou quebrar a imersão, e é provável que tais quedas não ocorram no Xbox One X, visto que o jogo foi otimizado para a nova plataforma da família Xbox. O mesmo deve ocorrer entre PS4 e PS4 Pro, enquanto que nos PCs a frequência de quedas de frames (ou a ausência total delas) deve ser ditada pelo poder de processamento do seu computador.

Divertido, Sword Art Online: Fatal Bullet foi uma grata surpresa. Digo isso não apenas como fã da série, tendo lido algumas das light novels e estar em dia com o anime, mas também como alguém que jogou outros títulos da série em outros consoles e ficou bastante feliz com o resultado de SAO:FB, que é um avanço imenso em termos de visual e jogabilidade em relação aos outros jogos estrelados por Kirito e sua turma.

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