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Críticas Games

PES 2017 vira o jogo e coloca Konami no topo

A última década não foi das mais fáceis para a série Pro Evolution Soccer. Se International Superstar Soccer e Winning Eleven já reinaram soberanos entre a preferência dos jogadores, a chegada dos anos 2010 trouxe consigo um enorme crescimento da marca FIFA. Como não tem mais bobo no futebol, aproveitando uma certa estagnação na fórmula da Konami, a EA Sports conquistou boa parte do público e, com diversas inovações em sua engine de física, virou uma queridinha da crítica.

Foi apenas em sua edição 2014 que PES começou a mostrar lampejos de que poderia reagir e voltar a brilhar em campo graças à introdução da FOX Engine, o poderoso motor de jogo. A cada nova versão ele foi um pouco aprimorado até, finalmente, chegar à sua melhor forma em PES 2017. E, acredite, ele faz toda a diferença!

Pimba na gorduchinha

 

Seria fácil elogiar a FOX Engine apenas pelos gráficos quase fotorrealistas que consegue criar nos consoles de ponta. Assistir os melhores momentos de uma partida é, possivelmente, a melhor experiência gráfica da geração até agora. Ao olhar os modelos de jogadores como Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar rapidamente, fica até difícil distinguir se estamos olhando para uma foto ou um videogame.

No entanto, o verdadeiro mérito da engine é o quão solta e fluída a jogabilidade de PES 2017 finalmente voltou a ser. Se as últimas edições apresentaram um jogo bem truncado e engessado, com atletas que mais pareciam robôs correndo, a nova versão resolveu todos os problemas, fazendo a partida correr livre, leve e solta.

Já tinha identificado essas melhorias em meu breve teste durante a E3 2016, e ficou fácil comprovar o salto de qualidade no produto final: a física da bola está muito mais próxima do ideal, correndo na velocidade adequada para um meio termo entre simulador sério e diversão arcade despretensiosa. Bastam alguns poucos minutos de treino para sacar o novo ritmo e aprender a colocar a pelota exatamente onde deseja, com uma precisão sem precedentes.

Mesmo que ainda impere a máxima “fácil de aprender, difícil de dominar”, e ainda que PES 2017 esconda dezenas de dribles bem complicados, direcionados apenas para jogadores mais avançados, a verdade é que PES 2017 é tão acessível e bem balanceado quanto os melhores momentos da franquia.

Brasileiríssimo

 

Nos últimos anos, PES fez um esforço para se aproximar do mercado brasileiro, licenciando tantos times e estádios quanto fosse possível. Lançou capas temáticas e investiu pesado na localização, mas nada que chegasse perto da absoluta “brasileirisse” de PES 2017.

Desta vez, o campeonato brasileiro está presente em peso. Fruto de uma parceria com a CBF, o jogo conta com todos os times da série A, além dos estádios Maracanã, Morumbi, Mineirão, Arena Corinthians, Beira-rio e Vila Belmiro, todos reproduzidos com grande riqueza de detalhes.

https://www.youtube.com/watch?v=iBi3Mysbpfg

Embora a esmagadora maioria dos atletas nacionais não tenham sido esculpidos com o mesmo cuidado dos craques que atuam nos maiores times do mundo (muitos deles sequer lembram remotamente suas contrapartes reais, e alguns poucos apresentam até nomes errados), ao menos os uniformes foram replicados com perfeição. Fica a torcida para que atualizações posteriores melhorem os jogadores brazucas.

Que beleza!

 

Se o Campeonato Brasileiro faz sua estreia triunfal, a Copa Libertadores se despede e deixa saudades: em seu lugar há apenas um genérico “Campeonato Sudamericano”. Ao menos essa ausência é bem compensada por um aprimoramento geral tanto dos modos de jogo como de sua interface.

https://www.youtube.com/watch?v=eIhbkrdsDKU

Navegar pelos menus está mais simples e elegante do que nunca, facilitando encontrar rapidamente a opção desejada. Há uma boa variedade de músicas para embalar os menus na edição deste ano, e customizar jogadores, times e estádios é tão fácil quanto apertar dois ou três botões no joystick.

Disputas online seguem apostando em um sistema de divisões simples, mas que fica bem disputado no divertidíssimo modo myClub, possivelmente a área que recebeu mais acertos. Agora ficou fácil usar olheiros e empresários para trazer os maiores craques ao seu time dos sonhos, seja por compra direta ou empréstimo. Olha só o Messi que consegui botar como jogador do Botafogo já em meu primeiro dia de jogo:

messi-pes-thomas-schulze

Entre tantos acertos, restam, claro, alguns pequenos problemas técnicos. Embora Milton Leite seja um dos melhores narradores em atividade, e tenha muita experiência com narração virtual, fica a impressão de que PES repete seus áudios com mais frequência do que deveria. O problema é agravado com a reutilização de várias frases do comentarista Mauro Beting. Em certo ponto, cheguei a ouvi-lo chamar o parceiro Milton de Silvio Luiz (o antigo narrador).

O matchmaking também não está tão rápido quanto deveria, ao menos nesta semana de lançamento. Encontrar um rival para jogar online pode demorar alguns minutos, especialmente em modos diferentes da disputa rápida, como o myClub e as Divisões. No entanto, esses problemas não apagam o brilho deste que é o melhor capítulo de PES em muito, muito tempo.

Repleto de recursos cativantes, gráficos primorosos e uma jogabilidade simplesmente viciante, PES 2017 é uma compra obrigatória para quem pretende curtir o melhor futebol virtual disponível. É melhor FIFA abrir os olhos, porque a Konami voltou com tudo!

PES 2017 – Nota: 5/5

Produtora: Konami
Plataformas: PC, PS4, Xbox One, PS3, Xbox 360
Plataforma utilizada na análise: PS4

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