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Críticas Games

Overwatch é uma carta de amor aos videogames

Não é segredo que a indústria dos videogames passa por uma séria crise de criatividade. Especialmente no ramo das grandes produções AAA, é difícil encontrar empresas dispostas a correr riscos e apresentar propostas inovadoras. Entre FPS sem inspiração e sandbox “simuladores de office boy”, obrigando o jogador a ir do ponto A ao B de um mapa gigantesco, a nova geração não está sendo gentil com quem espera games divertidos e inovadores.

Coube à veterana Blizzard dar uma sacudida nas coisas e provar que, mesmo em 2016, ainda é possível lançar um blockbuster cheio de carisma, estilo e novidades no gameplay, tudo isso sem comprometer os valores mais puros e antigos dos jogos, priorizando a diversão imediata acima de tudo.

Você precisa jogar Overwatch e, uma vez que comece, não vai mais querer parar!

Para uma empresa mais conhecida pelas épicas franquias Diablo e Warcraft (e toda aquela pinta e pompa medieval), migrar para um futuro distópico cheio de heróis que mais parecem saídos de um crossover entre a Pixar, DC e Shonen Jump deve ter sido uma fuga e tanto da sua zona de conforto.

Felizmente, o resultado não poderia ter sido melhor. Em uma notável conquista, todos os 21 personagens jogáveis possuem carisma o bastante para protagonizar seu próprio game. Mais do que isso, surrealmente, eles são controlados de forma idiossincrática o bastante para garantir que cada um tenha sua própria jogabilidade e táticas.

Você lembra do que sentiu ao jogar Street Fighter II pela primeira vez? Todos aqueles lutadores, representando diversos países, cada um com seu próprio repertório de golpes e visual remetendo à sua terra natal ajudavam o game a construir não apenas uma identidade única, mas também uma variedade sem precedentes para a época. Algo similar acontece em Overwatch.

“Podemos ser heróis”

Overwatch foi montado sobre um fascinante paradoxo. Embora sua variedade seja virtualmente infinita, ela nasce de apenas um modo principal de jogo. É verdade que existem tutoriais e um modo de treino contra a IA, mas eles representam uma fração mínima da experiência. Apenas uma das mais de centenas de horas de jogo em potencial.

O título exige uma boa conexão com a internet, pois todas as suas partidas envolvem combates entre equipes de seis membros. Basta um clique para que os servidores (melhorando a cada dia após um lançamento um pouco tumultuado) encontrem seus companheiros e rivais, e lance todos em uma arena.

overwatch

Os objetivos costumam ser simples, variando entre a conquista de territórios e a escolta de carga. Aqui não é premiado o time que matar mais oponentes, muito menos as pequenas conquistas individuais. A chave é o trabalho em equipe, pois só uma equipe em sintonia alcança a vitória.

Suas partidas rápidas e eletrizantes, baseadas na cooperação e entendimento do cenário e comportamento de seus aliados lembram bastante a diversão de Splatoon, o moderno clássico da Nintendo, cujo modo online também rende centenas de horas de diversão acessível e imediata.

Controles fora de série

A razão que leva a última aposta da Blizzard a triunfar e jamais esbarrar no tédio mesmo com a escassez de modos de jogo é bastante simples:

Overwatch tem a melhor jogabilidade entre os FPS lançados neste século.

O trabalho primoroso dos desenvolvedores da Blizzard garantiu que cada personagem apresentasse algo de novo para o gênero. Pense em Tracer, por exemplo. O principal rosto do game conta com uma impressionante habilidade de viagem no tempo. Enquanto os embates online rolam lisinhos, sem lag e em tempo real, a heróina, com o apertar de um botão, consegue tanto pular para pontos futuros do mapa como retroceder alguns segundos no tempo e voltar para onde estava. É uma delícia de ver e jogar!

Cada personagem do elenco muito bem balanceado e equilibrado possui um (ou mais!) diferencial. D.Va possui um robô gigante que pode ser usado até como explosivo após sua ejeção; Reaper fica intangível; Mei congela os inimigos e ergue enorme barreiras de gelo; o gorilão Winston cria redomas de proteção; Genji rebate balas com sua espada; Torbjörn constrói torretas de ataque pelo mapa; Widowmaker usa um gancho para escalar o mapa e encontrar pontos de vantagem par seu rifle sniper; e muito, muito mais!

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Descobrir como tirar o melhor dos controles, habilidades e poderes dos heróis faz com que Overwatch vire, praticamente, 21 jogos em um só. Mas o verdadeiro charme e brilhantismo da fórmula vem das quase infinitas táticas e combinações que podem ser feitas entre o rico elenco.

A enorme diversão das partidas já serviria de motivação para deixar Overwatch bombando em seu PC ou console por horas a fio, mas o game não cansa de recompensar o jogador por seu tempo investido. Subir de nível garante caixas de itens que aumenta ainda mais o carisma do pacote. Heróis ganham novas falas, visuais poses de vitória, e até sprays para pintar o cenário. Aliás, no fim de cada partida os jogadores votam no melhor herói em campo, o que é outra motivação para mandar bem. E ainda tem sempre um vídeo homenageando a melhor jogada da rodada!

“A cavalaria chegou!”

Por mais que Overwatch abrace as melhores tecnologias e recursos do mercado, aproveitando tudo que as novas plataformas de jogo têm de melhor, em termos de poderio de hardware, no fim das contas ele brilha por algo muito mais simples:

Overwatch é uma carta de amor aos videogames; um lembrete do quão divertidos eles podem e devem ser.

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Um clássico instantâneo, altamente recomendado tanto para os fãs de FPS e jogos online como, principalmente para quem quer uma experiência viciante e com fator replay quase infinito.

Overwatch – Nota: 5/5

Produtora: Blizzard
Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One
Plataforma usada na análise: PlayStation 4

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