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Críticas Games

Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 4 dá tom apoteótico ao fim da série

A aventura derradeira, o rasengan final, a maior das maiores lutas já vistas em todo o mundo ninja!


Se nas páginas da Weekly Shonen Jump a série Naruto já chegou ao fim há pouco mais de um ano, ao que tudo indica nos videogames a aventura ainda não tem hora certa para acabar.

Lançado no último dia 4 de fevereiro, Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 4 chegou para colocar um ponto final na saga do ninja mais arteiro de todos os tempos, cobrindo o último arco do mangá desde a conclusão da Quarta Grande Guerra Ninja até os tempos de paz da geração seguinte. Isso inclui um salto de aproximadamente quinze anos na linha do tempo da série, já que o Naruto tem aproximadamente dezessete anos durante a guerra, mas termina o mangá casado e com dois filhos. Diz aí, mestre Toriyama, se ele não aprendeu direitinho?

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O conceito de estratégia

Por se tratar do último título da franquia (ou não), a CyberConnect2 deu uma caprichada a mais em todos os aspectos técnicos, entregando um produto realmente digno dos fãs mais fervorosos da série. Mas até aí, tudo dentro dos conformes, já que a companhia seguiu mais ou menos nessa linha ao longo de toda sua história. O ‘big deal’ de UNS4 é que o jogo parece atraente o bastante para cativar até mesmo aquela galera que sempre torceu o nariz para a franquia, mexendo muito pouco na mecânica dos combates. Se antes tratava-se de “apenas mais um jogo de Naruto”, agora a situação parece um pouquinho diferente e mais ambiciosa, com combates mais dinâmicos e envolventes, mas sem perder a essência da obra original.

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LOJA PLAYREPLAY

Uma das grandes novidades de UNS4 é a possibilidade de trocar de personagem durante a luta, revezando entre os dois strikers e o personagem ativo, mais ou menos no mesmo esquema de Marvel vs Capcom. Dessa forma as lutas ganham em dinamismo e estratégia, principalmente na hora da montagem dos times: usar um time “certo” (ou seja, seguindo a história da série) pode render golpes e especiais combinados, mas não necessariamente resultar na melhor escolha em combate. É o lado analítico do jogo em ação, trabalhando as habilidades de predição e leitura de campo do jogador! Mas só saber montar um time não traz nenhuma certeza de vitória, já que ainda é preciso ter controle pleno dos combos, jutsus, uso de chakra, itens e outros pequenos detalhes do combate, todos construídos pouco a pouco, e de forma evolutiva, ao longo dos anos.

 

Mania de grandeza

Se você já assistiu aos vídeos da demo de UNS4, deve ter ficado bastante empolgado com as proporções da luta entre o Primeiro Hokage Hashirama e Uchiha Madara, com direito até mesmo a combate entre criaturas gigantes no melhor estilo Ultraman de ser. Se pensarmos que no começo do mangá as lutas podiam ser definidas com um peido ou apenas se enfiando embaixo da terra, até que a galera evoluiu bastante nesse meio tempo. Coube ao jogo apenas acompanhar essa metamorfose, trazendo para a arena monstruosidades como a Raposa Nove Caudas com um manto de Susano’o ou um imenso Golem de Madeira, tudo em proporções faraônicas. Segundo postagem nas redes sociais feita pelo Humberto Martinez (editor das revistas oficiais PlayStation e Xbox), esse Naruto evoca o sentimento de estar jogando Asura’s Wrath, e eu assino embaixo.

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Todas essas batalhas épicas fazem parte do Modo História do jogo, que narra os momentos finais da série, exatamente a partir do mesmo ponto em que parou o título anterior. Se você jogar com afinco é possível finalizar esse modo em pouco mais de seis horas, o que é relativamente pouco para um jogo dessa grandiosidade. Só que não tem mais história que isso e esticar mais a trama seria repetir o que já acontece no anime desde as primeiras temporadas. Fillers até aqui, por favor, não!

Além dos combates tradicionais, o Modo História é ainda recheado com diversas cutscenes para situar o jogador, alternando entre cenas animadas e cel shading, mais ou menos como estar assistindo ao anime, com a diferença de ter participação ativa na hora do ‘vamo ver’.

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Além dos combates 1 vs 1 e 3 vs 3, em raros momentos da história somos obrigados a enfrentar exércitos inteiros de uma só vez, alternando a mecânica do combate para algo mais parecido com um hack n’slash, que não é novidade na franquia mas ajuda bastante a desestressar. Uma dessas lutas mostra um descontrolado Obito enfrentando dezenas de Ninjas da Névoa, e devo dizer que foi até interessante ter uma ou duas lutas assim, alternando entre as lutas normais. Foi um recurso utilizado com parcimônia que deu certo. Esse é, sem dúvidas, o melhor modo Single Player de toda a franquia.

 

Mas como nem tudo são flores…

… temos no mesmo jogo, também, o pior modo (ou mais cansativo, vai) Single Player de toda a franquia. O Modo Aventura, que é indicado apenas para os jogadores que já concluíram toda a trama da série, dá a oportunidade de encarnarmos mais uma vez na pele de Naruto em andanças intermináveis e diálogos desconexos por todo o mundo ninja. A primeira missão, por exemplo, consiste em entregar uma carta pessoalmente ao Kazekage na Vila Oculta da Areia. Sim, o cara que acabou de salvar o mundo tem que dar uma de carteiro-ninja, conversando com aldeões e recordando batalhas passadas a torto e direito. Foi uma tentativa de inflar o Single Player para não tornar o jogo tão enjoativo, mas que não deu muito certo. Se tivessem usado um esquema parecido com o dos jogos de PlayStation 2, por exemplo, talvez saísse algo mais divertido.

Pra fechar o pacote das broncas, apenas uma observação quanto as legendas em português, que mais uma vez não saíram perfeitas. Logo no começo do jogo somos obrigados a enfrentar a Raposa de Nove ‘Caldas’, entre outras frases aqui e ali que parecem um pouco fora de contexto. Esperamos que isso seja corrigido em um patch de atualização muito em breve.

 

Além do mais

Passadas as (poucas) broncas que tivemos com UNS4, ainda temos pela frente um jogo bastante competente. Visualmente tudo parece muito mais deslumbrante, graças ao poder de fogo aumentado dos consoles mais novos, com efeitos mais realistas em detalhes cruciais como partículas de luz ou no acabamento dos golpes especiais, sempre um espetáculo a parte.

Além dos personagens presentes em todos os demais capítulos da série, temos a presença ainda das formas finais de Naruto, Sasuke (e seus respectivos filhos Boruto e Sarada), Obito, Madara e a vilã-master Kaguya Ootsutsuki, para o (des)prazer de muitos. Com um elenco tão inflado como esse, é até de se estranhar que não haja nenhum grande problema de balanceamento entre os personagens. Algumas figurinhas manjadas dos jogos antigos parecem ter sofrido reajustes, de modo a deixar as lutas mais divertidas e menos apelativas.

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Uma bola dentro por parte do time de localização do jogo foi abrir espaço para as vozes dubladas em português (e espanhol), com os mesmos profissionais responsáveis pelo anime no Brasil. Só que diferente de Os Cavaleiros do Zodíaco: Alma dos Soldados, onde a dublagem foi vital para o sucesso do jogo por aqui, Naruto chegou ao conhecimento dos fãs através dos fansubbers e eventos especializados, para só anos mais tarde receber a devida localização e espaço na TV. Dessa forma, por mais louvável que seja ter as vozes originais, vale muito mais como curiosidade e incentivo aos profissionais brazukas que como incentivo para comprar o jogo.

Por último, mas não menos importante, fica o destaque para o carinho que o jogo tem com os fãs da série, presente em uma infinidade de itens colecionáveis, desde telas com momentos marcantes da história até as mais inimagináveis vestimentas, tudo disponível para compra com a moeda do jogo, o ryou.

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Essas minúcias mostram que o trabalho foi feito de fã pra fã, dentro de um título especialmente preparado para ser o menos excludente o possível. Se em todos os outros títulos da série o foco estava principalmente naqueles que já haviam sido cativados por Naruto e seus amigos, a ideia aqui é expandir a legião de jogadores e formar uma comunidade ativa e bastante competitiva, inclusive através do modo online. Com isso, talvez Naruto Shippuden: Ultimate Ninja Storm 4 seja um pouco mais que um jogo de luta baseado em um anime, mas um bom expoente dos jogos de luta lançados para a nova geração de consoles. Seria muito sonhar com um espacinho para Naruto e Sasuke na EVO 2016? Esperamos que não!

 

Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm 4 – Nota: 4,5/5

Produtora: CyberConnect2
Publicadora: Bandai Namco
Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PC
Plataforma utilizada na análise: PlayStation 4

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