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Críticas Games

Doom no Switch te deixa matar e estraçalhar demônios em qualquer lugar

Durante o que parecia um Nintendo Direct normal no meio de setembro, tivemos uma das maiores surpresas do ano: Doom seria lançado no Switch em poucos meses.

Por mais que vários jogos impressionantes já estivessem no console híbrido, algo como Doom parecia impossível, tanto pelo ponto de vista técnico como pelo fato da Bethesda não lançar jogos em plataformas da Nintendo há décadas.

Nas semanas seguintes, mais informações foram liberadas e ficou óbvio que o jogo tinha diversas limitações em comparação com a versão de PC, PlayStation 4 e Xbox One. Além de não ter o modo Snapmap (basicamente um editor de mapas), o jogo roda na resolução 720p e a 30 quadros por segundo.

Considerando que este é basicamente um shooter em primeira pessoa, essas informações não demoraram a preocupar muita gente, mas a possibilidade de simplesmente aproveitar Doom em qualquer lugar no modo portátil parecia ser o suficiente para esquecer essas desvantagens.

O custo da portabilidade

Antes de seguir para uma análise detalhada do game, é importante falar um pouco sobre esses aspectos técnicos, já que é algo perceptível em modo portátil ou na TV e é um assunto importante para muitos que se interessaram por esta versão. Posso dizer que depois de horas destruindo demônios de todas as maneiras possíveis no Switch, algo ficou bem claro: a baixa resolução e framerate realmente se torna algo secundário.

O que você precisa ter em mente é que quando Doom foi lançado no ano passado, era impossível imaginar que ele rodaria tão bem em um dispositivo tão pequeno. Por si só, isso já é uma maravilha técnica. Um ano atrás estávamos jogando games pixelados de baixíssima resolução no 3DS ou jogos inferiores aos visuais do PS3 no PS Vita. Hoje, nós temos um grande game de PC rodando em um portátil lançado há apenas 8 meses. Obviamente este foi só o começo, afinal, o Switch é uma plataforma nova e os desenvolvedores ainda estão aprendendo a tirar o melhor possível do que ele tem a oferecer.

doom gameplay

O pessoal da Panic Button (que tomou conta deste port) fez um excelente trabalho e mesmo a Bethesda foi esperta o suficiente para abrir o caminho e colocar um jogo como este no sistema antes de qualquer outra empresa. Agora, empresas como a Capcom e a Square Enix estão correndo atrás do “prejuízo” e já anunciaram abertamente que estão trabalhando com urgência para lançar diversos títulos no console da Nintendo.

Doom no Switch pode ser a pior maneira de aproveitar o game em questão de performance, mas foi um passo muito importante para indústria de games. Agora não é necessário ficar grudado em uma TV específica ou sentado em frente ao PC para aproveitá-lo. Você pode simplesmente levá-lo para onde quiser ou conectá-lo a qualquer TV que preferir em menos de um minuto. Seu visual é o maior preço dessa conveniência, então cabe a você saber se esse custo é alto ou baixo para poder aproveitá-lo bem no Switch.

Matar demônios ainda é maravilhoso

O jogo em si é exatamente o que você esperaria, afinal, ainda é Doom. Apesar de estar bem mais bonito do que o game que conhecemos originalmente em 1993, sua essência é a mesma: atirar e destruir criaturas demoníacas sem parar. É claro que agora há uma história mais detalhada e os mapas são bem maiores, mas a id Software soube recriar e renovar o jogo de maneira incrível. Isso obviamente permanece no Switch, já que não é algo que depende simplesmente de texturas bonitas.

novo switch

Caso já tenha experimentado o jogo em outras plataformas, você definitivamente notará que o cenário e diversos objetos estão mais borrados quando vistos de longe. Isso pode ser levemente incômodo para os jogadores mais exigentes, mas querendo ou não, é impossível comparar este jogo rodando em um PC potente com uma versão portátil.

Durante as minhas horas com o game, percebi que ele realmente fica com um framerate bem estável e não costuma cair dos 3o quadros por segundo. Notei quedas bem leves em momentos intensos, cheios de demônios me atacando e comigo virando a câmera para todo lugar a cada segundo. Isso aconteceu mais no modo portátil, mas enquanto o Switch estava no dock, não me deparei com grandes problemas de performance.

Veja também:

Problemas no paraíso (ou inferno?)

Por mais que o port tenha sido muito bem feito, você definitivamente encontrará alguns probleminhas durante suas partidas. A primeira coisa que me incomodou foi a sensibilidade da câmera e da mira, que estava tão alta que tornava impossível de conseguir focar nos inimigos e atirar em alguém.

Se esse fosse um shooter levemente mais parado, estaria tudo bem, mas estamos falando de um dos jogos mais frenéticos e rápidos que você pode encontrar atualmente. A melhor solução para isso é simplesmente ir nas configurações do jogo e testar diferentes combinações de sensibilidade para encontrar o que funciona melhor para você.

doom switch

Ainda assim, posso dizer que jogar com o Pro Controller me deu um controle (sem piada intencional) bem melhor da minha movimentação do que quando estava com os Joy Cons do Switch. É claro que isso não é necessariamente culpa de Doom, já que é algo meio padrão em outros jogos do console híbrido.

Fora isso, você pode encontrar alguns problemas que devem ser resolvidos em futuros patches do jogo, como travamentos momentâneos ou o som do game sumindo do nada até você chegar em outra área ou passar por uma tela de carregamento. Esses foram alguns dos erros mais comuns que outros jogadores encontraram, mas felizmente não passei por nenhum deles enquanto jogava.

As vantagens do Switch

Enquanto desbravava a campanha principal do jogo, dividi o máximo do meu tempo entre o modo portátil e o modo Dock do Switch. Desta forma foi possível perceber as diferenças entre os dois e saber se realmente era viável ou divertido jogar Doom fora da TV. Felizmente, a minha experiência foi excelente das duas maneiras, mas devo dizer que sempre ficava mais tentada a jogar no modo portátil pela facilidade e possibilidade de jogar partidas mais curtas.

Além disso, como você pode colocar o console em modo de descanso, deixá-lo ao seu lado e voltar à matança de demônios a qualquer momento em questão de segundos, não há aquele sentimento de obrigação de ficar horas seguidas jogando sem parar. É possível escolher seu próprio ritmo de acordo com seu humor ou com as tarefas que tiver ao longo do dia.

doom no switch

O mesmo valeu para minhas partidas no modo Arcade, mas me vi mais concentrada na TV quando joguei o modo multiplayer, especialmente pela natureza competitiva dele. De qualquer forma, isso certamente é algo que vai variar bastante para cada jogador, considerando que é mais baseado em preferência pessoal.

É claro que se não possui qualquer interesse na portabilidade de Doom, é bom avaliar se a versão do Switch é a mais apropriada para você. Caso contrário, é fácil afirmar que esta versão é excelente para quem ainda não teve contato com Doom em outras plataformas, para quem quer experimentar o game de maneira diferente ou simplesmente para quem procura conveniência. De qualquer forma, Doom ainda é Doom e é maravilhoso em qualquer lugar.

DOOM – Nota: 4,5/5

Desenvolvedora: id Software
Distribuidora: Bethesda
Plataformas: Nintendo Switch, Xbox One, PlayStation 4 e PC
Plataforma utilizada na análise: Nintendo Switch
Produto cedido para análise: Sim

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