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Críticas Games

Investigar crimes cibernéticos em Digimon Story: Cyber Sleuth é mais divertido do que parece

Se o lançamento da animação Digimon Adventure Tri, contando com o retorno dos protagonistas do primeiro anime dos monstrinhos digitais, não parecia o suficiente para comemorar os 15 anos série, saiba que Digimon Story: Cyber Sleuth está aí para completar a comemoração em grande estilo.

Lançado originalmente em 2015, no Japão, exclusivamente para PlayStation Vita, o game chegou às Américas esse ano com versões tanto para o portátil da Sony quanto para o PlayStation 4. Digimon Story: Cyber Sleuth é um RPG com batalhas em turnos, dublado em japonês e legendado em inglês e sua história se desenrola, acredite, no mundo real. Aqui você pode jogar como um menino ou uma menina, que por motivos que não serão citados aqui para não estragar a história, ganha a habilidade de viajar livremente entre o mundo real e o digital.

Em DSCS, a tecnologia do mundo real é tão avançada que a internet funciona por meio da EDEN, uma rede de realidade virtual que funciona quase como um espelho digital do nosso mundo. Não é segredo que onde há tecnologia, há hackers, e em DSCS não é diferente. Os “piratas” do mundo digital utilizam programas conhecidos como Digimon para roubar dados, invadir redes privadas e por aí vai.

E é aí que o jogo faz jus ao seu título: com uma trama assim, cheia de tecnoblablablá e hackers, nada mais justo do que os protagonistas combaterem crimes virtuais, certo? Logo no início do jogo o personagem principal é recrutado por Kyoko, uma jovem detetive cibernética (ou Cyber Sleuth, em inglês, como no título do jogo), para se tornar seu aprendiz. Afinal, alguém com a habilidade de pular livremente de um mundo para o outro tem grande potencial para resolver crimes virtuais.

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Uma das maiores vantagens de Digimon Story: Cyber Sleuth é que, ainda que seja parte da comemoração dos 15 anos do primeiro anime da série, o game não tem ligação com nenhuma das animações dos monstrinhos já lançadas. Então, seja você um fã de Digimon ou não, são grandes as chances de DSCS te agradar bastante. O game é um ótimo RPG, com boa história, ótimas mecânicas, uma boa lista de monstrinhos para “capturar” e visual estonteante.

Sim, porque o visual do jogo é realmente muito bom, principalmente se levarmos em conta que o título foi originalmente lançado para PS Vita. O mundo real, que conta com locais como Akihabara e Shinjuku, e o mundo digital são muito bonitos e coloridos, e bem distintos um do outro (mesmo quando, como esperado em uma aventura Digimon, estão tão próximos que parecem fundidos). Aliás, os monstrinhos nunca estiveram tão bonitos nos videogames: todos eles contam com visual e movimentação caprichados, e a maioria deles conta com pelo menos um golpe especial que ativa uma movimentação com efeitos únicos.

Mas, por mais belo que seja o jogo, DSCS conta com alguns probleminhas. O primeiro, que também é o que mais me incomodou, é a forma como a história é contada: quando a trama vai seguir, o game congela a tela e dá início a uma sequência de diálogos com os sprites dos personagens se movendo por cima da tela de jogo. Ou seja, você os personagens duas vezes, uma na tela de jogo e a outra na tela de diálogo. “Ah, mas isso é normal em RPGs”. Sim, concordo, mas normalmente em RPGs em que os avatares dos personagens são pequenos ou menos detalhados, dificultando a expressão de movimentos. Em Cyber Sleuth é quase como se usassem os mesmos sprites, então meio que não faz muito sentido. E fica estranho. Sério, Bandai Namco, ficou estranho.

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Outra ponto que ficou um pouco aquém foi a dificuldade do jogo. No modo normal, é possível ir até o final da história sem “morrer” nenhuma vez. A menos que você fique brincando de digivoluir pra lá e pra cá, voltando para formas mais fracas para conseguir mais vantagens com as evoluções mais fortes e acabe em uma batalha contra chefe com um time composto basicamente de monstrinhos bebês, é quase impossível perder uma batalha.

Um ponto que gerou muitas reclamações entre os fãs da série foi a falta de alguns monstrinhos icônicos no jogo. Sinceramente, isso não foi algo que chegou a me incomodar, já que existe uma quantidade generosa de monstros para capturar (e ainda estou bem longe de conseguir pegar todos eles).

Capturar, aliás, é bem simples em Cyber Sleuth: sempre que você entra em uma batalha, seu personagem scaneia os adversários e vai adicionando informações sobre os monstros ao banco de dados. Quando o percentual de scan chegar a 100%, é possível transformar os dados coletados em um monstrinho novo (mas a boa mesmo é esperar até completar 200% do contador, para gerar um Digimon mais habilidoso).

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O seu time principal pode ter até três Digimon, mas o limite para monstros que você pode carregar se dá por meio do tamanho da sua memória. Você começa com apenas 20 de memória, que pode ser expandida com itens especiais, e cada Digimon ocupa uma determinada quantidade desse espaço. Um monstrinho em sua primeira forma, por exemplo, costuma ocupar cerca de 3 espaços, enquanto sua forma Champion pode ocupar 20. Mas se você tiver espaço sobrando, é possível levar consigo muitos Digimon, que ficam no “banco de reserva”.

Para os demais monstros do seu exército, há duas opções: ficar no banco de dados, parados, esperando serem usados (seja no time ou para serem transformados em pontos de experiência e fundidos a outros Digimon), ou serem enviados para a DigiFarm, uma espécie de fazenda digital onde podem treinar, criar itens e procurar novos casos para sua agência de detetives cibernéticos.

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Só é uma pena que esses casos, na verdade, não precisem ser realmente investigados: você não sai por aí interrogando as pessoas ou procurando pistas, normalmente um diálogo simples resolve tudo e você cai direto para a ação, geralmente no mundo digital. As investigações principais, na verdade, funcionam como condutores da trama, com cada capítulo jogo sendo referente a uma grande investigação. É possível também pegar casos menores, que funcionam como missões paralelas e rendem algum dinheiro e itens, mas mesmo assim não existe um real trabalho detetive no jogo.

Independente de suas falhas, Digimon Story: Cyber Sleuth mantém seu saldo positivo, com potencial para agradar a todos (mas com aquele apelo especial para os fãs, que há muito tempo não recebiam um jogo de respeito para consoles). Com um quê de Persona, DSCS é facilmente um dos melhores RPGs já lançados para o PS Vita e não faz nada feio no PS4.

Digimon Story Cyber Sleuth – Nota 4/5

Produtora: Bandai Namco
Plataformas: PlayStation 4, PlayStation Vita
Plataforma utilizada na análise: PlayStation Vita

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