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Críticas Games

Banque o diretor de terror em Until Dawn

“Não entra aí, não entra aí! Ai sua burra, corre! NÃO! Pra esse lado nãããão!”

Quem curte filmes de terror provavelmente já se pegou gritando (ou pelo menos pensando) em coisas assim.

Seja pelas mãos de um serial killer, assombrações ou monstros do além, uma coisa é certa: junte um grupo de adolescentes e todos eles cometerão as piores decisões possíveis enquanto derramam quantidades obscenas de sangue em suas trágicas mortes.

Mas e se esses jovens estereotipados não precisassem tomar decisões tão estúpidas? Será que é possível sobreviver a um cenário extremamente desfavorável? É esse o desafio que Until Dawn, o mais recente exclusivo do PlayStation 4, propõe ao jogador.

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Quem curtiu os projetos da Quantic Dream no PlayStation 3 certamente se sentirá em casa no conto de terror da Supermassive Games. Como nos ótimos Heavy Rain e Beyond: Two Souls, a jogabilidade é extremamente limitada e a graça é bancar o diretor, acompanhando a narrativa de um drama interativo.

Com o dualshock em mãos, na esmagadora maioria do tempo você vai se limitar a andar e apontar sua lanterna para lá e para cá. Mas é o que você faz nos intervalos dessas passagens é o que realmente importa e dá graça ao game.

Quase todas as suas decisões, por menores que sejam, são capazes de alterar drasticamente o desenrolar da trama. A mecânica é adequadamente batizada de efeito borboleta, pois algo que você faz sem dar a menor importância no começo do game pode ter grandes implicações mais para frente, então é bom jogar sempre ligado.

Não que isso seja um desafio. Afinal, os gráficos incríveis e o clima Hollywoodiano – com direito à rostos conhecidos como Hayden Panettiere (Heroes) e Brett Dalton (Agents of S.H.I.E.L.D.) – já deixam o jogador imerso e fisgado naturalmente ao longo de todas as cerca de sete horas de duração da campanha.

Pois é, sete horas. Soa como tempo demais para game metido a filme de terror, não? Mas desafiando toda a lógica, mal dá para sentir a passagem do tempo por aqui. Me peguei fechando a aventura inteira em uma só jogada, pois não conseguia desgrudar da televisão. Sempre batia aquele gostinho de “ah, só mais um capítulo!”

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Nisso que dá acampar com gente da Hidra…

Nem mesmo a absurda guinada de foco na narrativa é capaz de atrapalhar o ritmo. O primeiro ato, que dura quase metade da jornada, remete diretamente aos clássicos filmes de slasher, com a turma de adolescentes burros e tarados fugindo de um assassino mascarado.

Estranhamente, a segunda metade da história mais parece um suspense sobrenatural de Stephen King, repleto de referências à monstros do folclore norte-americano, novos personagens enigmáticos e uma drástica mudança de tom nos diálogos e narrativa. De repente, os adolescentes idiotas viram sobreviventes dignos de lutar em Raccoon City. Hmmm.

Quando os dois atos tentam se encaixar na reta final, fica bem claro o quão heterogêneos eles são. Fosse qualquer outra mídia, seria difícil perdoar algo assim. Mas estamos falando de videogames e, nesse fantástico universo interativo, a verdade é que os buracos de roteiro vão pro segundo plano e a história diverte do início ao fim.

Cada um dos muitos fins, vale frisar. Enquanto termino de escrever esse texto, já estou ansioso para revisitar aquele chalé nas montanhas canadenses e ver se, dessa vez, consigo fazer mais personagens chegarem vivos ao final da aventura.

Devidamente dublado em português (mas com opção de legendas e áudio original, do jeitinho que tem que ser), repleto de extras e com um alto fator replay – já que você vai adorar descobrir todas as possibilidades do roteiro, além de caçar colecionáveis -, Until Dawn é uma das maiores surpresas da geração.

Until Dawn – Nota 3/5

Produtora: Supermassive Games
Plataforma: PlayStation 4

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